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TokenizaçãoFintech · Anbima

Com Drex parado, B3 e Anbima tocam a tokenização

Segunda fase do piloto do Drex terminou em novembro de 2025 e a retomada só é esperada para 2027. Anbima, B3, Núclea e Cerc seguem na tokenização.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Repr

Com o piloto do Drex sem nova fase desde novembro de 2025, a agenda de tokenização no Brasil ficou nas mãos das entidades e das infraestruturas do próprio mercado. Anbima, B3, Núclea e Cerc tocam frentes próprias, e a retomada do projeto do Banco Central só é esperada para 2027, segundo o Valor apurou com fontes do mercado financeiro.

Quem está tokenizando o quê no Brasil

Iniciativa Estágio
Piloto do Drex (Banco Central) Segunda fase encerrada em novembro de 2025; 55 participantes desde 2023 e 13 casos de uso
Piloto da Anbima (fundos e debêntures) Cerca de 50 instituições; testes iniciados em julho de 2026
Tokenizadora B3 e B3RL (stablecoin de real) Em desenvolvimento
Duplicatas mercantis tokenizadas na Núclea Mais de R$ 1 bilhão, segundo a empresa
Plataforma de interoperabilidade da Cerc Lançada em julho de 2026

Iniciativas de tokenização no mercado brasileiro e o estágio de cada uma. Fonte: Valor Econômico

Onde o piloto do Drex parou

Lançado em 2023, o projeto do Banco Central chegou a 55 participantes, entre empresas de criptoativos e bancos. Os testes cobriram títulos públicos digitais, com resgate, venda e compra, e somaram 13 casos de uso escritos como contratos inteligentes. A segunda fase terminou em novembro de 2025 e nenhuma etapa seguinte foi aberta desde então.

Pela apuração do Valor, a tecnologia de registro distribuído, que compartilha e valida registros entre os integrantes de uma mesma rede, não chegou nos testes ao patamar pretendido em segurança, privacidade e escalabilidade. Quem esteve nas duas etapas já descrevia a diferença de exigência entre elas. Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, André Carneiro, CEO da BBChain, resumiu a virada: “Na segunda fase, o Bacen virou para todo mundo e falou: OK, proponha seus cases. Agora você vai programar em blockchain”. Ele coordenava então um consórcio de 16 instituições financeiras, com casos como a cédula de crédito bancário tokenizada.

Quem toca a tokenização enquanto o Drex espera

Na Anbima, o trabalho está organizado em um piloto com cerca de 50 instituições, voltado a fundos e debêntures representados digitalmente em blockchain. A associação selecionou 20 casos de uso entre 39 propostas inscritas em abril de 2026, e o Let’s Money mostrou que o Itaú entrou no piloto de tokenização. A fase prática foi a campo em julho de 2026, e a associação quer levar o que aprender para a conversa regulatória com a CVM. “Nosso objetivo é definir, na prática, padrões para que diferentes participantes possam operar os mesmos ativos sem criar mercados isolados”, afirmou Marcelo Billi, head de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima.

A B3 tem duas peças em construção. Uma é a Tokenizadora B3, voltada a valores mobiliários. A outra é a B3RL, moeda digital atrelada ao real: a bolsa prepara a stablecoin de real para dar liquidação a operações tokenizadas, conforme a própria companhia detalhou. No piloto do Drex, o teste com debêntures juntou a bolsa a Bradesco, Santander e BTG Pactual, e deixou claro que representar o ativo em token resolve só um pedaço: o desenho precisa integrar registro, emissão, liquidação, governança, segurança e exigência regulatória. “A tokenização e a modernização da infraestrutura são temas estruturais. É esperado que diferentes iniciativas avancem em paralelo”, disse ao Valor Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3.

A Núclea já mostra volume. Segundo a companhia, as duplicatas mercantis tokenizadas já passam de R$ 1 bilhão. Em 7 de agosto de 2026, a empresa escriturou a primeira duplicata escritural já dentro da produção assistida, em operação de mercado acompanhada pelo BC. Essa fase vai de 15 de julho de 2026 a 11 de janeiro de 2027, pelo cronograma divulgado pela B3, e existe para validar os fluxos entre quem integra o novo ecossistema. O pano de fundo é a estreia do ecossistema de duplicatas escriturais.

A Cerc atacou o problema pelo lado da ligação entre sistemas. Em julho de 2026, a empresa pôs no ar sua plataforma de interoperabilidade: um fundo de direitos creditórios registrado nela consegue comprar uma duplicata escritural que esteja registrada na B3, emitida por fornecedor que tenha o devedor conectado à Núclea. Os três sistemas coordenam entre si a troca de titularidade e o aviso ao devedor.

O que observar

O ponto em aberto é o do padrão. Cada infraestrutura de mercado está erguendo a própria camada de tokenização, com regras de emissão, registro e liquidação definidas caso a caso, enquanto o trilho público era o candidato natural a denominador comum. Se a retomada do Drex ficar mesmo para 2027, vale acompanhar quanto desse desenho já terá endurecido até lá, e se caberá ao regulador padronizar o que o mercado montou ou ao mercado se ajustar ao que vier depois.

A pergunta prática é de custo de conversão. Registradoras, bolsas, associações de mercado e gestoras que já colocaram equipe e sistema em piloto vão medir retorno pelo que sobreviver à padronização. Vale acompanhar se as discussões com a CVM sobre representação digital de fundos e títulos de dívida saem antes ou depois do retorno do trilho público, porque a ordem define quem escreve a regra.

Fontes: Valor EconômicoAnbimaB3Bora InvestirLet’s Money Podcast

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