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CréditoCrédito · Banco Central

Inadimplência atinge recorde histórico em janeiro

Indicador chegou a 4,2% no primeiro mês do ano, pressionado por juros altos, endividamento das famílias e mudança regulatória

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· 2 min

Atualizado em

Foto de Towfiqu barbhuiya na Unsplash

A inadimplência bancária atingiu 4,2% em janeiro de 2026, marcando o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. O indicador considera operações com atraso superior a 90 dias e vem subindo consistentemente desde o fim de 2024, quando estava em 3%. O recorde anterior havia sido registrado em maio de 2017, logo após a última grande recessão econômica.

Fatores técnicos e conjunturais

Segundo o Valor Econômico, parte da alta reflete mudança regulatória implementada pelo Banco Central. A resolução 4.966, que entrou em vigor em janeiro de 2025, alterou a forma como as instituições financeiras gerenciam risco de crédito, substituindo o modelo de perda incorrida pelo de perda esperada. Essa mudança amplia o prazo para baixar créditos inadimplentes a prejuízo, fazendo os atrasos permanecerem mais tempo nas carteiras.

Porém, o fator técnico explica apenas parte do problema. No Relatório de Política Monetária de setembro, o BC atribuiu 70% do aumento da inadimplência observada no ano aos efeitos da norma. Os 30% restantes decorrem da conjuntura econômica adversa.

Juros altos e endividamento familiar

O endividamento das famílias alcançou 49,7% em dezembro, o maior nível desde julho de 2022. Além disso, o comprometimento de renda chegou a 29,2% no mesmo período. Com a Selic mantida em 15% desde junho, maior patamar em quase 20 anos, as famílias têm recorrido a modalidades emergenciais de crédito.

Isabela Tavares, economista sênior da Tendências Consultoria, destaca que consumidores acabam entrando no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito. “Acabam entrando nessas modalidades que têm os juros absurdos, então vira aquela bola de neve”, afirma.

No crédito livre, a inadimplência subiu para 5,5% em janeiro. Já no direcionado, que inclui financiamento imobiliário e rural, o índice avançou para 2,5%. A Febraban projeta que a inadimplência do crédito livre feche 2026 em 5,2%, abaixo do nível atual, diante da expectativa de queda da Selic. A Tendências Consultoria projeta 5,1% no crédito livre e 3,9% no saldo total.

Para mais informações sobre tendências do mercado de crédito e impactos da política monetária, confira as matérias sobre regulação financeira no Let’s Money.

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