O Banco de Brasília (BRB) aplicou um deságio médio de quase 15% nos ativos herdados do Banco Master após a troca de carteiras com indícios de fraude. Segundo documentos obtidos pelo Valor Econômico, o banco do Distrito Federal recebeu ativos contabilizados por R$ 12,7 bilhões no balanço do grupo de Daniel Vorcaro, mas os registrou por R$ 10,8 bilhões.
Deságio e prêmio nos ativos herdados do Master
| Ativo | Balanço Master | Valor BRB | Ajuste |
|---|---|---|---|
| Empréstimo Oncoclínicas | R$ 659 mi | R$ 317 mi | -52% |
| Rotativo Will Bank | n/d | R$ 1,1 bi | -40% |
| Consignado Credcesta | R$ 1,8 bi | R$ 2,7 bi | +45% |
| Consignado (outra) | R$ 193 mi | R$ 249 mi | +29% |
Fonte: Valor Econômico
Ativos do Master que o BRB herdou
A compra original de R$ 12,2 bilhões em carteiras com indícios de fraude foi feita na gestão de Paulo Henrique Costa, afastado do cargo na Operação Compliance Zero em novembro de 2025 e depois demitido pelo governo do DF. Quando o Banco Central determinou a reversão da aquisição de carteiras que o Master havia adquirido da Tirreno, o BRB precisou fazer a troca de ativos às pressas, aceitando operações que não eram ideais.
Entre os ativos mais arriscados estão fundos com ações de Oncoclínicas, Ambipar e Biomm, empresas que receberam investimentos do Master, algumas em parceria com Nelson Tanure, e que enfrentam dificuldades. O FIDC da fintech Jeitto explodiu em inadimplência e está em renegociação. Há ainda CRIs de obras que nunca saíram do papel. O BRB não aplicou desconto nos fundos de ações, mas tinha opções de venda com retorno garantido a CDI + 5%, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Em episódio do podcast Let’s Money gravado no dia da ação da PF contra o Master em 2025, analistas já apontavam que o modelo de captação via CDBs de alto rendimento financiando ativos ilíquidos criava um descasamento estrutural; o deságio agora aplicado pelo BRB confirma que parte desses ativos valia menos do que constava no balanço.
A operação deixou o banco vulnerável. O BRB convocou assembleia geral extraordinária para 22 de abril com o objetivo de deliberar sobre uma capitalização estimada em R$ 8,8 bilhões. O plano envolve três frentes: o governo do DF pediu empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC, negocia com o governo federal para que bancos estatais comprem carteiras do BRB e planeja destinar imóveis para um fundo imobiliário que capitalizaria o banco.








