O iFood Pago fechou o ano fiscal 2026 respondendo por 25% da receita do iFood e cresceu mais rápido que a operação de delivery, segundo números divulgados pela Prosus. A vertical financeira somou cerca de R$ 2,5 bilhões no exercício e ajudou a virar a composição do faturamento: a maior parte do total já vem de operações fora da entrega de refeições.
Composição da receita do iFood no ano fiscal 2026
| Linha |
Receita |
Observação |
| Publicidade |
R$ 1,2 bi |
+106% em 12 meses (partiu de R$ 580 mi) |
| iFood Pago (fintech) |
R$ 2,5 bi |
25% da receita total |
| Receita consolidada |
R$ 10,1 bi |
Mais da metade fora do delivery |
Ano fiscal 2026 do iFood, de abril de 2025 a março de 2026. Fonte: InvestTalk BB (Broadcast Notícias)
Fintech puxa mais que o delivery
Segundo dados divulgados pela Prosus, controladora holandesa do aplicativo, a fintech somou R$ 2,5 bilhões no exercício encerrado em março de 2026 e cresceu bem acima da média do negócio. O braço reúne o iFood Pago, a adquirente Zoop e o iFood Benefícios, plataforma de vale-refeição que disputa clientes com VR e Sodexo. No release da controladora, a receita de pagamentos avançou 93% em 12 meses e o estoque em crédito para restaurantes chegou a R$ 1,8 bilhão.
A leitura é convergente com movimentações recentes do setor. O talento formado nessa vertical virou alvo de rivais: em maio, o Asaas criou uma vertical de crédito trazendo um VP recém-saído do iFood Pago. E o eixo maior, o embedded finance, é apontado como oportunidade de US$ 18 bilhões no Brasil até 2030, um bolo que o iFood pode capturar via base recorrente.
Publicidade dobra e vira frente própria
A receita com anúncios do iFood dobrou em 12 meses e chegou a R$ 1,2 bilhão, alta de 106% na comparação anual. Ainda assim, a empresa vê o formato como sub-explorado. O modelo se aproxima do usado por plataformas digitais globais: transformar frequência de uso em inventário publicitário para restaurantes e marcas. “Cria um ciclo virtuoso no qual cada transação gera mais dados do cliente, maior engajamento e oportunidades adicionais de monetização”, aponta o BTG Pactual em relatório citado pela publicação.
A Prosus enquadra o esforço numa tese de superapp inspirada em modelos asiáticos. Nas contas da controladora, entregar refeição na região vale cerca de US$ 8 bilhões por ano, mas o conjunto das novas verticais chega perto de US$ 100 bilhões. Viagens lideram o potencial (US$ 22 bilhões), enquanto pagamentos, publicidade e classificados online ficam cada um estimados em US$ 10 bilhões. As projeções partem do próprio corpo executivo e consideram escala de cada mercado, adoção digital e cenários de monetização.
O que observar
A rota escolhida coloca o iFood no mesmo tabuleiro dos grandes bancos digitais quando o assunto é monetização de base. A pergunta central é se a receita fora do delivery vai continuar crescendo em ritmo forte o suficiente para justificar o custo de manter o núcleo de entregas defendido contra novos entrantes agressivos em preço. Vale acompanhar como plataformas de crédito para pequenos comércios e adquirentes vão reagir a um concorrente que junta dado transacional em tempo real com base de restaurantes recorrentes.
A segunda leitura é regulatória. Vale-benefício, adquirência e crédito para PJ têm regras distintas, e o volume alcançado por cada frente do iFood Pago começa a atrair atenção. A tensão para acompanhar é entre a velocidade de monetização das novas verticais e a governança que produtos financeiros exigem quando ganham escala.
Fontes: InvestTalk BB (Broadcast Notícias) • Prosus (release FY26) • Brazil Journal • Let’s Money: Asaas cria vertical de crédito e traz VP ex-iFood Pago • Let’s Money: Embedded finance mira US$ 18 bi no Brasil até 2030