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RegulaçãoRegulação · Banco Master

CVM troca comando de quatro superintendências após caso Master

Presidente interino substitui chefes de SGE, SIN, SMI e Comunicação. SIN, que enviou 48 dos 65 ofícios ao Master, está entre as trocadas.

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O presidente interino da CVM, João Accioly, decidiu trocar os chefes de quatro superintendências, incluindo a área que enviou 48 dos 65 ofícios de alerta ao Banco Master sem converter parte dos alertas em acusações formais.

Mudanças nas superintendências da CVM

Superintendência Anterior Substituto Motivo
SGE (Geral) Alexandre Pinheiro Maria Lúcia Macieira (interina) Avaliação de desempenho
SIN (Investidores Institucionais) Marco Velloso Cláudio Gonçalves Maes Avaliação de desempenho
SMI (Mercado e Intermediários) André Passaro A definir Pedido voluntário
Comunicação Social João Mançal Paloma Ferraz Pedido voluntário

Duas trocas refletem avaliação de desempenho; duas atendem a pedidos dos atuais superintendentes

A conexão com o caso Master

A movimentação ocorre enquanto a CVM enfrenta pressão política. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos em fevereiro, senadores usaram a palavra “omissão” para descrever a conduta do regulador no caso Banco Master. Um grupo de trabalho interno apurou que a SIN, área comandada por Velloso, concentrou a maioria dos ofícios de alerta enviados ao banco, mas parte deles deveria ter evoluído para acusações formais.

A CVM mantém ao menos seis inquéritos administrativos e oito processos sancionadores contra entidades do grupo Master e Reag, envolvendo fundos como Gold Style FIDC, Excalibur FIM e City FIDC. A investigação identificou que fundos exclusivos teriam sido usados para desviar recursos de investidores e inflar o valor de ativos, num esquema que já levou à delação de figuras centrais do banco. Em depoimento ao Senado, Accioly reconheceu que “houve uma omissão em divulgar o que foi feito”, embora tenha negado inação técnica.

Em episódio do podcast Let’s Money gravado em 2025, analistas já descreviam o mecanismo central da fraude: captação agressiva via CDBs a taxas de até 140% do CDI, investidos em precatórios e FIDICs ilíquidos. O descasamento ativo-passivo resultante era exatamente o tipo de risco estrutural que a área de supervisão de investidores institucionais deveria ter escalado além de ofícios de alerta.

Transição sob incerteza política

As trocas podem ser revertidas. O presidente indicado pelo governo, Otto Lobo, ex-diretor da CVM, aguarda sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ainda sem data. Enquanto a indicação trava no Legislativo, Lobo vem perdendo influência sobre a autarquia que deve comandar. Velloso, servidor de carreira exonerado da SIN, é apontado como apoiador de Lobo, o que adiciona tensão política à decisão de Accioly.

Das quatro trocas, duas foram voluntárias. André Passaro, da SMI, informou que pediu desligamento em 5 de março após proposta do mercado e cumprirá seis meses de quarentena. João Mançal, da Comunicação, confirmou saída em maio. Na Superintendência-Geral, Alexandre Pinheiro, procurador da AGU cedido à CVM há 14 anos, será substituído provisoriamente por Maria Lúcia Macieira de Mello. Na SIN, o servidor Cláudio Gonçalves Maes assume no lugar de Velloso.

O que observar

A reestruturação sinaliza que a cúpula interina do regulador reconhece, na prática, falhas na cadeia de supervisão. Mas o alcance da reforma depende de uma variável externa: se a sabatina do presidente indicado acontecer nos próximos meses, o novo comando pode reverter nomeações e reposicionar aliados nas áreas técnicas. Até lá, inquéritos e processos sancionadores seguem sob novos líderes que precisam se inteirar rapidamente de casos complexos.

A área de supervisão de investidores institucionais, que ganhou novo chefe, tem ao menos três procedimentos em andamento diretamente ligados ao caso. Trocar a liderança no meio de investigações dessa magnitude pode acelerar a responsabilização ou comprometer a continuidade técnica, dependendo da curva de aprendizado do substituto e da estabilidade institucional nos próximos meses.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilCVMLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money Podcast

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