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BB entra como investidor em nota estruturada digital do Citi

Banco do Brasil participou como investidor de uma emissão de US$ 5 milhões do Citigroup feita direto em plataforma de registro distribuído da Euroclear.

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Atualizado em

Foto: Shutterstock

O Banco do Brasil entrou como investidor numa emissão de US$ 5 milhões do Citigroup, feita direto sobre tecnologia de registro distribuído (DLT, na sigla em inglês), segundo o Valor Econômico. O título é do tipo que o mercado chama de nota estruturada digital nativa, registrado na infraestrutura digital de mercado da Euroclear, a Digital Financial Market Infrastructure, ou D-FMI.

O banco brasileiro está do lado da compra. Quem emitiu o título foi o Citigroup, e a Euroclear entra como a depositária que registra e liquida o papel. Nota estruturada é um título cujo retorno depende de um ativo de referência, instrumento antigo no mercado de capitais. A reportagem não informa quanto o BB levou do papel nem qual é o ativo de referência da nota. A mudança está no trilho de emissão e liquidação, não no produto.

A plataforma por trás da nota estruturada digital

A Euroclear descreve a D-FMI como sua adição tecnológica mais recente, construída sobre registro distribuído. O primeiro serviço disponível ali é o Digital Securities Issuance, que cobre emissão, distribuição e liquidação em mercado primário de títulos internacionais totalmente desmaterializados, batizados de Digital Native Notes. A liquidação contra pagamento sai em euro ou em dólar, e os papéis ficam guardados em carteiras dentro do próprio componente digital.

Depois disso, a negociação volta ao trilho conhecido: quem comprar esses títulos no mercado secundário os mantém e transfere dentro do Euroclear Bank, na plataforma de liquidação tradicional. Movimentos parecidos aparecem em outras praças, como quando o HSBC conectou a Bolsa de Londres em título público digital.

Emissões listadas pela Euroclear na D-FMI

Emissor Valor Marco
Citi Não divulgado Primeira nota estruturada digital nativa da plataforma
Emirates NBD AED 1 bilhão Maior emissão digital pública do Oriente Médio e Norte da África
Doha Bank US$ 150 milhões Estreia digital do banco
Akbank US$ 100 milhões Primeiro título digital de gênero
Türkiye İş Bankası US$ 100 milhões Primeiro eurobônus em registro distribuído sob lei britânica de emissor de mercado emergente
Caisse des Dépôts et Consignations EUR 100 milhões Primeira ao portador sob lei francesa
Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura US$ 300 milhões Primeira em dólar da Euroclear e primeira de emissor sediado na Ásia
Banco Mundial EUR 100 milhões Primeira emissão da plataforma

Emissões listadas pela Euroclear na página oficial da D-FMI. Fonte: Euroclear

O que Citi e Euroclear publicaram sobre a nota

O único comunicado do Citi sobre nota estruturada digital nativa na D-FMI é de 9 de março de 2026, quando o banco anunciou a emissão sob lei inglesa, com a Citigroup Global Markets Funding Luxembourg como emissora. Nem esse texto nem a página da Euroclear informam valor ou investidores, e nem elas nem o Banco do Brasil comunicaram a participação do BB. Pela cobertura pública não dá para dizer se a emissão de US$ 5 milhões relatada pelo Valor é essa mesma operação ou uma posterior. Russell Budnick, chefe de mercado de capitais da área de Investment Solutions do Citi Wealth, afirmou no comunicado que a operação “demonstra como podemos entregar produtos estruturados tradicionais de forma mais eficiente ao usar tecnologia de registro distribuído, preservando o perfil completo de investimento que os clientes esperam”.

O banco americano vem ampliando a frente de ativos digitais em várias pontas: em agosto de 2026 lançou o Custody+ e prepara custódia de bitcoin.

No Brasil, o piloto do Drex testou emitir e liquidar um título direto em blockchain. Em entrevista ao podcast Let’s Money, em outubro de 2025, André Carneiro, CEO da BBChain, afirmou que “Na segunda fase, o Bacen virou para todo mundo e falou: OK, proponha seus cases. Agora você vai programar em blockchain”. Hoje, com o Drex parado, B3 e Anbima tocam a tokenização.

O que observar

Se a emissão digital nativa passar do estágio de anúncio, a pergunta passa a ser quem, do lado da demanda, aceita carregar esses papéis em carteira. Bancos que entram nesse tipo de operação podem começar por tíquetes pequenos, o que torna a repetição um sinal mais útil do que o tamanho de cada posição. Vale acompanhar se as depositárias centrais devem manter o desenho atual, com emissão em ambiente digital e negociação no trilho tradicional, ou se o secundário também tende a migrar. E se reguladores locais vão tratar a exposição a títulos emitidos em registro distribuído da mesma forma que tratam um papel convencional.

Fontes: Valor EconômicoEuroclearCitigroupLet’s Money Podcast, episódio com André Carneiro (BBChain)

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