O Banco Central quer construir um índice de “probabilidade de fraude” para o Pix, calculado de forma centralizada, em tempo real e para cada transação do sistema. A ideia, revelada na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, é rodar um modelo de machine learning treinado na base da própria autoridade e entregar essa nota às instituições, que a usariam para reforçar seus antifraudes.
O que o BC quer mudar na segurança do Pix
| Frente | O que muda |
|---|---|
| Índice de fraude | Nota por machine learning, centralizada no BC, em tempo real |
| Critérios mínimos | Padroniza o que conta como suspeita e fundada suspeita |
| Novas cautelares | Trava de chaves, de acesso ao DICT, limites de valor e de horário |
| Chaves conformes | Bloqueio de chaves fora das bases da Receita Federal |
Ações previstas no Relatório de Gestão do Pix para reforçar a segurança. Fonte: Valor Econômico
Como funcionaria a nota de fraude
O desenho mantém a última palavra com quem opera a conta. “Continuará sendo responsabilidade de cada instituição decidir pela autorização ou pela rejeição de cada transação. Ao BC continuará cabendo o papel, como acontece atualmente, de compartilhar informações para servir de insumo para a decisão das instituições participantes”, afirmou a autoridade no relatório. O regulador vira, na prática, um provedor central de sinal de risco, num movimento que segue a direção do mercado, onde players já apostam bilhões em antifraude com IA.
A entrega, porém, não é garantida. O BC ponderou que o indicador “não necessariamente será disponibilizado” e que a decisão de repassá-lo “vai depender da confiança do BC no ajuste do modelo e de avaliação jurídica sobre a possibilidade de compartilhamento desse tipo de informação”. Ou seja, um score central que existe internamente pode nunca chegar às instituições se a leitura de privacidade travar o compartilhamento. O risco é conhecido: o FMI elogiou o Pix, mas apontou fraude e ciberataque como o flanco aberto do sistema.








