O Banco Central coletou percepções de 71 instituições financeiras: a oferta de crédito ficou mais restrita em todos os quatro segmentos no primeiro trimestre de 2026, com expectativa de aperto ainda maior para o segundo. Inadimplência e comprometimento de renda são os principais fatores, aponta a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do BC, com dados coletados entre 13 e 29 de abril.
Condições de crédito por segmento: 1º tri/2026
| Segmento | Condição Q1/2026 | Fatores restritivos |
|---|---|---|
| Consumo (PF) | Mais restritivo | Comprometimento de renda, inadimplência |
| Habitacional (PF) | Mais restritivo | Custo de funding, renda, tolerância ao risco |
| Grandes empresas | Mais restritivo | Inadimplência (mitigada por concorrência e crédito direcionado) |
| MPMEs | Mais restritivo | Inadimplência, tolerância ao risco |
Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito do BC, 71 instituições participantes. Fonte: Valor Econômico
O que travou o crédito no 1º trimestre
No crédito ao consumo de pessoas físicas, as instituições relatam piora no comprometimento de renda e no nível de inadimplência, que atingiu recorde histórico em janeiro. A expectativa para o segundo trimestre é que esses fatores, somados a uma redução mais intensa da tolerância ao risco, tornem o ambiente ainda mais seletivo. No crédito habitacional, o custo de funding se somou à pressão de renda e à tolerância ao risco como vetores de restrição, com perspectiva de intensificação do quadro.
Entre as grandes empresas, o aumento do grau de restrição foi “parcialmente mitigado”, segundo o BC, pela concorrência entre bancos e pelo crédito direcionado. Nas micro, pequenas e médias empresas, a deterioração dos indicadores de inadimplência foi o vetor principal. Para o segundo trimestre, as instituições esperam que o crédito direcionado continue reduzindo, em parte, os impactos sobre esse grupo, mas com inadimplência e tolerância ao risco ainda restritivos.








