A Bemobi encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro ajustado de R$ 45,2 mi, 30,1% acima do que registrou um ano antes. Puxou o número a guinada para pagamentos: a receita dessa vertical cresceu 75% e o volume transacionado (TPV) somou R$ 3,9 bi, um salto de 54% em doze meses.
Bemobi no 2º trimestre de 2026 (variação anual)
| Indicador |
2T26 |
| Receita de pagamentos |
+75% |
| TPV |
R$ 3,9 bi (+54%) |
| Receita de software (SaaS) |
+21% |
| Assinaturas pagas |
26,8 mi (+1%) |
| Transações de microfinanças |
50,9 mi (-13%) |
Resultados do 2º trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
Pagamentos viram o motor do resultado
A receita líquida do trimestre foi de R$ 227,3 mi, 29,8% acima na base anual, e o Ebitda ajustado ficou em R$ 79,4 mi, 32,7% maior. Pagamentos e software puxaram o desempenho: as duas frentes somadas já respondem por quase 70% do faturamento, sem que a Bemobi abra os números por vertical. Um dos ganhos do período foi a entrada da operadora de saúde Hapvida na carteira de clientes. A companhia afirma no balanço que a estratégia se sustenta: “A diversificação do TPV é prova inequívoca da assertividade da nossa estratégia e do valor agregado das nossas soluções”.
A guinada para pagamentos vem sendo construída há trimestres. A Bemobi acelerou a virada para pagamentos depois de reforçar a aposta com aquisições, movimento que aparece agora na diversificação de clientes por setores como saúde e telecom. A taxa cobrada por transação, o take rate, recuou de 2,5% para 2,4% na mesma base anual, sinal de que o volume cresce mais rápido do que a margem unitária.
A conta que encolhe: microfinanças e assinaturas
Do outro lado do balanço, as frentes mais antigas perderam tração. As microfinanças recuaram para 50,9 milhões de transações, 13% abaixo de um ano antes, e o número de assinaturas pagas mal se moveu: 26,8 milhões, avanço de apenas 1%. A leitura reforça a troca de eixo, com pagamentos e SaaS puxando a receita enquanto os negócios de assinatura e crédito de baixo tíquete saem do centro de gravidade da empresa.
A trajetória do volume ajuda a dimensionar a velocidade. No primeiro trimestre, quando a companhia lançou Apple Pay na recorrência e reportou lucro de R$ 37 milhões, o TPV estava em R$ 3,5 bilhões, com alta de 49%. Um trimestre depois, o volume subiu para R$ 3,9 bilhões e a expansão anual acelerou para 54%.
O que observar
A troca de motor levanta a pergunta de margem. Take rate em queda enquanto o volume dispara é o padrão clássico de quem prioriza escala em pagamentos, e vale acompanhar se essa taxa se estabiliza ou continua comprimindo à medida que grandes clientes entram na base. Empresas de tecnologia que migram de assinatura recorrente para transacional trocam receita previsível por volume de maior giro e menor margem unitária, e o teste é se o ganho de escala compensa a diluição da taxa.
Também pesa a diversificação de setores. Ao levar a solução de pagamento para verticais como saúde, telecom e utilities, o modelo depende menos de um único segmento, mas passa a competir em cada um deles com provedores especializados e adquirentes. A pergunta que fica é se a base antiga de assinaturas e microfinanças estabiliza como piso de receita ou se continua encolhendo enquanto a nova frente ganha corpo.
Fontes: Valor Econômico • Bloomberg Línea