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BRB aplica deságio de 15% em R$ 12,7 bi herdados do Master

BRB registrou ativos do Master com desconto médio de 15%, reduzindo R$ 12,7 bi para R$ 10,8 bi. Banco precisa de R$ 8,8 bi em capitalização e assembleia está marcada para 22 de abril.

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Atualizado em

Foto: Agência Brasília

O Banco de Brasília (BRB) aplicou um deságio médio de quase 15% nos ativos herdados do Banco Master após a troca de carteiras com indícios de fraude. Segundo documentos obtidos pelo Valor Econômico, o banco do Distrito Federal recebeu ativos contabilizados por R$ 12,7 bilhões no balanço do grupo de Daniel Vorcaro, mas os registrou por R$ 10,8 bilhões.

Deságio e prêmio nos ativos herdados do Master

Ativo Balanço Master Valor BRB Ajuste
Empréstimo Oncoclínicas R$ 659 mi R$ 317 mi -52%
Rotativo Will Bank n/d R$ 1,1 bi -40%
Consignado Credcesta R$ 1,8 bi R$ 2,7 bi +45%
Consignado (outra) R$ 193 mi R$ 249 mi +29%

Fonte: Valor Econômico

Ativos do Master que o BRB herdou

A compra original de R$ 12,2 bilhões em carteiras com indícios de fraude foi feita na gestão de Paulo Henrique Costa, afastado do cargo na Operação Compliance Zero em novembro de 2025 e depois demitido pelo governo do DF. Quando o Banco Central determinou a reversão da aquisição de carteiras que o Master havia adquirido da Tirreno, o BRB precisou fazer a troca de ativos às pressas, aceitando operações que não eram ideais.

Entre os ativos mais arriscados estão fundos com ações de Oncoclínicas, Ambipar e Biomm, empresas que receberam investimentos do Master, algumas em parceria com Nelson Tanure, e que enfrentam dificuldades. O FIDC da fintech Jeitto explodiu em inadimplência e está em renegociação. Há ainda CRIs de obras que nunca saíram do papel. O BRB não aplicou desconto nos fundos de ações, mas tinha opções de venda com retorno garantido a CDI + 5%, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Em episódio do podcast Let’s Money gravado no dia da ação da PF contra o Master em 2025, analistas já apontavam que o modelo de captação via CDBs de alto rendimento financiando ativos ilíquidos criava um descasamento estrutural; o deságio agora aplicado pelo BRB confirma que parte desses ativos valia menos do que constava no balanço.

A operação deixou o banco vulnerável. O BRB convocou assembleia geral extraordinária para 22 de abril com o objetivo de deliberar sobre uma capitalização estimada em R$ 8,8 bilhões. O plano envolve três frentes: o governo do DF pediu empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC, negocia com o governo federal para que bancos estatais comprem carteiras do BRB e planeja destinar imóveis para um fundo imobiliário que capitalizaria o banco.

Crise de liquidez e capitalização do BRB

Além da crise patrimonial, o BRB enfrenta problema de liquidez. O banco tenta acessar quase R$ 300 milhões nas linhas financeiras de liquidez (LFL), mecanismo emergencial do BC que exige garantias. O CEO atual, Nelson de Souza, chegou a tentar vender ativos herdados, mas freou o processo ao não conseguir o preço desejado. “Tem coisas boas ali, ótimas. Tem um terreno, ao lado do Jockey Club, em São Paulo. Está marcado a zero o fundo, mas vale R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões”, disse em entrevista ao Valor.

Paulo Henrique Costa protocolou petição no STF pedindo novo depoimento. Fontes próximas à defesa argumentam que as regras de compliance foram cumpridas na compra e que a troca às pressas forçou a aceitação de ativos inadequados. “Muitos desses ativos estavam há anos no balanço do Master, e o BC nunca viu nenhum problema”, afirma um interlocutor. Uma auditoria forense conduzida por Machado Meyer e Kroll identificou 30 dirigentes envolvidos direta ou indiretamente nas operações com o Master, o que, segundo a defesa, indicaria falha de processo, não crime individual.

O que observar

A assembleia de 22 de abril será o primeiro teste concreto do plano de resgate. Se o FGC condicionar o empréstimo a um pool de bancos, a capacidade do governo do DF de articular apoio federal determinará a velocidade da capitalização. O prazo do BC para conclusão do aporte termina em 5 de agosto, o que deixa uma janela operacional curta para montar a estrutura de funding. A questão de fundo é se bancos estaduais menores, expostos a decisões concentradas de gestão, dispõem de governança suficiente para filtrar operações dessa complexidade, especialmente quando o ativo do outro lado é um banco médio com histórico de descasamento entre ativos ilíquidos e passivos de curto prazo.

Fontes: Valor EconômicoMetrópolesLet’s MoneyLet’s Money Podcast

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