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SegurançaPix · Banco Central

BC planeja score central de fraude para todo Pix

Banco Central quer criar indicador de probabilidade de fraude no Pix, por machine learning e em tempo real, para abastecer os antifraudes das instituições.

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Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central quer construir um índice de “probabilidade de fraude” para o Pix, calculado de forma centralizada, em tempo real e para cada transação do sistema. A ideia, revelada na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, é rodar um modelo de machine learning treinado na base da própria autoridade e entregar essa nota às instituições, que a usariam para reforçar seus antifraudes.

O que o BC quer mudar na segurança do Pix

Frente O que muda
Índice de fraude Nota por machine learning, centralizada no BC, em tempo real
Critérios mínimos Padroniza o que conta como suspeita e fundada suspeita
Novas cautelares Trava de chaves, de acesso ao DICT, limites de valor e de horário
Chaves conformes Bloqueio de chaves fora das bases da Receita Federal

Ações previstas no Relatório de Gestão do Pix para reforçar a segurança. Fonte: Valor Econômico

Como funcionaria a nota de fraude

O desenho mantém a última palavra com quem opera a conta. “Continuará sendo responsabilidade de cada instituição decidir pela autorização ou pela rejeição de cada transação. Ao BC continuará cabendo o papel, como acontece atualmente, de compartilhar informações para servir de insumo para a decisão das instituições participantes”, afirmou a autoridade no relatório. O regulador vira, na prática, um provedor central de sinal de risco, num movimento que segue a direção do mercado, onde players já apostam bilhões em antifraude com IA.

A entrega, porém, não é garantida. O BC ponderou que o indicador “não necessariamente será disponibilizado” e que a decisão de repassá-lo “vai depender da confiança do BC no ajuste do modelo e de avaliação jurídica sobre a possibilidade de compartilhamento desse tipo de informação”. Ou seja, um score central que existe internamente pode nunca chegar às instituições se a leitura de privacidade travar o compartilhamento. O risco é conhecido: o FMI elogiou o Pix, mas apontou fraude e ciberataque como o flanco aberto do sistema.

As travas contra golpes e contas laranja

O relatório também mira a subjetividade das regras atuais. Hoje, cada instituição define o próprio limiar de suspeita, o que, segundo o BC, gera “comportamentos heterogêneos” e deixa passar operações que mereciam mais atenção, como transferências de alto valor fora do horário comercial. Para reduzir essa dispersão, o regulador quer fixar critérios mínimos comuns e ampliar o cardápio de medidas cautelares com opções mais leves e rápidas de aplicar: barrar o registro de novas chaves, cortar acesso ao diretório que guarda os dados das chaves (DICT), impor tetos de valor e restringir horários de envio e recebimento.

Há ainda uma faxina cadastral. O BC pretende garantir que toda nova chave registrada bata com nome e CPF ou CNPJ nas bases da Receita Federal, bloqueando as divergentes até a correção, um ataque direto às contas laranja que sustentam boa parte dos golpes. É a mesma lógica que levou grandes bancos a cruzar bases externas para barrar contas laranja já no cadastro.

O que observar

A aposta central desloca o combate à fraude do balcão de cada instituição para uma camada compartilhada, e isso muda o jogo para quem hoje vende antifraude e para os participantes de menor porte, que ganhariam um sinal de risco que não conseguiriam produzir sozinhos. Vale acompanhar duas tensões. A primeira é jurídica: um modelo que lê todas as transações em tempo real esbarra em privacidade e no limite do que pode ser compartilhado, e o próprio regulador já sinalizou que pode segurar a entrega. A segunda é operacional: padronizar o que é suspeita reduz o risco de deixar passar golpe, mas mal calibrado engrossa o falso positivo e trava pagamento legítimo. O teste será calibrar sensibilidade sem transformar segurança em atrito.

Fontes: Valor EconômicoJornal de Brasília

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