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Bradesco lucra R$ 6,8 bi no 1T26 e bate analistas

Bradesco supera projeções com lucro recorrente de R$ 6,811 bi no 1T26. ROAE atinge 15,8% e seguros avança 20,4%. Inadimplência sobe a 4,2%.

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O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 6,811 bilhões, alta de 16,1% em 12 meses e acima das projeções dos analistas consultados pelo Valor, que apontavam R$ 6,701 bilhões. O resultado foi impulsionado pela expansão do crédito e pelo desempenho de seguros, mesmo com inadimplência em leve alta e cenário macroeconômico mais desafiador.

Bradesco 1T26: principais indicadores

Indicador 1T26 Var. a/a
Lucro recorrente R$ 6,811 bi +16,1%
ROAE 15,8% +1,4 pp
Margem financeira R$ 20,051 bi +16,4%
Carteira de crédito R$ 1,090 tri +8,4%
PDD R$ 9,667 bi +26,5%
Resultado de seguros R$ 6,384 bi +20,4%

Balanço 1T26 do Bradesco. Fonte: Valor Econômico

Crédito e seguros sustentam a recuperação

O banco encerrou março com R$ 1,090 trilhão na carteira de crédito expandida, alta de 8,4% em 12 meses. A recuperação já havia ficado clara no 4T25, quando o banco também superou as projeções com lucro de R$ 6,5 bilhões. Agora, o ROAE chegou a 15,8%, ante 14,4% no 1T25 e 15,2% no 4T25.

A margem financeira totalizou R$ 20,051 bilhões no trimestre, alta de 16,4% em 12 meses. A área de seguros entregou R$ 6,384 bilhões, avanço de 20,4% no período, com a parte industrial respondendo por dois terços do resultado. Em março, análises de mercado avaliaram que a Bradesco Seguros pode valer até R$ 130 bilhões, sinalizando o peso crescente da subsidiária no resultado consolidado.

“O ano começou em ritmo acelerado para o Bradesco, e o bom desempenho das nossas receitas é prova disso. Avançamos com cautela. O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos”, disse Marcelo Noronha, CEO do banco.

O principal ponto de atenção foi o custo de crédito. As despesas com provisões (PDD) somaram R$ 9,667 bilhões, alta de 26,5% em 12 meses. A inadimplência subiu para 4,2%, ante 4,1% em dezembro. O banco atribuiu o movimento a casos pontuais no atacado e deterioração mais generalizada no massificado, incluindo operações com programas emergenciais e crédito rural de safras mais antigas.

O que observar

O custo de crédito cresceu em ritmo quase três vezes superior ao da margem financeira no período. O banco sinalizou apetite moderado de risco com viés conservador, mas a inadimplência das micro, pequenas e médias empresas subiu de 3,8% para 4,0% no trimestre e a deterioração do crédito rural indica que parte da carteira ainda carrega risco relevante. A questão operacional é se o aumento de provisões reflete o pico do ciclo ou o início de uma normalização mais lenta do que o esperado.

O resultado de seguros, com alta de 20,4%, funciona hoje como amortecedor do balanço. Com a pressão sobre o lucro bancário prevista para 2026, vale acompanhar se os índices de sinistralidade se mantêm sob controle num ambiente macro mais adverso: se deteriorarem, essa proteção encolhe justamente quando mais necessária.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyBloomberg LíneaLet’s Money

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