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RegulaçãoRegulação · Banco Central

BC defende stablecoin de pagamento como moeda

Em audiência na Câmara, o BC defendeu que stablecoins com uso de pagamento sejam tratadas como instrumento monetário, no debate do PL 4308/2024.

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O Banco Central defendeu nesta terça-feira (1) que stablecoins usadas como meio de pagamento sejam tratadas como instrumento monetário. A defesa foi apresentada por Fábio Araújo (Denor), área do BC que desenha as regras do sistema financeiro, durante debate na Câmara sobre o arcabouço das moedas digitais (PL 4308/2024). Araújo separou explicitamente essas stablecoins do bitcoin no argumento.

Na leitura da autoridade, “o token é o ativo em si” quando se fala em bitcoin: o próprio código digital carrega escassez, transferabilidade e verificabilidade. O tratamento muda quando o ativo em análise é uma stablecoin ancorada em referência do mundo real.

Araújo afirmou que “a stablecoin deve ser considerada um ativo do mundo real e, mais precisamente, quando apresentar características compatíveis com meios de pagamento, deve ser compreendida como uma forma de instrumento monetário”.

O consultor também demarcou o alcance da discussão: “O debate não é apenas sobre tecnologia, mas também sobre a forma de definição de valor e sobre a estrutura do mercado financeiro”.

Como o BC separa bitcoin de stablecoin

Aspecto Bitcoin Stablecoin de pagamento
Natureza Token é o ativo em si Ativo do mundo real
Escassez e transferabilidade Garantidas no ambiente digital Dependem do lastro externo
Enquadramento proposto Criptoativo Instrumento monetário

Distinção apresentada pelo BC em audiência na Câmara. Fonte: Valor Econômico

Por que a distinção com o bitcoin importa

A separação entre stablecoin e bitcoin já vinha sendo puxada por operadores do setor no Brasil. Em entrevista ao podcast Let’s Money em fevereiro de 2026, Gustavo Siuves, CRO da Azify, resumiu a divisão em uma frase: “É o novo jeito do dinheiro circular pelo mundo”. Se prevalecer o enquadramento defendido em audiência, muda a régua regulatória aplicada, o custo de compliance e o tipo de instituição habilitada a emitir ou movimentar esses ativos no país.

A série do BC sobre stablecoin em uma semana

A audiência não veio isolada. A série histórica do Let’s Money mostra a autoridade brasileira encurtando o passo sobre o segmento. Na semana passada, o BIS publicou alerta de que stablecoins podem ameaçar a estabilidade financeira global. Um dia antes desta audiência, o próprio BC abriu consulta pública sobre reter stablecoin por 24 horas em remessa ao exterior. Em paralelo, o Reino Unido fechou regras de cripto mirando virar hub global, num movimento que joga luz sobre a corrida regulatória entre jurisdições.

O que observar

O rumo do PL 4308/2024 é o que vai medir se a defesa do BC vira norma. Três frentes valem ser acompanhadas. Primeira, se emissores de stablecoin passam a enfrentar exigências de instituição de pagamento, com regras de reserva, KYC e continuidade operacional. Segunda, como fintechs de câmbio e cross-border vão tratar o passivo em stablecoin: continua ativo financeiro ou entra no perímetro monetário? Terceira, o efeito prático sobre operadores cripto-nativos que hoje movimentam stablecoin sem enquadramento formal. A resposta a essas três define se a virada do BC destrava adesão institucional ou empurra operações para jurisdições mais permissivas.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money Podcast: Stablecoin is not BitcoinLet’s Money: BC abre consulta 24h em remessaLet’s Money: BIS alerta sobre stablecoinsLet’s Money: Reino Unido fecha regras de cripto

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