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Celular é o meio preferido de 80% da população para relacionamento com os bancos

Para 81% dos clientes, aplicativos já são a porta de entrada preferencial para serviços bancários, transformando profundamente a forma como os brasileiros interagem com o sistema financeiro

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Shutterstock

O sistema bancário brasileiro está cada vez mais concentrado nos dispositivos móveis. Os aplicativos já são a porta de entrada preferencial para 81% dos clientes, de acordo com o estudo “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzido pela Lina Open X em parceria com a plataforma de consumer insights da MindMiners.

Essa transição digital substituiu a necessidade de ir até uma agência física por operações autônomas e instantâneas, disponíveis a qualquer hora do dia. Embora essa tendência venha ganhando força há algum tempo, os dados atuais confirmam sua consolidação, revelando um impacto profundo que vai além da conveniência e atinge a própria gestão das finanças pessoais.

A digitalização do vínculo bancário

O protagonismo do celular concentra toda a experiência bancária na palma da mão. Mais do que um meio para transações e consultas rápidas, o aplicativo consolidou-se como o espaço onde o planejamento e as resoluções financeiras de fato acontecem.

Para Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X, isso transforma completamente o papel das instituições. “O aplicativo hoje concentra praticamente toda a jornada financeira do cliente. Muito além de ser exclusivamente um canal de atendimento, é o ambiente onde a relação com o banco de fato acontece. Isso tende a elevar o nível de exigência do usuário, porque qualquer fricção ali impacta diretamente a percepção dele”, afirma.

Por outro lado, o celular ainda serve majoritariamente para o ‘feijão com arroz’ das operações bancárias. Mesmo que 72% das pessoas vejam valor na tecnologia para colocar as contas em dia, esse reconhecimento ainda não se transformou em um uso constante das funções mais estratégicas de controle financeiro.

No cotidiano, a maior parte das pessoas ainda prefere métodos externos ao mobile banking para gerir o orçamento. Praticamente metade dos participantes (48%) opta por métodos tradicionais, como planilhas ou anotações manuais, ao passo que 16% admitem não realizar qualquer tipo de acompanhamento de suas despesas.

O aplicativo está sempre à mão e é utilizado, mas ainda não é explorado em todo o seu potencial, como destaca Murilo Rabusky. “Existe um hábito já consolidado de usar para resolver o imediato, como pagar, transferir, consultar. Mas ainda há espaço para ampliar esse uso para algo mais contínuo e integrado, que apoie todos os aspectos da jornada financeira do usuário no dia a dia”, diz.

PIX como acelerador da mudança de comportamento

Embora a utilização de certas funcionalidades digitais ainda caminhe a passos lentos, em outras áreas a adesão é absoluta, tendo o PIX como maior expoente. O levantamento indica que 73% da população usa o recurso habitualmente, enquanto 76% já abriram mão, total ou parcialmente, do uso de cartões físicos em favor das transferências imediatas. 

A agilidade do sistema justifica a centralidade do smartphone nas finanças pessoais e eleva o padrão de exigência do consumidor por soluções fluidas e integradas, que eliminem a fragmentação entre diferentes plataformas.

Reunir contas e meios de pagamento em um único aplicativo já aparece como uma tendência entre os usuários. Segundo a pesquisa da Lina Open X, 75% dos brasileiros afirmam que usariam ou considerariam usar uma solução desse tipo, um modelo diretamente associado ao Open Finance, que permite a integração de dados entre diferentes instituições.

Apesar de 76,8% dos brasileiros afirmarem já terem ouvido falar em Open Finance, a adesão prática ainda é limitada: apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados até agora, sugerindo que a evolução do modelo esbarra em uma lacuna de familiaridade e entendimento por parte do usuário.

Regulado e supervisionado pelo Banco Central do Brasil, o Open Finance avança em um ambiente de segurança e padronização. Ainda assim, o baixo engajamento está mais relacionado à necessidade de ampliar iniciativas de educação financeira e comunicação sobre o tema.

“A proposta de centralização já é clara para o usuário, mas a adesão ainda está diretamente ligada ao nível de entendimento sobre o Open Finance. O avanço passa por tornar esse modelo mais tangível e acessível no dia a dia”, afirma Rabusky.

A evolução do relacionamento bancário no ambiente digital

Com os apps no centro de tudo, a briga pelo mercado se resume a quem consegue estar mais presente na rotina do cliente. O desafio é ser a primeira opção que o usuário abre para resolver pendências ou monitorar despesas ao longo do mês. É justamente nesse uso habitual que as marcas financeiras conseguem criar raízes e fortalecer sua conexão com o público.

Para o diretor de Negócios da Lina Open X, esse comportamento revela que a preferência do usuário é conquistada pela relevância. “O app que ganha a preferência é o que melhor conhece o perfil financeiro do cliente e antecipa suas necessidades. Quando o usuário sente que a solução foi desenhada especificamente para ele, a interação deixa de ser pontual e passa a ser contínua”.

O mercado ainda disputa a atenção total do usuário, já que o celular é muito usado para pagar contas, mas pouco explorado para planejar o futuro. Essa lacuna abre caminho para novas funcionalidades dentro dos próprios aplicativos. É aqui que o Open Finance tem sua maior chance: para crescer, o sistema precisa estimular o conhecimento dos clientes e provar que a conexão entre diferentes contas e bancos facilita, de fato, a vida financeira de quem usa.

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