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ClearBank Europe integra stablecoins EURC e USDC a clearing regulado sob MiCAR

ClearBank Europe obtém aprovação como CASP na Holanda e lança acesso a EURC e USDC via Circle Mint, conectando clearing bancário a redes blockchain na Europa.

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Shutterstock

A ClearBank Europe obteve aprovação como prestadora de serviços de criptoativos (CASP) sob o regulamento MiCAR na Holanda e vai oferecer acesso às stablecoins EURC e USDC via plataforma Circle Mint. Na prática, segundo a empresa, é a primeira vez que um banco de clearing europeu regulado integra ativos digitais diretamente à infraestrutura de compensação.

Como funciona a integração ClearBank + Circle

Camada Função
ClearBank Europe (CASP/MiCAR) Clearing regulado + custódia de ativos digitais
Circle Mint Emissão e resgate de EURC e USDC
Taurus-PROTECT Infraestrutura de carteira e custódia
Clientes institucionais Transições fiat-blockchain para liquidação cross-border

Integração permite transitar entre sistemas fiat e redes blockchain na Europa. Fonte: Finextra

Clearing digital sob MiCAR: o que muda

A ClearBank, fundada no Reino Unido em 2016, estabeleceu sua operação europeia em Amsterdã após obter licença de instituição de crédito do Banco Central Europeu, sob supervisão do De Nederlandsche Bank. A aprovação como CASP agora adiciona uma camada de ativos digitais à operação de clearing que já atendia clientes institucionais na Europa.

“Nos tornarmos prestadores de serviços de criptoativos sob o MiCAR nos permite trazer capacidades de ativos digitais para um ambiente de clearing regulado pela primeira vez”, disse Tristan Kirchner, CEO da ClearBank Europe. A integração com a Circle já vinha sendo construída: em outubro de 2025, as empresas firmaram um acordo-quadro para conectar os trilhos bancários da ClearBank à Circle Payments Network (CPN). Em janeiro de 2026, a ClearBank selecionou a Taurus-PROTECT como infraestrutura de carteira para suportar operações com stablecoins.

Stablecoins como trilho cross-border e o contraste regulatório com o Brasil

O movimento da ClearBank sinaliza uma tendência mais ampla: segundo dados do European Blockchain Observatory, mais de 60% das empresas financeiras da UE lançaram ou planejam pilotos de pagamentos via blockchain até 2026. Circle, Deutsche Börse, ING e ABN AMRO já testam integrações com USDC e EURC em plataformas institucionais. O USDC é hoje a única stablecoin entre as dez maiores por valor de mercado em conformidade com o MiCAR.

No Brasil, a abordagem regulatória seguiu caminho diferente. O Banco Central publicou em novembro de 2025 três resoluções (incluindo a Resolução BCB 521) que enquadram operações com stablecoins referenciadas em moeda estrangeira como operações de câmbio. Enquanto a Europa integra stablecoins a bancos de clearing, o Brasil priorizou o controle cambial, o que levantou debate sobre os efeitos na competitividade de fintechs brasileiras em operações cross-border. O mercado global de stablecoins já movimenta US$ 33 trilhões anuais, com B2B representando 60% do volume identificável.

O que observar

A aprovação como CASP testa uma premissa central do MiCAR: se bancos de clearing regulados conseguem operar ativos digitais com o mesmo grau de confiabilidade e compliance dos trilhos fiat tradicionais. Para fintechs de transferência internacional e provedores de BaaS que atendem clientes europeus, a integração direta com stablecoins reguladas reduz a dependência de intermediários e pode comprimir custos de liquidação. O dado de 60% das empresas financeiras da UE com pilotos blockchain sugere que o movimento se ampliará rapidamente. Em episódio do podcast Let’s Money em 2026, a análise sobre transferências internacionais via stablecoins apontou que “a eficiência não vem só do custo, mas da eliminação de intermediários e processos desnecessários”, com redução de 4-10 dias para menos de 1 hora em operações cross-border.

A divergência regulatória entre Europa e Brasil merece atenção. Enquanto o MiCAR abre caminho para stablecoins dentro do sistema bancário, o enquadramento cambial brasileiro pode criar fricção adicional para empresas que operam nos dois mercados. Com o PL 4.308/2024 ainda tramitando e o acordo UE-Mercosul pressionando por interoperabilidade, a definição do modelo regulatório brasileiro para stablecoins ganha urgência prática: fintechs que fazem ponte entre as duas jurisdições precisam de previsibilidade para montar estruturas de compliance.

Fontes: FinextraYahoo FinanceJOTALet’s MoneyLet’s Money Podcast

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