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BIS alerta que stablecoins ameaçam estabilidade global

O BIS diz que as stablecoins atuais não resgatam ao par, são frágeis contra crime e dependem do dólar, e defende um ledger único como o que orienta o Drex.

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O Banco de Compensações Internacionais (BIS) afirmou que as stablecoins, na forma como existem hoje, carregam falhas estruturais capazes de ameaçar a estabilidade macroeconômica e financeira caso a tecnologia seja adotada em larga escala. A saída, segundo a instituição, passa por um “ledger único” que integre diferentes formas de dinheiro tokenizado, o mesmo princípio que orienta o Drex no Brasil.

As três falhas das stablecoins atuais, segundo o BIS

Dimensão Falha apontada
Resgate ao par Não conseguem ser trocadas exatamente ao par por moeda de banco central
Proteção e interoperabilidade Falta defesa contra crime financeiro, resgatabilidade e troca entre ledgers
Dependência do dólar Majoritariamente em dólar, o que pode desafiar a soberania monetária

Conclusões do Relatório Econômico Anual 2026 do BIS, com publicação marcada para 28/jun/2026. Fonte: PYMNTS

O que o BIS propõe no lugar

O alerta veio em comunicado de 23 de junho de 2026, que antecipa o Relatório Econômico Anual 2026, com publicação marcada para 28 de junho. Para o BIS, as stablecoins atuais não conseguem ser resgatadas exatamente ao par por moeda de banco central, têm características de design sem proteção contra crime financeiro e falham na resgatabilidade e na interoperabilidade entre diferentes ledgers, além de serem majoritariamente denominadas em dólar, o que pode desafiar a soberania monetária de algumas economias.

A proposta combina medidas regulatórias para stablecoins de pagamento e para as usadas como investimento com um ledger único que reúna formas de dinheiro tokenizado em um mesmo ambiente. O exemplo citado é o Projeto Agorá, parceria público-privada que junta oito bancos centrais e mais de 40 instituições reguladas em uma plataforma compartilhada, capaz de liquidar pagamentos transfronteiriços de atacado em múltiplas moedas de forma atômica e 24 horas por dia. “Ao integrar inovações digitais como a tokenização à arquitetura financeira existente, as autoridades podem moldar o futuro do dinheiro, da economia e do sistema financeiro no interesse público, preservando a confiança”, disse Pablo Hernández de Cos, gerente-geral do BIS, em tradução livre.

Por que o debate chega ao Brasil

O caminho desenhado pelo BIS conversa diretamente com a aposta brasileira. O Drex nasceu como infraestrutura de tokenização para integrar moeda de banco central e depósitos bancários no mesmo trilho, ideia próxima do ledger único defendido pela instituição. Depois de o TCU apontar falhas no blockchain do Drex, o Banco Central remodelou o projeto e hoje projeta integrar Pix, Drex e Open Finance até 2029.

A peça que o BIS coloca no centro, o depósito bancário tokenizado, já aparece em movimentos como o do HSBC, que levou depósitos tokenizados aos Estados Unidos. A dependência do dólar citada no relatório também ajuda a explicar a corrida por stablecoins lastreadas em outras moedas: megabancos japoneses correm para lançar uma stablecoin de iene. O Brasil chega a esse debate com infraestrutura madura: a combinação de Pix e Open Finance posiciona o país entre os mercados mais avançados na convergência entre pagamentos e dinheiro tokenizado. O pano de fundo é o mesmo das discussões sobre o futuro das moedas digitais: como ganhar a eficiência da tokenização sem abrir mão da confiança no dinheiro.

O que observar

A versão completa do relatório, prevista para 28 de junho, deve detalhar como separar stablecoins de pagamento das usadas como investimento, distinção que define o peso regulatório sobre cada modelo. Vale acompanhar se emissores de stablecoin conseguirão entregar resgate ao par e interoperabilidade entre ledgers sem o respaldo de uma autoridade monetária, ou se o mercado vai migrar para arranjos com moeda de banco central tokenizada no núcleo.

Para bancos centrais e operadores de infraestrutura de liquidação, a pergunta é de execução: um ledger único exige padronização técnica e jurídica entre jurisdições, e o teste prático será se plataformas multi-moeda conseguem liquidar em tempo real sem fragmentar as regras de compliance. Se o modelo de dinheiro tokenizado em camadas avançar, prestadoras de serviços de ativos virtuais que hoje operam sobre redes públicas podem precisar redesenhar custódia e liquidação.

Fontes: PYMNTSBISLet’s Money

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