A taxa de desemprego brasileira atingiu 5,3% em dezembro de 2024, a menor da série histórica, enquanto a massa salarial real crescia 6,4% ao ano. Os números parecem indicar uma economia aquecida, mas economistas do Citi alertam que essa leitura é enganosa. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (19), uma desaceleração já está em curso e deve se aprofundar nos próximos meses.
PIB estagnado desde o segundo semestre
Depois de crescer 1,5% no primeiro trimestre de 2024, o PIB brasileiro perdeu fôlego consistentemente. A expansão caiu para 0,3% no segundo trimestre e apenas 0,1% no terceiro. De acordo com relatório do Citi liderado por Leonardo Porto, os indicadores mensais de atividade apontam para algo próximo de estagnação no quarto trimestre.
O banco projeta crescimento anual de 2,2% em 2024, a ser confirmado pelo IBGE em março. Os dados do IBC-Br divulgados na quinta confirmam a tendência: o índice de atividade econômica do Banco Central recuou 0,2% em dezembro ante novembro.
O truque por trás do desemprego baixo
O paradoxo está na taxa de participação da força de trabalho, que caiu de 62,4% em junho para 61,9% em dezembro. Menos brasileiros estavam buscando emprego ativamente no fim do ano. Para o Citi, é essa saída de trabalhadores do mercado que explica a queda do desemprego, não a geração de vagas.
Se a taxa de participação tivesse se mantido estável no patamar de junho, o desemprego estaria em 5,9% em dezembro, e não nos 5,3% registrados. Quando o banco aplica a Lei de Okun, modelo que relaciona desemprego e crescimento do PIB, o resultado mostra que o emprego efetivo está abaixo do estimado desde o segundo trimestre de 2024.
Consumo cresce menos que a massa salarial
O segundo paradoxo envolve o consumo das famílias. Apesar da massa salarial real crescer 6,4% ao ano em dezembro, o consumo privado desacelerou de 2,2% no primeiro trimestre para apenas 0,9% no terceiro. O crescimento da massa salarial estava sendo puxado pelos salários, que avançaram 5,0% ao ano, e não pelo emprego, que cresceu apenas 1,1%.
Para o Citi, isso indica que o consumo reage mais ao crescimento fraco do emprego do que ao aumento dos salários de quem já trabalha. Em um mercado próximo do pleno emprego, os aumentos salariais tendem a gerar impacto menor no consumo, já que o espaço para criar vagas está limitado. A conclusão do banco é direta: a economia doméstica permanece estagnada desde o segundo semestre de 2024 e deve enfraquecer ainda mais o mercado de trabalho, interrompendo a tendência de queda do desemprego.