O Citi lançou quatro ferramentas de inteligência artificial para sua divisão de wealth: uma voltada ao cliente e três para assessores, com o objetivo declarado de encurtar a distância entre dados brutos e recomendação. O movimento chega no mesmo mês em que o Bank of America rodou a versão completa de sua plataforma AI-Powered Meeting Journey, e num momento em que bancos brasileiros como BTG, C6 e Santander já testam copilotos com a mesma lógica há quase dois anos.
As 4 ferramentas de IA do Citi Wealth
| Ferramenta |
Para quem |
O que faz |
| Portfolio Intelligence |
Cliente |
Consolida posições, performance e insights do CIO |
| AskWealth CIO |
Assessor |
Interface conversacional sobre pesquisa do CIO |
| Client 360 |
Assessor |
Reúne posições, histórico e interesses num só lugar |
| CitiScribe |
Assessor |
Anotações automáticas e resumo de reuniões |
Rollout em fases começa pela América do Norte e se estende a todo o Wealth até o fim de 2026. Fonte: PYMNTS
O arsenal que o Citi colocou na mesa
A peça voltada ao cliente é a Portfolio Intelligence, plataforma que consolida posições, métricas de performance e insights do Chief Investment Office do Citi Wealth numa única interface. Já está ativa para clientes do Citi Private Bank na América do Norte, com expansão global no segundo trimestre e rollout para todo o Wealth até o fim do ano. Do lado dos assessores, o AskWealth CIO dá uma interface conversacional para consultar a pesquisa do Chief Investment Office; o Client 360 junta portfólio, histórico de chamadas e interesses numa única tela; e o CitiScribe automatiza anotações e resumos de reuniões com o cliente.
“A estratégia é construir um conjunto conectado de ferramentas de IA que possam evidenciar oportunidades de investimento em escala, sinalizar riscos potenciais e ajudar o assessor a decidir o próximo passo”, afirmou Andy Sieg, head da divisão de wealth do Citi. A lógica é parecida com a do Bank of America, que no mês passado anunciou o AI-Powered Meeting Journey para Merrill e Private Bank, ferramenta que, segundo a instituição, economiza até quatro horas por reunião com cliente. Ambos os movimentos são parte de uma corrida maior entre bancos globais para montar copilotos de IA para seus times de investimento e relacionamento.
Bancos brasileiros já testam a mesma trilha
A diferença entre o anúncio global do Citi e o estágio brasileiro é mais de escala do que de conceito. BTG, C6, Santander e Porto Seguro já rodam copilotos internos para assessores de investimento e áreas financeiras, com casos de uso que incluem geração de pitches de venda personalizáveis por duração, tom e canal (incluindo WhatsApp), relatórios de carteira e automação de atendimento.
A preocupação central do setor continua sendo consolidar dados dispersos para que o assessor os encontre no momento certo, problema que o Client 360 do Citi tenta resolver ao reunir posições, histórico de chamadas e interesses do cliente em uma única tela.
Do lado dos números, a escala local existe. O Itaú Private ultrapassou R$ 1 trilhão sob gestão e vem apostando em ganho de escala como diferencial, enquanto o BTG também já cruzou a marca do trilhão em wealth. O HSBC Private Bank equipou seus times com IA para assessoria patrimonial no primeiro trimestre e segue na mesma direção. O desafio brasileiro é menos sobre começar do zero e mais sobre industrializar o que já existe em pilotos e casos isolados.
O que observar
A corrida dos bancos globais por copilotos de IA não muda o tamanho do ativo sob gestão, mas muda a relação entre assessor humano e carga administrativa. Se ferramentas de anotação automática e preparação de reunião realmente extraem horas de trabalho manual, cada assessor passa a atender mais clientes com o mesmo esforço, o que tende a apertar as métricas de custo por cliente atendido no private bank. Vale acompanhar como isso impacta a estrutura de remuneração e o número mínimo de clientes que justifica um assessor humano dedicado, dois parâmetros que definem a economia do segmento.
A pergunta que fica é de governança. Gestoras maduras repetem que o divisor de águas em 2026 não é quem usa IA, é quem usa IA com trilha de auditoria, controle de dados e explicabilidade. Em wealth management, onde cada recomendação pode ter impacto material no patrimônio do cliente, o custo de um copiloto que gera alucinação é desproporcionalmente alto. O teste será ver quais bancos conseguem fazer a ponte entre velocidade de adoção e padrão regulatório sem abrir flancos.
Fontes: PYMNTS •