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RegulaçãoRegulação · Banco Master

FMI deve repetir alerta ao Brasil por arcabouço de resolução bancária

Novo FSAP deve classificar regras de resolução bancária como defasadas. PLP 281/19, apresentado em 2019, segue parado na Câmara após 7 anos.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Brasil deve receber uma nova avaliação negativa do Fundo Monetário Internacional sobre seu arcabouço de resolução bancária. O diagnóstico vem do próprio Banco Central, que reconhece que pouco mudou desde a última crítica do FMI, em 2018, quando o sistema foi classificado como “inadequado”.

Resolução bancária no Brasil: 8 anos sem avanço legislativo

Quando O que aconteceu
2018 FSAP classifica arcabouço como “inadequado”
2019 BC apresenta PLP 281/19 à Câmara
2019-2025 Projeto parado, sem avanço legislativo
Mar/2026 Caso Banco Master recoloca tema na pauta
Abr/2026 Novo FSAP deve repetir avaliação negativa

Linha do tempo da legislação de resolução bancária. Fonte: Valor Econômico

O que o FSAP avalia e por que importa agora

O Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP, na sigla em inglês) é conduzido pelo FMI e pelo Banco Mundial em países sistemicamente importantes. Avalia resiliência do sistema financeiro, qualidade da regulação e capacidade de gerenciar crises. A rodada atual começou em junho de 2025, envolveu cerca de 500 reuniões com órgãos do governo, BC, CVM, Susep e Previc, e foi encerrada em janeiro de 2026. O relatório final deve ser apresentado à diretoria-executiva do FMI em julho.

Enrico Vasconcelos, chefe da Secretaria de Governança, Articulação e Monitoramento Estratégico do BC, reconheceu que a avaliação deve ser dura. “Se o FMI faz uma recomendação no FSAP e passam-se sete ou oito anos e não houve muita mudança, a tinta vem mais vermelha. Provavelmente esse é um ponto que eles vão chamar bastante atenção”, disse Vasconcelos ao Valor Econômico. O PLP 281/2019, apresentado pelo BC à Câmara para alinhar o país aos padrões do Financial Stability Board (FSB), ficou anos sem avançar e só voltou à pauta após as liquidações ligadas ao Banco Master.

O impasse dos recursos públicos

O principal ponto de resistência na Câmara é a previsão de uso de recursos públicos como última instância. O projeto cria fundos de resolução abastecidos pelo mercado para absorver perdas antes que dinheiro do contribuinte seja acionado. Segundo a proposta, um empréstimo da União ao fundo só seria possível em casos de risco sistêmico, e o Conselho Monetário Nacional precisaria autorizar a operação. Há resistência do PT a esse trecho.

Para Vasconcelos, a estrutura tornaria “muito mais difícil” que recursos públicos fossem necessários, já que existiriam mais instrumentos para resolver antes de chegar nesse ponto. Bruno Pigatto, do Rayes e Fagundes Advogados, argumentou que o mecanismo é “um recurso da própria sociedade mobilizado como um escudo para proteger sua estabilidade econômica”, não um privilégio aos bancos. O caso Master, que já custou R$ 60 bilhões ao FGC e forçou reforma nas regras, ilustra o custo de operar com instrumentos limitados.

O que observar

O diagnóstico do FSAP coloca o país numa posição incômoda: sistemicamente importante, mas operando com regras de resolução que o próprio regulador reconhece como defasadas. O custo de manter instrumentos limitados já se materializou: o caso Master consumiu R$ 60 bilhões do FGC, um fundo privado com liquidez de R$ 120 bilhões. Em episódio do podcast Let’s Money gravado no dia da ação da Polícia Federal no Master, analistas apontaram que o FGC “não é instituição pública, é uma seguradora privada com teto de sinistralidade” e que a conta da resolução acaba repassada ao consumidor via spread bancário.

Se o PLP 281/19 for aprovado, o país ficaria quase inteiramente aderente aos atributos-chave do FSB. Se continuar travado, o gap entre a sofisticação do sistema financeiro e a fragilidade do arcabouço de crise só aumenta. Vale acompanhar se a pressão do relatório do FMI, previsto para julho, gera tração legislativa real ou se o projeto volta a hibernar. O FSAP também vai avaliar segurança cibernética e regulação de criptoativos, temas onde o BC fez movimentos recentes, o que pode render avaliações mais favoráveis e contrastar com o atraso em resolução.

Fontes: Valor EconômicoMinistério da FazendaCâmara dos DeputadosFMI (FSAP 2018)Let’s MoneyLet’s Money Podcast

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