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EstudoIA · Bancos

Bancos vão triplicar gasto com IA até 2028, diz estudo

Estudo da Softtek projeta bancos quase triplicando o investimento em IA até 2028, para US$ 90,2 bilhões, mas só 8% viraram a tecnologia em vantagem real.

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· 4 min

Atualizado em

Foto de Conny Schneider na Unsplash

O investimento global de bancos em inteligência artificial deve quase triplicar até 2028, saltando de US$ 31,3 bilhões em 2024 para US$ 90,2 bilhões, segundo o estudo global The AI-Powered Banking Shift, da consultoria Softtek. O salto, de mais de 185%, vem acompanhado de um paradoxo: embora 78% das instituições já usem IA em pelo menos uma área de negócio, apenas 8% conseguiram transformar a tecnologia em vantagem competitiva real.

O paradoxo: 78% usam IA, só 8% lucram de verdade

O levantamento mapeia o estágio de maturidade tecnológica das instituições financeiras e expõe a distância entre adotar IA e gerar valor com ela. Segundo o relatório, os casos de uso de adoção mais rápida, como assistentes de produtividade individual ou automações simples de rotinas, trazem eficiências claras, mas oferecem retornos incrementais e dispersos. O ganho estrutural só aparece quando o banco repensa a arquitetura inteira em torno da tecnologia.

“O verdadeiro aumento de valor e rentabilidade só se manifesta quando as instituições superam a lógica da mera adoção de ferramentas e passam a desenhar uma estratégia AI-First, reconstruindo seus modelos arquitetônicos, operacionais e culturais a partir da premissa de que a IA é o núcleo pensante de toda a engrenagem corporativa”, afirma Adriano Candido, Vice-Presidente de Negócios em segmentos estratégicos da Softtek Brasil.

A IA no setor bancário em números

Indicador Valor
Investimento em IA (2024) US$ 31,3 bi
Investimento projetado (2028) US$ 90,2 bi
Crescimento no período mais de 185%
Instituições que já usam IA 78%
Viraram IA em vantagem real 8%
Oportunidade anual com GenAI US$ 200 bi a 340 bi

Números do estudo The AI-Powered Banking Shift, da Softtek. Fonte: TI Inside

A IA-First muda a economia do banco

Para o setor, o estudo estima que o uso maduro e de ponta a ponta da IA generativa represente uma oportunidade financeira entre US$ 200 bilhões e US$ 340 bilhões anuais para o setor bancário global, o equivalente a uma fatia de 9% a 15% de todos os lucros operacionais do segmento no mundo. Segundo Candido, esse potencial se apoia na capacidade de a IA reduzir o custo unitário das operações mais complexas ao mesmo tempo em que eleva a precisão comercial, a personalização de ofertas e a análise de concessão de crédito. Em outro levantamento, a Softtek já havia projetado que o mercado de IA generativa deve chegar a US$ 400 bilhões em 2031.

A ameaça das BigTechs e o cliente do futuro

O relatório projeta uma divisão clara: as instituições que adotarem a estratégia AI-First criam um ciclo virtuoso, em que cada operação refina os modelos e reduz custos marginais, enquanto as que limitarem a IA a projetos isolados perdem margem. A disputa, diz o estudo, deixa de ser por preço ou produto e passa a ser por quem controla a camada de recomendação ativa, a interface que conversa com o cliente. Bancos que reconstroem a operação em torno da tecnologia, como o Nubank, que mira a IA como núcleo do negócio, tentam não ficar para trás.

“Se os bancos tradicionais não dominarem essa inteligência de interface, correm o risco de se tornarem fornecedores de balanço invisíveis em marketplaces controlados por BigTechs ou fintechs nativas de IA”, alerta Candido. Para evitar essa desintermediação, o estudo elenca quatro decisões imediatas para as diretorias: construir uma arquitetura de dados unificada e governada em tempo real, atrair e reter talentos híbridos que unam conhecimento financeiro e competência analítica, evoluir para uma infraestrutura modular e baseada em APIs, e redesenhar processos em torno da autonomia dos modelos de decisão.

O que observar

O descompasso entre adoção e valor é o ponto central a acompanhar. Vale observar se as instituições que tratam IA como reconstrução estrutural, e não como soma de ferramentas isoladas, vão de fato capturar a fatia de lucro operacional que o estudo projeta, ou se o número fica no campo da promessa de consultoria. O segundo eixo é a disputa pela interface: se a camada de recomendação que conversa com o cliente migrar para plataformas de tecnologia e fintechs nativas de IA, instituições financeiras tradicionais correm o risco de virar fornecedoras de produto sem relação direta com o usuário. E há a questão de talento e dados, gargalo recorrente: sem arquitetura de dados governada em tempo real e profissionais híbridos, a estratégia AI-First fica no discurso. Para o ecossistema, a pergunta é quanto da projeção de investimento vira capacidade real de decisão automatizada.

Fontes: TI InsideSofttek

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