A Gradient Labs, startup britânica fundada por ex-executivos do Monzo para construir agentes de IA especialistas em serviços financeiros, captou mais US$ 13 milhões e dobrou sua rodada Series A para US$ 26 milhões. O cheque foi liderado por Octopus Ventures e CommerzVentures, com aportes de follow-on dos investidores anteriores Redpoint Ventures e Exceptional Capital.
Receita 9x em um ano e 32 milhões de usuários alcançados
Fundada em 2023 por Dimitri Masin (ex-líder de dados do Monzo), pelo cientista-chefe Danai Antoniou e por Neal Lathia, responsável pela infraestrutura de machine learning do banco digital, a Gradient construiu uma suíte de agentes verticais para finanças. Um deles automatiza o ciclo de cobrança em crédito, da primeira parcela em atraso até a renegociação. Outro cobre disputas de cartão, da triagem ao chargeback. Um terceiro faz Know Your Business (KYB), com checagens de identidade e documentos. A receita cresceu 900% no último ano, segundo a empresa, e os agentes alcançaram mais de 32 milhões de usuários finais por meio de clientes como Wise, Monzo, Pockit, Current, Stash, Rho e Zego.
Composição da Series A da Gradient Labs
| Tranche |
Data |
Valor |
Liderança |
| Anúncio inicial |
Julho de 2025 |
US$ 13 mi |
Não divulgada na fonte |
| Extensão |
Junho de 2026 |
US$ 13 mi |
Octopus Ventures, CommerzVentures |
| Total Series A |
— |
US$ 26 mi |
— |
Valores da Series A da Gradient Labs. Fonte: Finextra
A aposta em autonomia contra o consenso do copiloto
Em postagem no blog da própria Gradient, Masin escreveu que “banks should run on auto-pilot”. Para ele, atendimento ao cliente, compliance e back-office deveriam ser conduzidos por agentes de IA “provably compliant at every step”, liberando os times humanos para o que importa mais para o cliente e por uma fração do custo atual.
O argumento entra de frente no consenso do setor, que vê copilotos assistidos como modelo mais seguro. Masin defende o contrário: “the industry has mostly bet the other way for now, assuming AI is safer as a co-pilot. We’ve spent three years proving the opposite”, afirmou. Segundo ele, autonomia completa é o que entrega resultados mais seguros, mais aderentes a compliance e mais satisfatórios para o usuário final.
Conexão com o Brasil e próximos passos
O Let’s Money já mostrou em março um piloto da Gradient com o LHV Bank, banco britânico que rodou a tecnologia em atendimento ao cliente. A nova tranche vai bancar a expansão da Gradient nos Estados Unidos, onde Stash, Rho e Current já são clientes, e investimentos em produto e equipe técnica. No Reino Unido e Europa, a base inclui Wise, Monzo, Zego e Pockit.
O que observar
Se a tese de autonomia completa se mantiver à medida que bancos tradicionais entrarem na carteira, agentes verticais especializados podem virar a próxima onda de software regulado, pressionando margens de BPO e exigindo redesenho de auditoria e compliance. Reguladores de serviços financeiros vão precisar definir como auditar decisões de agentes autônomos quando o erro impacta consumidor final. Para fintechs e bancos médios sem time interno de ML, a escolha entre construir copiloto próprio ou contratar agente vertical pode definir a economia unitária do atendimento e do back-office nos próximos ciclos.
Fontes: Finextra • Sifted • Tech.eu • Tech Funding News • Finovate