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Créditobanco central · BC

Bancos alertam para crédito ainda mais restrito no 2º tri

Pesquisa do BC com 71 instituições: todos os segmentos de crédito mais restritos no 1º tri, com piora esperada por inadimplência no 2º tri.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Andre Taissin na Unsplash

O Banco Central coletou percepções de 71 instituições financeiras: a oferta de crédito ficou mais restrita em todos os quatro segmentos no primeiro trimestre de 2026, com expectativa de aperto ainda maior para o segundo. Inadimplência e comprometimento de renda são os principais fatores, aponta a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do BC, com dados coletados entre 13 e 29 de abril.

Condições de crédito por segmento: 1º tri/2026

Segmento Condição Q1/2026 Fatores restritivos
Consumo (PF) Mais restritivo Comprometimento de renda, inadimplência
Habitacional (PF) Mais restritivo Custo de funding, renda, tolerância ao risco
Grandes empresas Mais restritivo Inadimplência (mitigada por concorrência e crédito direcionado)
MPMEs Mais restritivo Inadimplência, tolerância ao risco

Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito do BC, 71 instituições participantes. Fonte: Valor Econômico

O que travou o crédito no 1º trimestre

No crédito ao consumo de pessoas físicas, as instituições relatam piora no comprometimento de renda e no nível de inadimplência, que atingiu recorde histórico em janeiro. A expectativa para o segundo trimestre é que esses fatores, somados a uma redução mais intensa da tolerância ao risco, tornem o ambiente ainda mais seletivo. No crédito habitacional, o custo de funding se somou à pressão de renda e à tolerância ao risco como vetores de restrição, com perspectiva de intensificação do quadro.

Entre as grandes empresas, o aumento do grau de restrição foi “parcialmente mitigado”, segundo o BC, pela concorrência entre bancos e pelo crédito direcionado. Nas micro, pequenas e médias empresas, a deterioração dos indicadores de inadimplência foi o vetor principal. Para o segundo trimestre, as instituições esperam que o crédito direcionado continue reduzindo, em parte, os impactos sobre esse grupo, mas com inadimplência e tolerância ao risco ainda restritivos.

Demanda resiliente em ambiente de crédito restritivo

Enquanto as condições de oferta encolheram, a demanda por crédito seguiu resiliente no primeiro trimestre. Os dados do BC indicam que inadimplência e risco superaram as expectativas das próprias instituições em todos os segmentos. Para o segundo trimestre, as projeções das 71 participantes apontam crescimento da procura na maioria dos segmentos. Em 2025, a demanda por crédito empresarial avançou 9,8%, trajetória que pode perder fôlego com o aperto projetado na oferta.

O que observar

A convergência de restrição em todos os quatro segmentos num mesmo trimestre é o ponto central. O crédito direcionado funcionou como amortecedor para grandes empresas e MPMEs no primeiro trimestre, mas sua capacidade de continuar nesse papel no segundo tri ainda é uma incógnita. Vale acompanhar se os critérios de concessão do crédito direcionado também serão revistos ou se seguirão absorvendo parte da demanda reprimida. Para credores com carteiras concentradas em consumo, a combinação de comprometimento de renda elevado e inadimplência crescente pode exigir revisão dos modelos de precificação e do apetite de risco.

Os dados de inadimplência de abril e maio serão o primeiro sinal concreto sobre se a intensificação projetada para o segundo trimestre está se materializando ou se a percepção das instituições na coleta foi mais conservadora do que os números efetivos.

Fontes: Valor EconômicoMonitor MercantilLet’s Money

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