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Caso MasterRegulação · Banco Master

Processo do BRB expõe 5 fundos ‘laranjas’ do Master

Processo do BRB contra o ex-CEO expõe 5 fundos ‘laranjas’ em aumento de capital, mensagens de WhatsApp e 23,5% ligado ao ecossistema Master.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

A prisão do ex-CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, foi reportada ontem. O processo aberto pelo próprio banco contra ele, revelado pelo Valor, expõe agora detalhes do esquema: cinco fundos coordenados como “laranjas” no aumento de capital de 2024, mensagens de WhatsApp do ex-presidente e 23,5% do capital do BRB ligado ao ecossistema do Banco Master ao fim de 2025.

Os 5 fundos do plano original

Fundo Status no aumento de capital
Segóvia Não entrou
Almeria Não entrou
Delta (ligado a Vorcaro) Entrou em um segundo momento
Borneo (beneficiários seriam os três filhos de Mansur) Entrou
Cabreúva (de Quadrado) Entrou

Plano original do aumento de capital de R$ 750 milhões em julho de 2024. Fonte: Valor Econômico

Os 5 fundos ‘laranjas’ do BRB no esquema Master

Segundo a acusação que a atual gestão do BRB apresentou contra Costa, os aumentos de capital realizados em 2024 e 2025 tiveram como objetivo dar fôlego ao banco para continuar comprando carteiras do Master. Em mensagens de WhatsApp obtidas pelo Valor, Costa informou a subordinados que cinco fundos entrariam com R$ 150 milhões cada no aumento de R$ 750 milhões de julho de 2024: Segóvia, Almeria, Delta, Borneo e Cabreúva. Apenas Borneo e Cabreúva entraram efetivamente, enquanto Delta entrou em um segundo momento.

“Não restam dúvidas de que os aumentos de capital realizados pelo BRB tiveram o claro intuito de fomentar a compra de mais ativos ‘podres’ do Banco Master […] inúmeros fundos e pessoas ligadas ao ecossistema Master/Reag foram utilizados como ‘laranjas’ com o intuito de evitar que as autoridades competentes identificassem a concentração do controle acionário”, diz o BRB no processo, segundo o Valor Econômico. A acusação afirma que, ao fim de 2025, cerca de 23,5% do capital social do BRB estava sob titularidade de acionistas com vínculos ao ecossistema Master. O banco já havia conseguido bloqueio de R$ 376 milhões em ações dos investigados em fase anterior.

Novos nomes e o advogado de Vorcaro

A 4ª fase da operação traz novos personagens ao caso. Valério Marega Junior, da WNT Gestora, e Cesar Reginato Ligeiro, da Base Securitizadora, aparecem na acusação como figuras que teriam estudado participar do aumento via os fundos Segóvia e Almeria. Os dois negam a participação: Ligeiro afirmou que não faz parte do quadro societário da Base desde 2022 e nega ter participado da operação. A Base Securitizadora afirmou que nem ela nem seus fundos participaram do aumento. Marega declarou que nunca foi cotista dos fundos Segóvia, Almeria e Asterope, e que a WNT nunca exerceu a gestão desses veículos.

O aporte do Delta teve origem em recursos alocados por outro fundo, o Astralo 95. O advogado Daniel Lopes Monteiro, que trabalhava para Vorcaro, viabilizou a compra original das ações do BRB com um empréstimo de R$ 55,2 milhões obtido junto à Cartos SCD, segundo a Agência Brasil. A operação desta quinta prendeu 13 pessoas no total, o mesmo dia em que o BRB já havia proposto aumento de capital de R$ 8,86 bilhões para recompor a estrutura patrimonial.

O que observar

Quando o aumento de capital de um banco público regional vira mecanismo para absorver carteiras de crédito problemáticas de um conglomerado privado, a fronteira entre recapitalização e transferência de risco fica borrada. Ações são pulverizadas em veículos novos para escapar dos gatilhos de concentração do controle acionário, o que atrasa a detecção pelos reguladores. A pergunta que fica é se as auditorias internas e os modelos de governança vinham vendo a cascata de fundos como investidores diferentes ou já sinalizavam vínculos que exigiam esclarecimento.

Vale acompanhar como o BC e a CVM vão calibrar exigências de transparência em aumentos de capital futuros. O caso expõe um vão entre o formalismo regulatório, que se apoia em comprovação de titularidade, e a análise substantiva de conflito de interesses em cascatas societárias. Se as novas fases da operação avançarem sobre outras operações de aumento em bancos médios, a régua prática de due diligence vai apertar, e emissores que dependem de capital novo para expansão vão encontrar janelas mais estreitas para fechar rodadas.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilLet’s Money: PF prende ex-presidente do BRB no caso MasterLet’s Money: BRB bloqueia R$ 376 milhões em ações de investigadosLet’s Money: BRB propõe aumento de capital de R$ 8,86 bi

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