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BC vê maior risco das famílias no crédito sem garantia

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, diz que o maior risco do endividamento das famílias está no crédito sem garantia, como rotativo e cartão.

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que o ponto mais frágil do endividamento das famílias brasileiras está no crédito sem garantia, categoria que reúne o rotativo e o cartão de crédito. A avaliação foi feita durante participação na Expert XP, em São Paulo, e joga o holofote justamente sobre a modalidade que menos reage à alta de juros.

Para Galípolo, esse desenho limita o alcance da política monetária. Mesmo com a Selic em patamar elevado, o custo dessas linhas segue em outro nível. “Essa é uma dívida pouco sensível à política monetária. Quando você olha para os níveis de juros pagos, eles estão na ordem de 15% ao mês”, disse o dirigente. Ele ressalvou que o tema “demanda fazer estudos sobre a estrutura deste mercado”.

Por que o crédito sem garantia escapa da Selic

O diagnóstico separa dois blocos. De um lado, linhas com garantia respondem melhor ao ciclo de juros. De outro, o rotativo do cartão cobra taxas que pouco variam com o movimento do Copom. Não à toa, o crédito pessoal sem garantia figura entre os mais caros do país, segundo levantamento do próprio BC.

Galípolo associou a expansão recente ao comportamento do consumidor no pós-pandemia. O uso de cartão cresceu no mundo todo e, no Brasil, ganhou tração extra com a bancarização provocada pelo Pix, que trouxe uma nova leva de pessoas ao sistema financeiro. Parte desse público passou a recorrer também a saídas como compras parceladas fora do cartão.

O diagnóstico de Galípolo sobre o crédito às famílias
Modalidade de maior risco Crédito sem garantia (rotativo e cartão)
Juro citado Cerca de 15% ao mês
Sensibilidade à política monetária Baixa
Gatilho recente Uso de cartão impulsionado pela bancarização via Pix

Fala de Gabriel Galípolo (BC) na Expert XP, em 24/07/2026. Fonte: Valor Econômico

No campo corporativo, o presidente do BC apontou gargalo parecido para pequenas e médias empresas, sobretudo em serviços, que esbarram na falta de garantias para acessar crédito mais barato. “A ideia de ter recebíveis e securitizáveis neste segmento acaba gerando uma dificuldade. Mas, vimos o tamanho do crescimento do mercado de capitais e isso também liberou balanço de bancos para atender empresas de porte menor”, afirmou. O avanço do mercado de capitais como fonte para empresas menores é uma das saídas em curso.

Galípolo também voltou a destacar que os indicadores mostram o fluxo de pagamentos de crédito subindo na economia, sinal de que o aperto monetário está surtindo efeito. “Isso é esperado e é o canal de transmissão da política monetária funcionando”, disse. Ainda assim, o quadro convive com a inadimplência do crédito em nível recorde.

O que observar

O ponto central é quanto do endividamento das famílias segue migrando para linhas sem garantia, menos permeáveis ao ciclo de juros. Vale acompanhar se os estudos estruturais mencionados pela autoridade monetária evoluem para medidas concretas sobre o custo do rotativo, e se o mercado de capitais continua abrindo espaço nos balanços dos bancos para atender empresas de menor porte. No varejo, a expansão do crédito apoiada na infraestrutura pública de pagamentos tende a redesenhar quem entra no sistema e por qual porta.

Fontes: Valor EconômicoExameBPMoney

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