O Banco Central quer fechar o cerco aos golpes no Pix. A autarquia desenvolve um “score” de fraude por transação e vai ampliar o rastreio para alcançar não só a primeira conta que recebe o dinheiro desviado, mas toda a cadeia por trás dela. As mudanças entram na nova versão do mecanismo de devolução, o MED 2.0, e devem passar por consulta pública em breve.
O que o BC estuda mudar no MED 2.0
| Frente | O que muda |
|---|---|
| Score de fraude | Pontuação por transação como subsídio às instituições |
| Rastreio ampliado | Identificar o beneficiário final, não só a 1ª conta |
| Intermediários | Achar o usuário por trás de marketplaces e bets |
| Contestação | Exigir mais informações do usuário para conter abuso |
| Sanções | Cautelares intermediárias, além da suspensão atual |
| Escopo | Estudo para incluir boleto e TED |
Aprimoramentos do MED 2.0 em estudo no BC. Fonte: Valor
O que o BC quer mudar no golpe do Pix
O Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite tentar recuperar valores em casos de fraude, virou obrigatório na versão 2.0 em fevereiro de 2026. Agora o regulador prepara uma camada extra de dados para as instituições decidirem sobre os pedidos de contestação. “Vamos dar mais subsídio para as instituições rejeitarem ou não”, disse Luis Otávio Vissotto, chefe da divisão de segurança do Pix no BC, ao participar do Fintouch, evento da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), em São Paulo.
O centro da mudança é a visibilidade sobre quem realmente fica com o dinheiro. Hoje, o MED esbarra na primeira conta de destino; com a nova versão, o BC promete enxergar tudo o que está atrás dela. “Vamos conseguir ter essa visibilidade e vai ser mais tempestivo”, afirmou Vissotto, que vê na medida uma forma de elevar a taxa de recuperação de recursos e expor contas laranjas. O regulador também quer chegar a quem recebe por meio de intermediários, como marketplaces e plataformas de apostas. “Não faz sentido o MED bater no intermediário, tem que ser em quem recebeu”, disse, ao antecipar mudanças na mensageria do sistema. Em paralelo, o BC desenvolve um “score” de fraude: “A gente consegue, com base em algoritmos que estamos desenvolvendo, aplicar um ‘score’ a cada transação”, contou, ressaltando que a decisão final segue com a instituição.








