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PixPix · Banco Central

BC vai rastrear toda a cadeia de um golpe no Pix

O BC desenvolve um score de fraude por transação no Pix e vai rastrear toda a cadeia de um golpe, não só a primeira conta. Consulta pública vem em breve.

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· 4 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central quer fechar o cerco aos golpes no Pix. A autarquia desenvolve um “score” de fraude por transação e vai ampliar o rastreio para alcançar não só a primeira conta que recebe o dinheiro desviado, mas toda a cadeia por trás dela. As mudanças entram na nova versão do mecanismo de devolução, o MED 2.0, e devem passar por consulta pública em breve.

O que o BC estuda mudar no MED 2.0

Frente O que muda
Score de fraude Pontuação por transação como subsídio às instituições
Rastreio ampliado Identificar o beneficiário final, não só a 1ª conta
Intermediários Achar o usuário por trás de marketplaces e bets
Contestação Exigir mais informações do usuário para conter abuso
Sanções Cautelares intermediárias, além da suspensão atual
Escopo Estudo para incluir boleto e TED

Aprimoramentos do MED 2.0 em estudo no BC. Fonte: Valor

O que o BC quer mudar no golpe do Pix

O Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite tentar recuperar valores em casos de fraude, virou obrigatório na versão 2.0 em fevereiro de 2026. Agora o regulador prepara uma camada extra de dados para as instituições decidirem sobre os pedidos de contestação. “Vamos dar mais subsídio para as instituições rejeitarem ou não”, disse Luis Otávio Vissotto, chefe da divisão de segurança do Pix no BC, ao participar do Fintouch, evento da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), em São Paulo.

O centro da mudança é a visibilidade sobre quem realmente fica com o dinheiro. Hoje, o MED esbarra na primeira conta de destino; com a nova versão, o BC promete enxergar tudo o que está atrás dela. “Vamos conseguir ter essa visibilidade e vai ser mais tempestivo”, afirmou Vissotto, que vê na medida uma forma de elevar a taxa de recuperação de recursos e expor contas laranjas. O regulador também quer chegar a quem recebe por meio de intermediários, como marketplaces e plataformas de apostas. “Não faz sentido o MED bater no intermediário, tem que ser em quem recebeu”, disse, ao antecipar mudanças na mensageria do sistema. Em paralelo, o BC desenvolve um “score” de fraude: “A gente consegue, com base em algoritmos que estamos desenvolvendo, aplicar um ‘score’ a cada transação”, contou, ressaltando que a decisão final segue com a instituição.

Por que a contestação virou um problema

O esforço nasce de um efeito colateral. Depois de uma mudança no manual que permitiu ao cliente abrir a contestação sozinho pelo app, o número de pedidos disparou, risco que o mercado já havia sinalizado. “Realmente isso é um problema, e trouxemos o problema para dentro de casa”, reconheceu Vissotto. Muitos usuários passaram a usar o recurso não para casos de fraude, mas para cancelar um Pix quando o produto veio errado ou quando a transferência foi feita por engano.

A saída em estudo é pedir mais dados antes de abrir a disputa. “Então vamos pedir mais informações do usuário, para chegarem menos ‘bolas quadradas’ para as instituições”, afirmou. O BC também avalia criar sanções intermediárias para instituições com falhas de controle, como restrição de horários ou bloqueio de cadastro de novas chaves, já que hoje a única medida cautelar é a suspensão. O combate aos golpes é um front contínuo no Pix, do golpe da “falsa central” que Itaú e Google bloquearam ao esforço de adquirentes globais para rastrear bilhões em transações suspeitas.

O que observar

O desenho proposto desloca o eixo do combate à fraude da conta de passagem para o destinatário final, o que pode aumentar a recuperação de recursos, mas joga peso operacional sobre os intermediários de pagamento. Vale acompanhar se plataformas que agregam recebimentos, como marketplaces e operadores de apostas, conseguem adaptar a mensageria e os controles de identificação no prazo que a consulta pública vier a definir, sem repassar a fricção ao usuário da ponta.

A outra questão é de equilíbrio. Um “score” entregue como subsídio, e não como decisão automática, mantém a responsabilidade na instituição, o que evita falsos positivos em massa, mas exige modelos próprios de risco para interpretar a pontuação. Se as sanções intermediárias tiverem mesmo caráter educativo, a pergunta é se conseguem corrigir falhas de controle antes que virem suspensão, sem que o custo de compliance pese de forma desproporcional sobre instituições de menor porte.

Fontes: ValorLet’s Money

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