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M&ARodadas e M&A · Bradesco

Bradesco compra fatia do BV na Tivio, gestora de R$ 32 bi

Bradesco exerce opção de compra sobre a fatia do Banco BV na Tivio Capital e assume 100% da gestora de alternativos com R$ 32 bilhões sob gestão.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Eduardo Frazão/Exame

O Bradesco exerceu a opção de compra da participação do Banco BV na Tivio Capital e passa a deter 100% da gestora de recursos dedicada a alternativos, que administra R$ 32 bilhões em ativos. A operação fecha um ciclo iniciado em agosto de 2022 e efetiva Rodrigo Freire como CEO.

Como a BV DTVM virou Tivio 100% Bradesco

Fase Movimento
Agosto/2022 Bradesco compra 51% da BV DTVM (R$ 41,7 bi em gestão e R$ 22 bi em private banking)
Abril/2024 Custódia dos clientes da DTVM é transferida para a Ágora
2024 (poucos meses depois) Private banking é incorporado pelo Bradesco
Meio de 2025 Atividade fiduciária é desconectada
2026 Bradesco exerce opção e passa a deter 100% da Tivio (R$ 32 bi sob gestão)

Cronograma da reorganização da BV DTVM em Tivio Capital. Fonte: Valor Econômico

A engenharia do desplugue

Quando a operação foi anunciada, em agosto de 2022, o Bradesco comprou 51% da BV DTVM, sociedade que reunia gestão de recursos de terceiros (então com R$ 41,7 bilhões), administração de fundos e custódia de clientes do private banking (R$ 22 bilhões). O contrato já previa a aquisição do restante neste ano, e o conjunto foi sendo fatiado de forma organizada: custódia para a Ágora em abril de 2024, private banking incorporado pelo Bradesco poucos meses depois, atividade fiduciária desplugada em meados de 2025. Agora, o controle societário se completa.

“Era um desenho previsto lá atrás, com essa característica, para que fosse uma transação mais orgânica”, disse Rodrigo Freire, CEO da Tivio, em entrevista ao Valor. “Houve uma transformação grande em desplugar uma asset dentro de banco [BV], tornar um negócio independente, com cultura própria. O que se entendeu é que esse período de três anos traria valor para todo mundo. Agora é um capítulo novo.” Freire assume efetivamente o cargo após atuar de forma interina no lugar de Christian Egan, que foi para o comando do banco de investimento do Santander no fim de 2025.

Onde a Tivio se encaixa agora

A nova fase parte de R$ 32 bilhões sob gestão, distribuídos em crédito (do “high grade”, mais líquido, ao estruturado), imobiliário (com fundos de “tijolo” e de papel), serviços de investimento para mandatos exclusivos vindos do antigo private banking e soluções de liquidez para fundos de pensão. Segundo Freire, os alternativos já respondem por 22% do setor de fundos brasileiro, num mercado historicamente dominado pela renda fixa tradicional. O contexto reforça o movimento: os FIDCs saltaram 38% e puxaram o mercado de dívida no primeiro trimestre.

“Percebemos a importância de oferecer aos nossos clientes exposição a produtos cada vez mais sofisticados, que ampliem a diversificação para além do risco tradicional de mercado. Ao consolidar a Tivio, reforçamos uma frente estratégica para oferecer acesso qualificado a alternativos, com governança e especialização, acompanhando uma tendência global”, afirmou Guilherme Leal, vice-presidente do Bradesco e chairman da Tivio Capital, em nota. Do lado do vendedor, o BV vinha ajustando a rota estratégica: recentemente a instituição reforçou a aposta em diversificação para elevar rentabilidade, com foco em banking, mercado de capitais e veículos leves.

O que observar

Com a fechadura do ciclo societário, a variável-chave deixa de ser a estrutura acionária e passa a ser a promessa de autonomia decisória. Gestoras independentes dentro de grupos bancários grandes convivem com a tensão entre captar via rede do controlador e manter liberdade para estruturar produtos fora do perímetro do banco. Vale acompanhar como essa fronteira será arbitrada nos próximos balanços, sobretudo quando o pipeline de originação da gestora incluir ativos que competem com os da área de mercado de capitais do próprio grupo.

A outra frente digna de atenção é a competição por produtos alternativos dentro dos grandes bancos, que tendem a consolidar a oferta via gestoras controladas. Se a tese se consolidar, a distinção entre “plataforma aberta” e “fábrica cativa” de produtos pode ficar mais tênue no private banking brasileiro, pressionando assets independentes a disputar mandatos pela performance e pelo acesso a originação.

Fontes: Valor Econômico

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