A Polícia Federal (PF) mira um grupo empresarial acusado de esconder, por meio de companhias montadas fora do país, o dinheiro gerado por apostas esportivas e jogos de azar. Batizada de Operação Arena, a ação prevê o bloqueio de até R$ 1,1 bilhão e foca em como instituições de pagamento, câmbio e ativos digitais teriam servido de trilho para a lavagem desses recursos.
Operação Arena em números
| Item |
Dado |
| Mandados de busca e apreensão |
17 (4ª Vara Federal da Paraíba) |
| Valores sob sequestro |
até R$ 1,1 bilhão |
| Estados |
SP, PB, SE, RJ e PR |
| Órgãos envolvidos |
PF, MPF, Receita Federal e Secretaria de Prêmios e Apostas |
| Crimes apurados |
evasão de divisas, lavagem e crimes contra o SFN |
Dados da Operação Arena. Fonte: Valor Econômico
Os trilhos financeiros sob investigação
A Receita Federal, que entrou na apuração em 2025, sustenta que companhias abertas fora do Brasil serviam para dar aparência de legalidade a remessas volumosas ao exterior, sem que houvesse operação real por trás capaz de justificar esses valores. Parte da estrutura aparentava operar de fora, mas a gestão ocorria dentro do Brasil, aponta a apuração.
“De acordo com os indícios apurados, o grupo teria empregado mecanismos sofisticados envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras, com o propósito de dificultar a identificação da origem e da destinação dos recursos”, destacou a Receita. O debate sobre a supervisão de fintechs e instituições de pagamento em casos de bets e lavagem já vinha ganhando corpo antes da operação.
Um setor recém-regulamentado sob escrutínio
A Receita ressalvou o timing regulatório do setor. “Embora a exploração de apostas de quota fixa tenha passado por recente processo de regulamentação no Brasil, os elementos reunidos indicam que atividades relacionadas ao setor já vinham sendo exercidas anteriormente, com indícios de utilização de mecanismos destinados a ocultar operações, receitas e beneficiários finais”, frisou o órgão. O mercado regulado de apostas movimenta cifras que já rivalizam com setores tradicionais, com bets somando R$ 37 bilhões em receita.
Entre os alvos está o escritório do advogado Nelson Wilians, segundo a PF. Procurado, o escritório não respondeu até a publicação. Wilians já havia sido alvo de operação em julho, por suposta sonegação fiscal em São Paulo, e, em 2025, da Operação Sem Desconto, conforme o Valor. No plano de prevenção, entidades do sistema financeiro e o Coaf firmaram no ano passado um acordo para modernizar o combate à lavagem de dinheiro.
O que observar
A operação recoloca sob os holofotes o papel de intermediários financeiros regulados como possíveis elos em esquemas de lavagem. Instituições de pagamento, casas de câmbio e prestadoras de serviços de ativos virtuais já operam sob obrigações de prevenção à lavagem, mas a fiscalização sobre fluxos ligados a apostas ainda amadurece. Vale acompanhar se casos como esse aceleram exigências de identificação de clientes e de monitoramento de transações transfronteiriças, e como o Coaf e o Banco Central calibram a supervisão de remessas atípicas atreladas ao mercado de bets.
Fontes: Valor Econômico • CNN Brasil