A Celcoin comprou a Vert Capital, securitizadora com emissões que superam R$ 142 bilhões e que depois ampliou o negócio para administração e gestão de fundos. O preço ficou fora do anúncio. É a oitava compra da fintech de infraestrutura financeira, e a maior delas segundo o comprador.
A Vert nasceu há dez anos e chega à venda com cerca de R$ 97 bilhões sob administração e participação em mais de 490 operações, entre fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), certificados de recebíveis imobiliários, papéis do agronegócio e debêntures. Desde 2024 opera também com licença de distribuidora, a DTVM, com mais de R$ 16 bilhões de FIDCs sob administração. A régua do setor mudou no fim de agosto de 2026, quando a Anbima publicou um guia de provisão para securitizadoras.
O negócio estica a atuação da compradora até o crédito estruturado, um degrau acima do encanamento tecnológico que ela já vende. Junto com a operação, a Celcoin anunciou R$ 500 milhões de investimento em três anos, R$ 200 milhões deles em tecnologia, e projeta fechar 2026 com receita recorrente anualizada de R$ 800 milhões. “Construímos a Celcoin acreditando que a infraestrutura financeira precisava ser cada vez mais aberta, tecnológica e acessível. A chegada da Vert representa um novo capítulo dessa estratégia”, afirmou Marcelo França, fundador e CEO da Celcoin.
Fernanda Mello, CEO da Vert, sustenta que as peças continuam vendidas em separado. “As soluções continuarão sendo oferecidas de forma modular e independente […] Como parte da Celcoin, ganharemos capacidade de investimento para acelerar tecnologia, inovação, segurança e crescimento”, disse a executiva.
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A distribuidora de títulos e valores mobiliários ainda depende do BC
A licença da distribuidora só passa às mãos da Celcoin com aval do Banco Central. Em fevereiro de 2026, o regulador liberou outra ficha da casa, quando a Celcoin concluiu a aquisição da Via Capital SCD e ganhou autorização para operar como sociedade de crédito direto. Segundo França, a distribuidora completa a prateleira de produtos da companhia.
França já descreveu o movimento oposto ao que a Celcoin faz agora. Em entrevista ao podcast Let's Money em dezembro de 2025, no episódio sobre a nova regulação de banking as a service (BaaS), ele afirmou que “muitos players até estão devolvendo às vezes a licença porque faz mais sentido ele focar no que é core para ele […] do que ficar preocupado com a questão da manutenção da licença”.
O patrimônio dos FIDCs fechou maio de 2026 em R$ 754 bilhões, alta de 10% em doze meses na série da Anbima. A compradora chega a esse mercado capitalizada: foram R$ 650 milhões captados em 2024 numa rodada que teve a Summit Partners à frente. França diz que boa parte do valor segue em caixa e que novas fusões e aquisições são possíveis. Ele afirma que a empresa atingiu o ponto de equilíbrio em 2022 e que o faturamento cresce perto de 45% de forma orgânica nos últimos anos, sem detalhar valores.
O que observar
A tese em teste é a de que provedores de infraestrutura financeira conseguem subir a cadeia e disputar originação, funding e serviços fiduciários, funções que hoje ficam com casas especializadas. Se o desenho pegar, gestoras de fundos de recebíveis e administradores fiduciários independentes tendem a enfrentar concorrentes que já carregam base de clientes e encanamento de pagamentos.
A variável regulatória a acompanhar é o tempo de análise do Banco Central sobre transferência de licenças. Vale observar também se a consolidação entre provedores de infraestrutura mantém o ritmo quando o caixa das rodadas recentes for consumido.