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RegulaçãoRegulação · Banco Central

BC revela agenda para regular stablecoins e staking no Brasil

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· 3 min

Atualizado em

BC
Foto: Abner Garcia / Let's Money

O Banco Central revelou que a regulamentação de stablecoins é prioridade imediata na agenda de ativos virtuais, ao lado de segregação patrimonial, crypto as a service e staking. O anúncio foi feito por Luciano Garcia Roman, chefe-adjunto do Departamento de Organização do Sistema Financeiro, durante o evento Matera Experience em 25 de março.

AGENDA REGULATÓRIA DO BC | ATIVOS VIRTUAIS

Tema Status Questão central
Stablecoins Resolução 520 + PL 4.308 Qualidade do lastro, quem pode emitir
Segregação patrimonial Lacuna identificada Separar fundos de clientes do patrimônio das empresas
Crypto as a service Sem regulamentação específica Empresas oferecem cripto via parceiros (Itaú, Nubank, Foxbit)
Staking Em análise Travamento de cripto para recompensas de rede

Prazo unificado para adequação: outubro de 2026 | Fonte: Finsiders Brasil

O que a Resolução 520 já cobre e o que falta

As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, publicadas em novembro de 2025, entraram em vigor em fevereiro de 2026. Elas criaram a figura das SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais), definiram regras cambiais para stablecoins e estabeleceram três pilares de autorização: reputação, capacidade econômica e estrutura de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD). A partir de maio de 2026, operações com stablecoins passam a integrar formalmente o mercado de câmbio.

Mesmo assim, Garcia Roman reconheceu lacunas: “O marco regulatório atual não dá conta de todas as questões que se apresentam”, disse Luciano Garcia Roman, chefe-adjunto do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC. Na frente legislativa, o BC acompanha o PL 4.308, que exige lastro integral de 100% para stablecoins, proíbe as de base algorítmica e define requisitos prudenciais para emissores. O governo descartou recentemente a tributação de cripto como câmbio, mantendo o foco regulatório em proteção ao investidor.

O ecossistema que espera as regras

O prazo unificado de outubro de 2026 para adequação das empresas ao perímetro regulatório coloca no mesmo ponto de partida incumbentes como Itaú, Nubank e Mercado Bitcoin e fintechs menores. Empresas como Bradesco já avançam em custódia cripto e stablecoins, e a UnblockPay levantou seed para operar stablecoins no mercado brasileiro. Crypto as a service, que permite bancos e fintechs oferecerem ativos digitais via parceiros regulados, ainda não tem norma específica, mas o BC sinalizou que é tema de curto prazo.

O que observar

A combinação de resoluções já vigentes, PL em tramitação e agenda declarada de quatro temas posiciona o Brasil entre os mercados com regulação cripto mais estruturada. O ponto crítico é operacional: SPSAVs precisarão montar estruturas de PLD, segregação patrimonial e compliance num prazo de nove meses, o que favorece quem já possui licenças bancárias ou de pagamentos. Para emissores globais de stablecoins lastreadas em dólar, a definição de quem pode emitir e os requisitos de lastro determinarão se o mercado brasileiro se torna rota de expansão ou barreira regulatória. Vale acompanhar se o PL 4.308 avança antes de outubro, pois sem ele a Resolução 520 opera sem o complemento prudencial que o BC reconhece como necessário.

Fontes: Finsiders BrasilCointelegraph / TradingViewCâmara dos DeputadosLet’s Money PodcastLet’s Money

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