A Capim anunciou a aquisição da Dental Office, dando saída à Stone, que detinha cerca de 20% da empresa de software de gestão para clínicas odontológicas adquirida entre 2020 e 2021. Os termos financeiros não foram divulgados.
Os parâmetros do negócio
| Aspecto |
Detalhe |
| Compradora |
Capim, fintech de soluções financeiras para clínicas odontológicas |
| Alvo |
Dental Office, software de gestão fundado em 2000 |
| Vendedora |
Stone (~20%, adquirida entre 2020 e 2021) |
| Valor |
Não divulgado; múltiplo acima de 20x EV/EBITDA (fonte) |
| Gestão |
Roger André Hitz segue como CEO; sistemas das duas empresas permanecem separados |
| Próximo passo |
Clientes da Dental Office terão acesso ao financiamento ao paciente e à maquininha da Capim |
Parâmetros do negócio. Fonte: NeoFeed
Capim reforça posição no vertical de saúde bucal
Fundada em 2021 por Marcelo Lutz e Roberto Biselli, a Capim combina software de gestão de consultórios com financiamento parcelado ao paciente em até 36 vezes. A startup captou US$ 27 milhões numa rodada liderada por Valor Capital e QED Investors, com participação de Endeavor, Credit Saison e Actyus. Com a Dental Office, a Capim passa a ter presença em mais de 12 mil clínicas no país e projeta faturamento acima de R$ 150 milhões em 2026.
A lógica da aquisição está na base instalada de clientes. A Dental Office, fundada em 2000, carrega décadas de relacionamento com consultórios. O acordo mantém os sistemas das duas empresas separados, com a Dental Office operando de forma independente sob Roger André Hitz, fundador e CEO. “Estou muito animado de juntar a minha experiência ao time da Capim. Juntos, vamos potencializar a carreira de milhares de dentistas e democratizar o acesso à saúde bucal para milhões de brasileiros”, afirmou Hitz em nota.
Stone concentra desinvestimentos do ciclo 2020-2021
A Stone investiu na Dental Office entre 2020 e 2021, período em que montou uma série de participações em startups de software vertical. A tese era introduzir serviços financeiros dentro da base de usuários dessas plataformas, estratégia similar à que guiou o investimento na Vitta, empresa de sistemas para consultórios médicos e planos de saúde. Segundo fonte ouvida pelo NeoFeed, o investimento na Dental Office nunca decolou.
A venda se encaixa num processo mais amplo de foco no core. Em julho de 2025, a Stone vendeu a Linx à TOTVS por R$ 3,05 bilhões. Em março deste ano, a companhia demitiu cerca de 370 funcionários em reestruturação. No primeiro trimestre de 2026, registrou lucro líquido ajustado de R$ 549,1 milhões, alta de 3,5% frente ao mesmo período de 2025, mas queda de 22,3% sobre o quarto trimestre. A receita totalizou R$ 3,57 bilhões, com expansão de 6,5% no comparativo anual e recuo de 4% na base sequencial.
O Citi rebaixou a recomendação das ações de compra para neutro, apontando fragilidades nos motores de receita e na qualidade dos ativos. Em nota, a Stone afirmou que a transação “segue o mesmo racional estratégico de foco no core business de serviços financeiros e disciplina de alocação de capital” e que reavalia continuamente seu portfólio de participações.
A Stone distribuiu R$ 3 bilhões a acionistas em 2025, sinalização de que o foco em capital allocation precede a atual onda de desinvestimentos.
O que observar
Para fintechs de software vertical em saúde, o teste de uma aquisição desse perfil é a taxa de conversão da base existente de usuários aos produtos financeiros do comprador. Manter os sistemas separados reduz o risco operacional de curto prazo, mas adia a captura de sinergias. O indicador-chave será a adoção do financiamento ao paciente e dos meios de pagamento entre os consultórios que hoje usam apenas o software adquirido.
No lado do vendedor, o dado mais relevante é o múltiplo reportado: acima de 20x EV/EBITDA. Se confirmado, indica que o ativo foi monetizado com retorno expressivo mesmo sem ter atingido a escala projetada. A pergunta que persiste é quantas outras participações do mesmo ciclo de investimentos ainda permanecem no portfólio e em que estágio de saída cada uma se encontra.
Fontes: NeoFeed • Startups • TechCrunch • Let’s Money • Let’s Money