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BenefíciosFintech · C6 Bank

C6 prepara vale-refeição próprio para o 2º semestre

C6 Bank prepara emissão própria de vale-refeição no 2º semestre, após a abertura dos arranjos do PAT. O lucro do semestre foi de R$ 1,257 bilhão.

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· 4 min

Atualizado em

O C6 Bank prepara a emissão própria de vale-alimentação e vale-refeição a partir do segundo semestre, sem parceiro, segundo o CEO e fundador Marcelo Kalim. A porta se abriu com a queda da exigência de rede credenciada própria, mudança que vale para todo o setor. O anúncio acompanha lucro de R$ 1,257 bilhão no primeiro semestre, alta de 20%.

O C6 Bank no primeiro semestre de 2026

Indicador Valor Variação em 12 meses
Lucro líquido R$ 1,257 bi alta de 20%
Carteira de crédito expandida R$ 99,8 bi alta de 38%
Captações totais R$ 125,6 bi alta de 34%
Índice de eficiência 42% melhora de 4 pontos
Inadimplência acima de 90 dias 3,6% era 3,2% em junho de 2025

Resultado do primeiro semestre de 2026. Fonte: Bloomberg Línea

O que a abertura do PAT muda no vale-refeição

Multibenefícios corporativos não estavam entre os serviços operados diretamente pelo banco. O que destravou a entrada foi a mudança nas regras do setor, que permitiu a qualquer credenciadora processar transações de cartões de benefício mediante cobrança de taxa. Até então, cada emissora mantinha rede própria de estabelecimentos, e o cartão só circulava dentro dela, o que funcionava como barreira de entrada.

“Com a desregulamentação dessa área, que abriu a adquirência para todos, nós vamos entrar nesse segmento no segundo semestre”, disse Kalim à Bloomberg Línea. Segundo ele, a operação não depende de licença específica, e a exigência remanescente é cumprir as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador. O calendário da abertura vem do Decreto 12.712, que desde 11 de maio de 2026 obriga operadoras com mais de 500 mil trabalhadores a abrir seus arranjos de pagamento, com teto de 3,6% para a taxa cobrada do estabelecimento, teto de 2% para o intercâmbio, repasse em até 15 dias e interoperabilidade plena prevista para novembro de 2026.

O mercado que se abre já vinha sendo disputado por quem nasceu digital. A Flash anunciou R$ 400 milhões em investimento para liderar benefícios até 2030, e a Caju levou a estratégia multiproduto para além do cartão de benefícios. A diferença do banco digital é entrar pelo lado da conta empresarial, não pelo departamento de recursos humanos.

O benefício amarrado à conta PJ

A receita não virá da emissão isolada. O banco pretende amarrar o benefício aos serviços que já vende à mesma empresa, com saldo e movimentação visíveis no aplicativo em que ela opera conta, pagamentos e crédito. “Faremos isso integrado à nossa oferta bancária. No nosso próprio app, será possível ver o saldo”, afirmou Kalim.

A frente empresarial vem sendo adensada há mais de um ano, e pessoa jurídica responde por 11% da carteira de crédito expandida de R$ 99,8 bilhões, atrás de consignado público e privado (45%), financiamento de veículos (30%) e empréstimo para pessoa física (13%). Neste ano o banco estendeu à pequena e média empresa o atendimento por WhatsApp que já operava na pessoa física, e o uso ficou concentrado no celular. “É impressionante que mais de 95% de tudo o que é transacionado seja transacionado via app”, disse o executivo. A mesma lógica de canal aparece em outras frentes, como quando o banco ampliou a IA que analisa gastos em conta e fatura.

Do lado do crédito, o consignado privado cobra seu preço. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,2% em junho de 2025 para 3,6% em junho de 2026, puxada por esse produto, e a despesa com provisão mais que dobrou, de R$ 996 milhões para R$ 2,372 bilhões. Excluído o efeito da nova regra de baixa para prejuízo, o indicador seria de 2,6%. O produto vive um momento de acomodação no mercado, com o consignado privado recuando após o novo teto de juros. Para Kalim, a alta do calote decorre da combinação de política fiscal frouxa com juro alto. “O que leva à inadimplência é uma política fiscal leniente com uma política monetária apertada. Isso é ruim para a economia, na minha opinião”, afirmou.

O que observar

A tese aqui é de venda cruzada, não de disputa por tarifa. Emissoras independentes de benefícios cobram da empresa pela gestão do cartão e do aplicativo de recursos humanos, e monetizam o float e o intercâmbio. Um banco que já opera a conta da mesma empresa pode aceitar margem menor no benefício em troca de manter o salário, o pagamento a fornecedor e o crédito na casa. Vale acompanhar se as emissoras puramente digitais respondem baixando preço, o que comprime uma receita já pressionada pelos tetos de taxa, ou se aprofundam a camada de software de gestão de pessoas, onde o banco não compete.

O segundo ponto é o calendário. A interoperabilidade plena só chega em novembro de 2026, e até lá quem entra sem rede credenciada depende de acordos com as credenciadoras já instaladas para que o cartão seja aceito. A pergunta prática é quantos estabelecimentos estarão habilitados no início da operação, porque benefício que não passa no restaurante do lado do escritório vira reclamação do funcionário e devolução do contrato pelo departamento de recursos humanos. Vale observar também se bancos de médio porte seguem o mesmo caminho, transformando o benefício em porta de entrada para a conta empresarial.

Fontes: Bloomberg LíneaJornal de Brasília

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