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Prediction MarketsInternacional · CVM

Brasil barra Kalshi; acesso via XP segue com aval da CVM

CMN bloqueou Kalshi e Polymarket no Brasil por apostas ilegais, mas exceção da CVM para derivativos econômicos mantém parceria Kalshi-XP ativa.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Conselho Monetário Nacional bloqueou 27 plataformas de prediction markets no Brasil em 24 de abril, incluindo Kalshi e Polymarket. A exceção: contratos atrelados a indicadores econômicos seguem permitidos pela CVM, mantendo ativa a parceria entre Kalshi e XP firmada em março.

Prediction markets no Brasil: o que fica e o que sai

Tipo de contrato Status
Eventos políticos e eleitorais Bloqueado
Esportes e entretenimento Bloqueado
Indicadores econômicos (Selic, IPCA) Permitido (CVM)
Câmbio e índices financeiros Permitido (CVM)

Resolução CMN de 24 de abril de 2026. Fonte: Bloomberg Línea

A parceria com a XP sobrevive ao bloqueio

Em março de 2026, XP e Kalshi firmaram a primeira parceria internacional da plataforma americana, oferecendo contratos do tipo “sim ou não” em indicadores econômicos brasileiros a clientes da Clear com conta internacional. A resolução do CMN não extingue esse arranjo: as operações são processadas pela corretora da Kalshi nos EUA via interface da XP, e não pelo site bloqueado pela Anatel.

Lucas Rabechini, diretor de Produtos Financeiros da XP, descreveu os prediction markets como uma nova categoria de ativos para análise de cenários e proteção de portfólio ao anunciar a parceria. A XP não comentou o impacto do bloqueio. A Kalshi também não respondeu, mas informou que está analisando a decisão do governo brasileiro.

O escopo da exceção ainda não foi definido com precisão. A resolução veda derivativos vinculados a eventos de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento, mas abre espaço para contratos financeiros a critério da CVM. A B3 havia planejado lançar seus próprios prediction markets em 27 de abril com contratos atrelados ao Ibovespa e ao real, mas descartou os contratos eleitorais após a nova regra.

Kalshi, a fronteira regulatória global e a cofundadora brasileira

A proibição não é isolada: França, Hungria e Portugal também restringiram o Polymarket por ausência de licença de apostas. O argumento é recorrente entre reguladores: quando os ativos-alvo são eventos não financeiros, as plataformas são enquadradas como loterias ilegais, independentemente de os fundadores argumentarem que oferecem instrumentos de análise de mercado.

Luana Lopes Lara, 29, cofundadora da Kalshi e brasileira, havia declarado em entrevista ao Valor no fim de 2025 que “O Brasil é muito importante para mim, visto que sou brasileira.” A empresária, com patrimônio estimado em US$ 2,1 bilhões pelo Índice de Bilionários da Bloomberg, treinou como bailarina clássica no Brasil antes de cursar o MIT. “Vamos tentar encontrar uma forma de levar nosso produto ao Brasil”, disse ela na mesma entrevista, antes do bloqueio.

O que observar

A questão central é regulatória: como a CVM estabelecerá, na prática, o limite entre derivativo financeiro permitido e aposta sobre evento proibida. O texto da resolução deixa margem de interpretação, e plataformas que operam via corretoras offshore vão pressionar por orientação formal. Vale acompanhar se a CVM publicará normativa complementar ou se o mercado operará sob incerteza até decisão em caso concreto.

Há também uma variável de calendário: o Brasil realiza eleições gerais em outubro de 2026. A vedação a contratos eleitorais foi explícita na resolução, mas o ambiente político pode tanto endurecer a postura regulatória quanto acelerar a demanda por regras permanentes. Plataformas com modelos exclusivamente financeiros podem sair com posição mais sólida se conseguirem validar seus produtos como derivativos junto à CVM antes do ciclo eleitoral.

Fontes: Valor EconômicoBloomberg LíneaFinsiders BrasilLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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