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Bradesco lança +Proteção: Wi-Fi cadastrado eleva limite do Pix

Bradesco lança função +Proteção: Wi-Fi confiável libera Pix com limite cheio; rede desconhecida exige biometria facial acima do teto personalizado.

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Atualizado em

Foto: Eduardo Frazão/Exame

O Bradesco lançou a função +Proteção, que amarra o limite de transações Pix ao tipo de rede Wi-Fi usada pelo cliente. Quem cadastra redes confiáveis no app passa a operar com tetos mais altos. Em qualquer outra rede, o valor disponível cai para o patamar personalizado pelo usuário, e qualquer tentativa acima dele passa a exigir biometria facial para liberar a operação, segundo anúncio reportado pelo TI Inside.

A ideia é transformar o contexto de rede em uma trava adicional contra fraudes envolvendo perda, furto ou roubo do celular, cenário em que o atacante, mesmo com o aparelho desbloqueado, dificilmente estará conectado ao Wi-Fi de casa ou do trabalho da vítima. A função pode ser ativada diretamente no aplicativo e vale para clientes pessoa física.

Como a +Proteção ajusta o Pix por tipo de rede

Cenário Limite Pix Verificação
Wi-Fi cadastrado como confiável Padrão do cliente Fluxo normal
Rede desconhecida Reduzido (definido pelo usuário) Fluxo normal até o teto
Rede desconhecida, acima do teto Só libera com autenticação Biometria facial obrigatória

Fonte: Bradesco, via TI Inside.

A convergência dos grandes bancos em sinais contextuais

A +Proteção se encaixa numa estratégia que vem empilhando camadas ao redor do Pix. Em 2025, o banco passou a aplicar biometria facial em transações consideradas atípicas por algoritmos de inteligência artificial, e vem combinando esse filtro com biometria comportamental e confirmações via WhatsApp pela BIA, a assistente de IA do banco, em transferências suspeitas. O tipo de rede usada no momento da transação passa a ser mais um sinal nesse conjunto.

O movimento é praticamente idêntico ao que o Itaú colocou no ar em fevereiro, com o Modo Protegido. Lá, o cliente também cadastra redes Wi-Fi confiáveis, define limites financeiros personalizados e precisa destravar com reconhecimento facial as transações acima do teto quando está fora das redes confiáveis. Em resumo: dois grandes bancos privados chegaram ao mesmo desenho em um intervalo de dois meses, o que sinaliza consolidação desse padrão como resposta do setor a um tipo específico de fraude, a chamada “saidinha bancária digital”, quando o atacante rouba o celular já logado.

Em entrevista ao podcast Let’s Money, Cristiane Wagner, superintendente de compliance do Bradesco, já apontava que o crescimento dos golpes, de 400% desde 2018 segundo ela, tem correlação direta com a bancarização acelerada do período pandêmico. “Uma pessoa cai em um golpe a cada quatro minutos”, afirmou. Na época, o argumento era que nenhuma ferramenta isolada resolveria o problema e que a saída passaria por uma combinação de tecnologia, regulação e educação financeira contra golpes alimentados por IA. A +Proteção é exatamente isso: mais uma camada num sistema que não depende de uma única defesa.

O elo com o MED 2.0 do Banco Central

No mesmo anúncio, o Bradesco informou que o app também está preparado para o MED 2.0, a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, obrigatória em todas as plataformas que oferecem Pix desde fevereiro de 2026. A promessa central do MED 2.0 é rastrear o dinheiro fraudado ao longo de múltiplas contas, e não apenas bloquear a primeira conta receptora como fazia o modelo anterior, conforme detalhado no guia de implementação do BC.

Na prática, isso significa que, quando o BC acionar o novo fluxo, os bancos passam a participar de cadeias de bloqueio e devolução parcial que se estendem por várias instituições. É uma mudança operacional relevante para qualquer instituição que receba ou envie volume alto de Pix, e que exige integração técnica mais complexa que a versão anterior do MED.

O que observar

Os grandes bancos estão convergindo para uma lógica em que o ambiente do cliente (rede, aparelho, horário, comportamento) entra como parte da equação de autenticação, em vez de depender só de senha ou biometria pontual. Vale acompanhar o quanto essa abordagem reduz, de fato, a fração de fraudes ligadas a furto e roubo de celular, que hoje respondem por parcela relevante das contestações de Pix. Se a convergência continuar, tende a pressionar bancos médios e fintechs a adotar sinais contextuais equivalentes, e o custo de engenharia para isso não é trivial para quem ainda depende de stacks legados de mobile banking.

O segundo ponto de atenção é a interação com o MED 2.0. O mecanismo de devolução redesenha o jogo: se o rastreamento em múltiplas contas for efetivo, o incentivo dos fraudadores para usar contas-laranja em cascata cai bastante, e instituições com controles mais fracos nessa ponta devem sentir mais pressão regulatória. A pergunta que fica é quanto tempo levará para o sistema de bloqueio em cadeia operar em escala real, com todos os grandes, médios e fintechs conectados no mesmo padrão.

Fontes

TI InsideMobileTimeInfoMoneyMatera: Guia MEDLet’s Money Podcast: Golpes financeiros crescem 400%, com Cristiane Wagner (Bradesco)

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