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Resultado BancárioCrédito · Agronegócio

Provisões triplicam e lucro da Caixa recua 34% no 1T26

Provisões da Caixa chegaram a R$ 6,5 bi no 1T26, alta de 211% em 12 meses. Inadimplência no agro foi de 4,30% para 18,29%; lucro caiu 34%.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

As provisões para devedores duvidosos da Caixa Econômica Federal triplicaram em 12 meses, chegando a R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 211,5% na comparação anual. O resultado comprimiu o lucro líquido recorrente para R$ 3,5 bilhões, queda de 34,4% em 12 meses, com a inadimplência no agronegócio saltando de 4,30% para 18,29%.

Inadimplência por segmento: Caixa 1T26

Segmento Mar/25 Dez/25 Mar/26
Agronegócio 4,30% 14,09% 18,29%
PJ livre 9,26% 12,13% 13,20%
PF livre 4,85% 6,02% 6,12%
Imobiliário 1,42% 1,18% 1,60%
Infraestrutura 0,06% 0,01% 0,03%
Geral 2,49% 3,07% 3,71%

Balanço 1T26 da Caixa Econômica Federal. Fonte: Valor Econômico

O agro como epicentro da inadimplência

Em três trimestres, o índice de inadimplência no crédito agrícola da Caixa saiu de 4,30% para 18,29%, passando por 14,09% em dezembro de 2025. A deterioração acompanha a crise iniciada pela quebra de safra de soja em 2024, que elevou pedidos de recuperação judicial no campo ao longo de 2024 e 2025. A carteira de crédito rural da Caixa somou R$ 64,9 bilhões ao fim de março, com crescimento de 3,2% no trimestre e de 2,2% em 12 meses.

Dois fatores combinados explicam o salto nas provisões. O primeiro é a deterioração da qualidade do crédito agrícola. O segundo é a transição regulatória do Banco Central, que passou a exigir provisionamento com base em perdas esperadas e não apenas em perdas já efetivadas. Segundo a Agência Brasil, em nota a Caixa afirmou que o aumento das provisões decorre principalmente dessa transição regulatória. No balanço, o banco acrescentou que “A composição da carteira da Caixa apresenta forte concentração em crédito habitacional e operações com garantias consistentes. Isso traz níveis de perda esperada menores e resiliência à carteira, reduzindo a vulnerabilidade a cenários adversos e garantindo maior estabilidade operacional”.

A inadimplência no crédito livre para pessoa jurídica também subiu, de 9,26% para 13,20% em 12 meses. No segmento de pessoa física, o índice passou de 4,85% para 6,12%, reflexo de uma trajetória de piora no crédito que já havia atingido recordes históricos em janeiro.

Habitação como âncora da carteira

A inadimplência no crédito imobiliário encerrou março em 1,60%, acima de 1,18% de dezembro, mas ainda a menor entre os principais segmentos. A carteira habitacional somou R$ 966,2 bilhões, equivalente a 68,5% da carteira total de R$ 1,41 trilhão. No acumulado de 2025, a Caixa havia registrado lucro de R$ 15,5 bilhões, antes da combinação entre inadimplência no agro e nova metodologia regulatória de provisão pressionar os resultados.

As contratações habitacionais totalizaram R$ 64,2 bilhões no trimestre, alta de 30,6% frente ao primeiro trimestre de 2025, com recuo de 11,9% em relação ao quarto trimestre. A margem financeira avançou 11,8% em 12 meses para R$ 18,3 bilhões, mostrando crescimento de receita mesmo sob pressão das provisões. As despesas operacionais caíram 9,8% no trimestre para R$ 11,5 bilhões.

O que observar

A pergunta central para os próximos trimestres é o peso relativo dos dois fatores que pressionaram o resultado: a transição regulatória na metodologia de provisão, cujo efeito tende a se estabilizar após a adaptação inicial, e a deterioração real nos portfólios agrícolas, que pode continuar. A inadimplência de 18,29% no agronegócio é a mais alta entre todos os segmentos e saiu de um patamar de 4,30% há apenas um ano, ritmo de deterioração sem paralelo nas outras carteiras.

Para instituições com alta concentração em crédito habitacional, a resiliência do portfólio imobiliário funciona como proteção estrutural. A questão é se os segmentos de crédito livre, onde a inadimplência de pessoa jurídica já supera 13%, vão apresentar trajetória semelhante à do agro nos próximos trimestres ou se o ciclo de deterioração atingiu o pico. Vale acompanhar se as renegociações de contratos e o reforço de garantias nos portfólios rurais são suficientes para estabilizar o indicador antes do encerramento de 2026.

Fontes: Valor EconômicoAgência Brasil

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