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Desenrola para informais mira juros abaixo de 4% a.m.

Rodada do Desenrola para informais adimplentes em desenho final na Fazenda pode renegociar até R$ 37 bi em CDC com juros abaixo de 4% ao mês.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

A rodada do Desenrola Brasil voltada a trabalhadores informais que pagam em dia está em desenho final na equipe econômica. Pela proposta preliminar, podem ser renegociadas dívidas de CDC sem garantia com juros provavelmente abaixo de 4% ao mês, sustentadas por uma fatia de R$ 1 bi a R$ 2 bi do FGO. O anúncio é esperado entre 29 de junho e 4 de julho.

Desenho preliminar da rodada para informais

Item Proposta em desenho
Público-alvo Trabalhadores informais adimplentes
Dívidas elegíveis CDC sem garantia, teto de R$ 15 mil por pessoa
Estoque estimado Até R$ 37 bi em dívidas de CDC
Beneficiários estimados Até 2 mi (público elegível: 13 mi a 18 mi)
Juros previstos Provavelmente abaixo de 4% ao mês
Garantia FGO, entre R$ 1 bi e R$ 2 bi
Anúncio previsto Semana de 29/jun a 4/jul de 2026

Desenho preliminar segundo apuração de 16 de junho de 2026. Fonte: Valor

O desenho preliminar e o papel do FGO

O recorte definido é o de dívidas de consumo sem colateral, com saldo limitado a R$ 15 mil por beneficiário. Esse tipo de exposição é classificado pelo governo como sujeito a juros considerados abusivos. A leitura preliminar da Fazenda aponta estoque alcançável próximo de R$ 37 bilhões, base potencial de 13 a 18 milhões de informais e expectativa de chegar a 2 milhões de pessoas efetivamente atendidas. A engenharia comercial muda em relação ao Desenrola dos inadimplentes: lá, o atrativo é o abatimento do saldo devedor; aqui, o gancho passa a ser a redução da taxa mensal.

A garantia segue ancorada no FGO, mesmo fundo que dá lastro à rodada dos inadimplentes em vigor. Em maio, em conversa com o Valor, o ministro Dario Durigan havia mirado o CDC sem garantia como vetor da etapa para adimplentes e descartado o uso de saque do FGTS. Na partida da segunda fase, o fundo absorveu R$ 5,7 bilhões oriundos de saldos esquecidos em contas, ampliando a folga e abrindo espaço para a nova frente sem aporte adicional de imediato. Há ainda uma carta na manga regulatória: uma medida provisória já autoriza o Executivo a injetar até R$ 5 bilhões no fundo. Pelo desenho preliminar, contudo, o plano é começar pelo saldo disponível e só recorrer ao reforço se a demanda das duas faixas, inadimplentes e adimplentes, esgotar essa folga.

A janela ficou apertada por choque de agendas: Durigan tem viagem oficial à China na próxima semana e o Executivo busca encerrar a divulgação antes do início de julho, prazo que o governo enxerga como limite para não esbarrar nas regras de propaganda eleitoral. Daí o intervalo entre 29 de junho e os primeiros dias do mês seguinte.

Por que o setor bancário acompanha com cautela

O setor bancário, segundo o Valor, vê a nova rodada com preocupação. O argumento é que renegociar dívida de quem está em dia tende a encarecer o crédito livre e estimular o que os bancos chamam de “inadimplência artificial”, com clientes parando de pagar à espera do programa. A leitura ecoa o framework de risco moral em crédito subsidiado: quando uma camada de adimplentes pode acessar renegociação garantida pelo público, parte do incentivo a manter o pagamento em dia se dilui, e a expectativa pode contaminar tanto a inadimplência observada quanto a precificação no mercado livre. O time econômico do governo rejeita essa leitura. “O objetivo é evitar a entrada dessas pessoas na inadimplência”, dizem interlocutores do governo ao Valor, defendendo que o público-alvo paga em dia, mas em juros considerados abusivos.

O debate é alimentado por leitura recente do próprio Banco Central. No relatório de operações de crédito de abril, o BC levantou a hipótese de que a expectativa do Desenrola pode ter influenciado o comportamento de inadimplentes, com a taxa de inadimplência de pessoa física subindo 0,1 ponto percentual, a 5,4%. A leitura do supervisor não fecha causalidade, mas coloca um sinal amarelo sobre o desenho da segunda fase, agora voltada a um público que ainda paga em dia.

O que observar

A pergunta operacional é onde o desenho final fixa a relação entre os juros subsidiados e a cobertura do FGO. Se a faixa de juros vier mais comprimida, a probabilidade de uso da garantia pública sobe, e a sensibilidade do custo de crédito livre aos volumes contratados também. Vale acompanhar como bancos médios e fintechs de crédito ao consumo vão reprecificar a faixa de informais depois do anúncio, já que parte do estoque renegociado pode migrar de carteiras privadas para a operação garantida. O comportamento das carteiras de CDC sem garantia entre julho e setembro será a primeira leitura empírica do desenho, e a autoridade monetária já sinalizou que o ciclo anterior do programa pode ter mexido nos indicadores de inadimplência de pessoa física.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: Fazenda mira CDC sem garantiaLet’s Money: R$ 5,7 bi em dinheiro esquecido vira garantiaLet’s Money: BC e a inadimplência de PF em abril

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