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BC encurta para 7 dias úteis a espera no birô de crédito

Dado que levava até 45 dias para chegar às consultas ao birô de crédito passa a ser atualizado em até sete dias úteis. Registrato fica de fora.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Quem quitou um empréstimo ou pagou uma parcela vai levar menos tempo para ver isso valer no próprio histórico. O Banco Central cortou de até 45 dias para até sete dias úteis o intervalo entre o evento de crédito e sua aparição nas consultas feitas ao birô de crédito, mudança em vigor desde quarta-feira (26).

Do evento de crédito até a consulta

Etapa Prazo
Apuração pela instituição Diária
Envio ao SCR Não superior a 5 dias úteis
Consulta ao birô, situação anterior Até 45 dias
Consulta ao birô, situação atual Até 7 dias úteis
Eventos apurados Concessão, cessão, aquisição, portabilidade, pagamento de parcela e liquidação
Registrato Em implementação

Prazos informados na nota do Banco Central de 26 de agosto de 2026. Fonte: Banco Central

O que muda no birô de crédito consultado pelas instituições

A mudança fecha uma cadeia de normas aberta em 2024. A Resolução BCB 413, de 19 de setembro daquele ano, passou a exigir apuração diária dos eventos de uma operação, com apuração e envio começando em 1º de novembro de 2025. Depois veio a Instrução Normativa BCB 530, de 9 de outubro de 2024, que fixou o teto de cinco dias úteis para esses registros alcançarem o Sistema de Informações de Créditos, o SCR, base administrada pelo próprio regulador. São seis os eventos cobertos: concessão, cessão, aquisição, portabilidade, pagamento de parcela e liquidação.

“Com a implementação dessas medidas, informações que anteriormente poderiam levar até 45 dias para serem disponibilizadas nas consultas passarão a ser atualizadas em até sete dias úteis”, afirmou o BC na nota que comunicou a medida. Segundo a autoridade monetária, a base mais recente permite que o crédito seja lido com mais rapidez, “possibilitando que cidadãos e empresas se beneficiem de avaliações baseadas em informações mais atuais sobre sua situação de crédito”.

Na prática, encurta o intervalo entre pagar e ser reconhecido como bom pagador. Isso pesa em decisões que dependem de uma foto atualizada do endividamento, caso da portabilidade de crédito pelo Open Finance, em que a proposta concorrente depende da leitura da dívida vigente.

Por que o Registrato ainda fica de fora

O alcance da medida tem limite declarado. Só o birô de crédito passou a receber a base mais fresca. O Registrato, canal em que o próprio cidadão puxa seu relatório e que ultrapassou 100 milhões de relatórios emitidos em março de 2026, ainda não recebeu essa base, e o BC trabalha para implementar a disponibilização ali sem prazo anunciado.

A responsabilidade pelo que aparece continua com quem envia: em ambos os canais os dados saem do SCR e respondem pelas instituições remetentes, nos termos da Resolução CMN 5.037, de 2022. A defasagem pesa mais num momento em que, no setor privado, o score de crédito já é atualizado em 20 segundos via Pix e a inadimplência de empresas bate recorde, com 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho de 2026.

O que observar

A pergunta prática é quanto desse ganho chega ao tomador. Um teto de sete dias úteis na consulta ainda é bem diferente de tempo real, e ele se soma ao outro teto da cadeia, o de cinco dias úteis para o envio ao SCR. Vale acompanhar se as instituições vão trabalhar perto do piso desses prazos ou encostar no limite, porque a diferença entre os dois comportamentos define se o histórico consultado reflete a semana passada ou o mês passado.

O outro ponto é a assimetria entre quem consulta e quem é consultado. Enquanto o canal usado pelas instituições opera com a base mais recente e o canal do cidadão ainda não, o tomador pode ser avaliado por um dado que ele mesmo não consegue conferir. Se essa distância se estender, tende a crescer a procura por contestação junto às instituições remetentes, que seguem responsáveis pelo que consta na base.

Fontes: Valor EconômicoBanco CentralResolução BCB 413

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