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Febraban: dívidas dos brasileiros ficaram mais caras

Febraban: dívidas ficaram mais caras, não só maiores. Metade dos endividados com crédito pessoal deve acima de R$ 10 mil, segundo o Serasa.

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Atualizado em

Foto: Divulgação

O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou nesta quarta-feira (20) que o endividamento das famílias brasileiras não cresceu apenas em volume: cresceu em custo. Dados do Serasa mostram que metade dos endividados com crédito pessoal deve mais de R$ 10 mil, revelando uma mudança no perfil das dívidas.

Dívidas acima de R$ 10 mil, por categoria

Categoria de crédito Endividados com dívida acima de R$ 10 mil
Crédito pessoal e empréstimos 50%
Cartão de crédito 37%
Cheque especial 35%

Dívidas bancárias dos brasileiros por categoria. Fonte: Valor Investe

Crédito como mecanismo de sobrevivência

“Nós não estamos somente com mais dívidas, mas com dívidas mais caras”, afirmou Sidney no Fórum de Bem-Estar Financeiro, organizado pelo Sicredi. O executivo provocou o público a questionar uma mudança estrutural no papel do crédito no país: “O crédito deixou ou não de ser um instrumento de antecipação de despesa? E passou ou não a ser um mecanismo de sobrevivência financeira? A gente precisa fazer essa reflexão.”

O diagnóstico converge com o de relatório publicado pela Kinea na véspera: “o consumidor brasileiro endividado não é um tema de um trimestre. É um regime”, escreveu a gestora, que reduziu exposição a setores de consumo discricionário após concluir que o custo de vida cresceu mais do que a renda estrutural das famílias, mesmo com o desemprego em mínimas históricas. É o mesmo pano de fundo que levou a inadimplência a atingir recorde histórico em janeiro, pressionada por juros altos e endividamento das famílias.

Concessão responsável e educação financeira como saída

Para Sidney, os programas de renegociação de dívidas, embora válidos, têm alcance limitado: “dão um alívio instantâneo, mas não enfrentam a causa de forma estrutural.” A Febraban defende uma resposta sistêmica: “Crédito não é renda e nem complemento de renda (…) Por isso, temos que caminhar para a concessão responsável e sustentável, para a adequação do produto ao perfil do cliente e para fazer com que a educação financeira ganhe uma escalabilidade importante, para formar hábitos de consumo e poupança, capacitando o cidadão na tomada de decisão”, completou o executivo.

A trajetória recente reforça a preocupação. A Febraban projetava expansão da carteira de crédito em 2025, mas o crescimento se deu num ambiente de juros elevados, ampliando o custo do serviço da dívida para quem precisou rolar posição.

O que observar

A coexistência de inadimplência em alta com desemprego em mínima histórica desloca o problema do mercado de trabalho para o custo do crédito em si. Vale acompanhar se instituições que operam nas linhas de maior risco, como rotativo e crédito pessoal sem garantia, ajustarão critérios de concessão a partir dessa leitura ou manterão o ritmo de crescimento da carteira.

A escalabilidade de educação financeira citada como solução ainda carece de evidências sobre o quanto altera o comportamento de quem já está dentro do ciclo de endividamento, e não apenas de quem ainda vai contratar crédito. O indicador mais relevante a acompanhar nos próximos meses é o comprometimento de renda das famílias nos relatórios do Banco Central: se a combinação entre juros altos e perfil mais caro de dívida avançar, programas de alívio pontuais tendem a crescer em fila sem resolver o problema estrutural.

Fontes: Valor InvesteInfoMoneyLet’s MoneyLet’s Money

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