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RegulaçãoRegulação · Banco Central

Canal Securitizadora vira SCD e investe R$ 20 mi próprios

Canal Securitizadora recebe licença SCD do BC com aporte de R$ 20 mi para operar sem depender de terceiros nas etapas críticas.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

A Canal Securitizadora, que já estruturou mais de R$ 11 bilhões em operações e realizou mais de 200 emissões, recebeu autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) e iniciou a migração com aporte de R$ 20 milhões feito integralmente pelas sócias-fundadoras, Nathalia Machado e Amanda Martins.

Canal Securitizadora no mercado: Q1 2026

Indicador Posição
CRI: número de operações Entre as 5 maiores securitizadoras do país
CRA: volume financeiro Entre as 4 maiores securitizadoras do país
Total estruturado (histórico) Mais de R$ 11 bilhões
Emissões realizadas (histórico) Mais de 200

Ranking por número de operações de CRI e volume de CRA no Q1 2026. Fonte: Valor Econômico

Do estruturador ao liquidante próprio

O movimento tem duas motivações centrais. Com a licença SCD, a Canal passa a atuar como liquidante de suas próprias transações e reduz a dependência de terceiros em etapas críticas das operações. Até então, como securitizadora autorizada pela CVM, a empresa dependia de parceiros externos para funções que agora podem ser internalizadas. O portfólio também se amplia: novas soluções financeiras poderão ser oferecidas diretamente, sem intermediários.

Do lado regulatório, a migração chegou com custo mais alto do que na geração anterior de SCDs. BC e CMN elevaram os requisitos de capital e patrimônio líquido para instituições autorizadas, e os R$ 20 milhões aportados pelas fundadoras cobrem não só a adequação de capital, mas também infraestrutura tecnológica, modernização de sistemas, contratação de pessoal e ampliação das frentes de governança, risco e compliance. Em análise publicada pelo podcast Let’s Money em janeiro de 2026, o capital mínimo para SCDs passou de R$ 1 milhão para R$ 9,6 milhões, parte de uma revisão que adota exigências progressivas com base nas atividades exercidas por cada instituição.

A Canal afirmou que vê espaço para a continuidade do crescimento das emissões de renda fixa, mesmo diante de maior aversão a risco no início do ano, com pedidos de recuperação extrajudicial de grandes empresas e tensão geopolítica. No primeiro trimestre de 2026, o mercado movimentou R$ 2,7 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e R$ 1,9 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), segundo o Valor Econômico. A empresa ficou entre as cinco maiores securitizadoras de CRI em número de operações e entre as quatro maiores de CRA em volume financeiro no período, conforme ranking da consultoria Uqbar.

O apetite pelo status de SCD se consolidou como movimento no mercado de infraestrutura financeira. O BC decretou em março de 2026 a primeira liquidação de fintech SCD do país, episódio que reforçou a necessidade de robustez operacional para operar sob esse modelo regulatório. Ao mesmo tempo, o mercado de FIDC cresceu 122% em 2025, ampliando a demanda por estruturadores capazes de oferecer mais do que a emissão isolada. Outro movimento recente no setor: a Celcoin concluiu a compra da Via Capital SCD, revelando interesse estratégico crescente pelo ativo regulatório que uma licença SCD representa.

O que observar

A migração de securitizadoras independentes para o status de SCD equilibra expansão de serviços com exposição regulatória maior. O teste central é se o ganho de autonomia operacional compensa o aumento expressivo nos requisitos de capital, que agora forçam adequação antes mesmo da geração de receita incremental. Securitizadoras sem capital próprio para bancar essa transição tendem a depender de sócios estratégicos ou adiar o movimento, o que pode ampliar a vantagem competitiva das que concluírem a migração primeiro.

Vale acompanhar se a aversão a risco observada no início de 2026, com recuperações extrajudiciais de grandes empresas, afeta o volume de novas emissões no segundo trimestre. Os dados de Q1 (CRI R$ 2,7 bi, CRA R$ 1,9 bi) ainda refletem um período de atividade consistente. A pergunta que fica é se estruturadores com licença SCD, capazes de liquidar operações de forma autônoma, terão vantagem na captação de emissores que buscam processos mais verticalizados, ou se o custo da adequação regulatória vai pressionar margens sem retorno proporcional no curto prazo.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money Podcast: Novo Capital Mínimo para Fintechs em 2026

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