O Banco Central (BC) afirma que o novo modelo de captação do crédito imobiliário já reverteu a queda nas concessões. Segundo o diretor de regulação, Gilneu Vivan, cada um dos primeiros meses do período de testes registrou incremento nas contratações, e imóveis acima de R$ 2,25 milhões passaram a pagar taxas maiores que os de valor abaixo de R$ 1 milhão.
A avaliação foi feita no Abecip Summit 2026 e divulgada pelo Valor Econômico. “Não há dúvidas que houve uma reversão na queda das concessões [de crédito imobiliário] que vinha ocorrendo. Observa-se que cada [um dos] primeiros meses do período de teste o incremento nas concessões”, disse Vivan.
Crédito imobiliário no 1º semestre de 2026
| Origem dos recursos | Volume | Variação anual |
|---|---|---|
| SBPE (poupança) | R$ 93,7 bi | +29% |
| FGTS | R$ 77,6 bi | +22% |
| Recursos livres | R$ 9,6 bi | -8% |
| Total | R$ 180,9 bi | +23% |
Balanço do primeiro semestre de 2026 da Abecip, divulgado em 28 de julho de 2026. Mais de 680 mil imóveis financiados. Fonte: Diário do Comércio
Como funciona o novo modelo imobiliário
O desenho entrou em vigor de forma gradual em outubro de 2025 e estará em vigência plena em 2027. Ele substitui a poupança como funding primário do crédito imobiliário por fontes do mercado de capitais, como as letras imobiliárias. Vivan destacou que o modelo saiu de uma série de discussões entre as indústrias bancária e de construção e o governo.
“Ao final dos debates, os objetivos que nortearam a revisão do modelo foram criar incentivos para que o mercado se reorganize e busque a substituição gradativa da poupança como ‘funding’ primário do crédito imobiliário”, afirmou o diretor. Na fase de testes iniciada nos últimos meses de 2025, 500 pontos-base da linha de compulsório, equivalentes a 5% do saldo da poupança, foram destinados a operações no novo formato.
A pressão sobre a poupança é o pano de fundo da mudança. Em junho de 2026, o Bradesco já apontava que a captação fraca da caderneta aperta o funding do crédito imobiliário. Do outro lado da mesa está uma carteira altamente concentrada: a Caixa passou de R$ 1 trilhão em crédito imobiliário e responde por 68% do mercado.
Vivan ponderou que ainda não foi possível segregar as bases de dados para uma análise mais profunda dos impactos, mas que extraiu informações a partir das concessões por faixas de valor de imóvel. Nos últimos dez anos, as taxas eram muito próximas independentemente do valor do imóvel, e as menores médias apareciam justamente nas operações acima de R$ 2,25 milhões. Desde outubro de 2025, essa relação se inverteu. “Esse era um dos efeitos esperados”, explicou.








