O Bank of America (BofA) está ampliando o dinheiro que coloca em negócios de inteligência artificial depois de ter olhado o setor com desconfiança, segundo reportagem da Bloomberg publicada na segunda-feira (21) e resumida pela PYMNTS. A virada, pelo relato, aparece em dois movimentos de 2026: uma linha de crédito de US$ 520 milhões à OpenAI e um programa de US$ 250 bilhões para infraestrutura nos EUA.
Do receio ao financiamento: a linha do tempo do BofA em IA
| Quando |
Movimento |
| Até o ano passado |
Desconfiança sobre a capacidade das empresas de IA de bancar prejuízos e gastos de capital (segundo a Bloomberg) |
| Julho de 2026 |
Linha de crédito de US$ 520 milhões à OpenAI |
| Agosto de 2026 |
Meta de mobilizar US$ 250 bilhões em infraestrutura nos EUA até 4 de julho de 2027 |
Relato da Bloomberg e comunicado do banco. Fontes: PYMNTS e Bank of America
O que mudou na leitura do banco
Pela descrição da Bloomberg, a resistência tinha endereço: até o ano passado, a instituição duvidava que empresas de IA conseguissem sustentar operações no vermelho em meio a gastos de capital tão altos. A reportagem aponta julho como o ponto de inflexão, quando o banco abriu crédito de US$ 520 milhões à OpenAI. Já naquele mês, reportagens colocavam o BofA entre os maiores credores da dona do ChatGPT; uma delas atribuía ao banco participação em captações de perto de US$ 500 bilhões para companhias ligadas a IA desde 2025.
O banco também dividiu a coordenação da estreia da SpaceX na bolsa e cuidou da distribuição das ações ao investidor de varejo americano, lembra a PYMNTS.
Os US$ 250 bilhões e como eles são contados
Em agosto, veio a iniciativa de US$ 250 bilhões para infraestrutura nos EUA. O comunicado oficial fala em mobilizar esse valor em 18 meses, entre 1º de janeiro de 2026 e 4 de julho de 2027, em três frentes: infraestrutura digital, energia e potência, e infraestrutura básica. “Esta iniciativa reflete nossa confiança no futuro do país e nos investimentos que vão moldá-lo” (em tradução livre), disse Jim DeMare, copresidente do Bank of America.
Um detalhe do próprio documento ajuda a dimensionar a cifra: o avanço da meta é medido pela atividade elegível em empréstimos no mercado primário, investimentos, operações de mercado de capitais e assessoria. Entram na conta, portanto, serviços prestados a clientes ao lado do crédito concedido diretamente.
Há, porém, um contraponto no mesmo relato. O BofA ficou de fora de algumas das maiores emissões de dívida corporativa num momento em que títulos de tecnologia e de hyperscalers (as gigantes de nuvem) somariam, por estimativa citada pela Bloomberg, entre 20% e 40% da nova oferta. Em julho, outra reportagem mostrou que Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle, as cinco que mais gastam com data centers de IA nos EUA, dobraram o endividamento em cinco anos e acrescentaram cerca de US$ 350 bilhões em dívidas.
O que observar
Os relatos disponíveis não trazem explicação do próprio banco para a mudança de postura. A pergunta que fica é se grandes bancos que trataram o setor com cautela vão passar a disputar os mandatos das grandes emissões de dívida das empresas de nuvem, ou se preferem entrar por crédito bilateral e assessoria, onde conseguem escolher o risco. Vale acompanhar também quanto das metas de financiamento anunciadas por instituições financeiras corresponde a dinheiro próprio e quanto a operações estruturadas para terceiros, diferença que pesa na leitura da exposição real de cada banco à infraestrutura de IA.
Fontes: PYMNTS • Bank of America • Let’s Money • Let’s Money