A Canal Securitizadora, que já estruturou mais de R$ 11 bilhões em operações e realizou mais de 200 emissões, recebeu autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) e iniciou a migração com aporte de R$ 20 milhões feito integralmente pelas sócias-fundadoras, Nathalia Machado e Amanda Martins.
Canal Securitizadora no mercado: Q1 2026
| Indicador | Posição |
|---|---|
| CRI: número de operações | Entre as 5 maiores securitizadoras do país |
| CRA: volume financeiro | Entre as 4 maiores securitizadoras do país |
| Total estruturado (histórico) | Mais de R$ 11 bilhões |
| Emissões realizadas (histórico) | Mais de 200 |
Ranking por número de operações de CRI e volume de CRA no Q1 2026. Fonte: Valor Econômico
Do estruturador ao liquidante próprio
O movimento tem duas motivações centrais. Com a licença SCD, a Canal passa a atuar como liquidante de suas próprias transações e reduz a dependência de terceiros em etapas críticas das operações. Até então, como securitizadora autorizada pela CVM, a empresa dependia de parceiros externos para funções que agora podem ser internalizadas. O portfólio também se amplia: novas soluções financeiras poderão ser oferecidas diretamente, sem intermediários.
Do lado regulatório, a migração chegou com custo mais alto do que na geração anterior de SCDs. BC e CMN elevaram os requisitos de capital e patrimônio líquido para instituições autorizadas, e os R$ 20 milhões aportados pelas fundadoras cobrem não só a adequação de capital, mas também infraestrutura tecnológica, modernização de sistemas, contratação de pessoal e ampliação das frentes de governança, risco e compliance. Em análise publicada pelo podcast Let’s Money em janeiro de 2026, o capital mínimo para SCDs passou de R$ 1 milhão para R$ 9,6 milhões, parte de uma revisão que adota exigências progressivas com base nas atividades exercidas por cada instituição.
A Canal afirmou que vê espaço para a continuidade do crescimento das emissões de renda fixa, mesmo diante de maior aversão a risco no início do ano, com pedidos de recuperação extrajudicial de grandes empresas e tensão geopolítica. No primeiro trimestre de 2026, o mercado movimentou R$ 2,7 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e R$ 1,9 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), segundo o Valor Econômico. A empresa ficou entre as cinco maiores securitizadoras de CRI em número de operações e entre as quatro maiores de CRA em volume financeiro no período, conforme ranking da consultoria Uqbar.
O apetite pelo status de SCD se consolidou como movimento no mercado de infraestrutura financeira. O BC decretou em março de 2026 a primeira liquidação de fintech SCD do país, episódio que reforçou a necessidade de robustez operacional para operar sob esse modelo regulatório. Ao mesmo tempo, o mercado de FIDC cresceu 122% em 2025, ampliando a demanda por estruturadores capazes de oferecer mais do que a emissão isolada. Outro movimento recente no setor: a Celcoin concluiu a compra da Via Capital SCD, revelando interesse estratégico crescente pelo ativo regulatório que uma licença SCD representa.








