O Commerzbank recomendou formalmente a seus acionistas que rejeitem a oferta integral do UniCredit, avaliada em cerca de €24 bilhões (US$ 27,91 bilhões), alegando que a proposta subestima o banco alemão e carece de plano estratégico crível. Ao mesmo tempo, o banco italiano elevou sua participação no Commerzbank para 38,87%.
Participação do UniCredit no Commerzbank
| Momento |
Participação |
| Antes do anúncio da OPA |
~30% |
| Posição divulgada anterior |
32,64% |
| Posição atual |
38,87% |
Dados da participação acionária do UniCredit no Commerzbank. Fonte: Valor Econômico
A rejeição e seus fundamentos
Os conselhos de administração e fiscal do Commerzbank declararam que a oferta do UniCredit não oferece prêmio adequado nem reflete o valor real do banco. Além da subavaliação, o banco alemão aponta ausência de plano estratégico crível para a fusão e riscos consideráveis embutidos na proposta. “Ambos os conselhos acreditam que o Commerzbank pode gerar maior valor de forma independente, implementando sua estratégia recentemente anunciada, do que por meio da proposta do UniCredit”, afirmou o banco em comunicado.
O diretor-presidente do UniCredit, Andrea Orcel, descreveu anteriormente a oferta como tentativa de romper o impasse entre os dois bancos, reconhecendo que era improvável que o UniCredit obtivesse o controle majoritário. O UniCredit não respondeu ao pedido de comentário sobre a recomendação dos conselhos do Commerzbank.
Pressão acionária cresce apesar da resistência
Mesmo diante da posição contrária da gestão, o UniCredit segue construindo sua posição no Commerzbank. Um documento regulatório publicado na segunda-feira mostrou que a participação saltou de 32,64% para 38,87%, acumulando um avanço expressivo desde os cerca de 30% registrados antes do anúncio da OPA. No setor bancário europeu, onde exposições cruzadas entre grandes bancos já demonstraram seus riscos sistêmicos, a transação atrai escrutínio regulatório e político. O UniCredit lançou no início deste mês uma oferta integral em ações pelo Commerzbank, intensificando uma campanha que já dura meses.
O cenário integra o movimento mais amplo de consolidação bancária europeia: bancos do continente buscam escala para competir globalmente, seja via produtos conjuntos, seja via fusões. A resistência do Commerzbank é política além de financeira: o governo alemão mantinha participação relevante no banco, e qualquer takeover por um banco estrangeiro toca em sensibilidades de soberania no setor financeiro.
O que observar
O desfecho depende menos dos conselhos e mais dos acionistas, que terão de decidir se aceitam ou rejeitam a oferta durante o período de aceitação previsto. A posição dos fundos institucionais com participações relevantes no banco-alvo será determinante. Se o ofertante atingir participação suficiente para forçar uma fusão, a próxima barreira será regulatória e política: fusões bancárias transfronteiriças na Europa envolvem supervisores de múltiplos países e, frequentemente, governos com interesse estratégico no setor.
Vale acompanhar se a estratégia independente anunciada pela gestão do banco-alvo tem credibilidade suficiente para convencer acionistas a abrir mão de um prêmio imediato. Historicamente, fusões bancárias transfronteiriças europeias têm entregado menos valor do que o prometido pelos ofertantes, dado o custo de integração de sistemas, culturas corporativas e frameworks regulatórios distintos.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money