O Banco Central avisou que prepara um pacote contra o crédito mais caro, a fatia da dívida que mais come o orçamento doméstico. O recado saiu no comunicado do Comef, comitê que cuida da estabilidade financeira no BC, publicado na quarta-feira (26), sem lista de medidas. No mesmo dia, o regulador encurtou para até sete dias úteis o prazo de atualização do histórico de crédito de cada cliente.
O retrato do endividamento que o BC levou ao palco
| Indicador | Número |
|---|---|
| Endividamento das famílias | 49,8% da renda anual |
| Endividamento sem crédito imobiliário | 31,1% da renda |
| Usuários de cartão com dívida | 52,8 milhões, de 96 milhões no total |
| Juros do rotativo do cartão | 15,1% ao mês |
| Consignado privado | R$ 102 bilhões, alta de 145% em um ano |
| Crédito pessoal não consignado | R$ 397,2 bilhões, alta de 188% desde 2020 |
Dados apresentados por Gabriel Galípolo na abertura da Febraban Tech 2026, em 24 de agosto de 2026. Fonte: InfoMoney
O que o BC sinalizou sobre o crédito mais caro
O comunicado não descreve nenhuma iniciativa. Diz que o cenário atual “requer cautela e diligência adicionais na concessão de crédito, tanto na qualidade dos empréstimos quanto no apetite ao risco”. O detalhamento fica para a ata, prevista para 2 de setembro. Na mesma sessão, o comitê manteve em 0% o adicional contracíclico de capital e classificou o sistema como preparado “para enfrentar a materialização de risco de crédito”.
O incômodo do regulador tem endereço conhecido. Dois dias antes, na abertura da Febraban Tech, o presidente do BC voltou a cobrar coerência de quem comemora a expansão da carteira. “Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, disse Gabriel Galípolo. Em julho, ele já apontava o crédito sem garantia como o ponto de maior risco no endividamento das famílias, e em abril de 2026 classificou o problema do cartão como estrutural.
Nada disso equivale a regra publicada. Segundo apuração do Valor, um caminho em estudo seria cobrar mais capital do emissor que concentrar oferta cara em cliente superendividado. Analistas do UBS BB listaram em relatório outras quatro alavancas: subir compulsórios, pesar mais o risco de determinadas carteiras, mexer no IOF ou acionar o adicional contracíclico.







