O Bradesco lançou a função +Proteção, que amarra o limite de transações Pix ao tipo de rede Wi-Fi usada pelo cliente. Quem cadastra redes confiáveis no app passa a operar com tetos mais altos. Em qualquer outra rede, o valor disponível cai para o patamar personalizado pelo usuário, e qualquer tentativa acima dele passa a exigir biometria facial para liberar a operação, segundo anúncio reportado pelo TI Inside.
A ideia é transformar o contexto de rede em uma trava adicional contra fraudes envolvendo perda, furto ou roubo do celular, cenário em que o atacante, mesmo com o aparelho desbloqueado, dificilmente estará conectado ao Wi-Fi de casa ou do trabalho da vítima. A função pode ser ativada diretamente no aplicativo e vale para clientes pessoa física.
Como a +Proteção ajusta o Pix por tipo de rede
| Cenário | Limite Pix | Verificação |
|---|---|---|
| Wi-Fi cadastrado como confiável | Padrão do cliente | Fluxo normal |
| Rede desconhecida | Reduzido (definido pelo usuário) | Fluxo normal até o teto |
| Rede desconhecida, acima do teto | Só libera com autenticação | Biometria facial obrigatória |
Fonte: Bradesco, via TI Inside.
A convergência dos grandes bancos em sinais contextuais
A +Proteção se encaixa numa estratégia que vem empilhando camadas ao redor do Pix. Em 2025, o banco passou a aplicar biometria facial em transações consideradas atípicas por algoritmos de inteligência artificial, e vem combinando esse filtro com biometria comportamental e confirmações via WhatsApp pela BIA, a assistente de IA do banco, em transferências suspeitas. O tipo de rede usada no momento da transação passa a ser mais um sinal nesse conjunto.
O movimento é praticamente idêntico ao que o Itaú colocou no ar em fevereiro, com o Modo Protegido. Lá, o cliente também cadastra redes Wi-Fi confiáveis, define limites financeiros personalizados e precisa destravar com reconhecimento facial as transações acima do teto quando está fora das redes confiáveis. Em resumo: dois grandes bancos privados chegaram ao mesmo desenho em um intervalo de dois meses, o que sinaliza consolidação desse padrão como resposta do setor a um tipo específico de fraude, a chamada “saidinha bancária digital”, quando o atacante rouba o celular já logado.
Em entrevista ao podcast Let’s Money, Cristiane Wagner, superintendente de compliance do Bradesco, já apontava que o crescimento dos golpes, de 400% desde 2018 segundo ela, tem correlação direta com a bancarização acelerada do período pandêmico. “Uma pessoa cai em um golpe a cada quatro minutos”, afirmou. Na época, o argumento era que nenhuma ferramenta isolada resolveria o problema e que a saída passaria por uma combinação de tecnologia, regulação e educação financeira contra golpes alimentados por IA. A +Proteção é exatamente isso: mais uma camada num sistema que não depende de uma única defesa.








