A inadimplência do crédito no Brasil chegou, em julho de 2026, a 4,9%, o nível mais alto já registrado pelo Banco Central desde o começo da medição, em 2011. No mesmo mês, a taxa anual do rotativo do cartão para pessoas físicas recuou a 436,2%. Os dois números saíram na mesma divulgação, em 28 de agosto de 2026.
O peso maior está nas famílias. O atraso nas operações com pessoas físicas subiu 0,4 ponto no mês e ficou em 5,8%, enquanto o das empresas avançou 0,1 ponto, para 3,3%. Quando o recorte é o crédito com recursos livres, aquele em que a taxa é negociada entre banco e cliente sem destinação obrigatória, o indicador das famílias chega a 7,8% e o das empresas, a 4,2%. A carteira livre inteira ficou em 6,4%.
“A inadimplência da carteira de crédito total do SFN situou-se em 4,9%, com elevações de 0,3 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em doze meses”, afirma a nota do regulador. O endividamento das famílias ficou em 49,8% em junho de 2026 e o comprometimento de renda, em 28,9%. Em julho de 2026, o Let’s Money mostrou que o BC vê maior risco das famílias no crédito sem garantia. Do lado corporativo, com outro recorte de medição, um levantamento da Serasa Experian apontou que a inadimplência de empresas bateu recorde de 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho de 2026.
O recuo acompanha um movimento mais amplo: a taxa média do crédito livre para pessoas físicas caiu 3,9 pontos e fechou julho de 2026 em 60% ao ano, puxada pelos recuos de 16,1 pontos no crédito pessoal não consignado e de 5,7 pontos no cartão de crédito total. Para pessoas jurídicas, o caminho foi inverso, com alta de 1,1 ponto, a 25,4% ao ano.
A carteira continua crescendo
O estoque total de crédito do sistema financeiro somou R$ 7,4 trilhões em julho de 2026, alta de 0,3% no mês e de 9,5% em doze meses. A carteira das famílias cresceu 0,8%, a R$ 4,6 trilhões, e a das empresas recuou 0,7%, a R$ 2,7 trilhões. A taxa média das concessões ficou em 32,1% ao ano e o spread bancário caiu 0,9 ponto, a 20,9 pontos percentuais.
O que observar
O recorde de atraso convive com carteira em expansão e com juro médio em queda no crédito livre. A combinação costuma testar a política de provisão de bancos de varejo e fintechs de crédito nos trimestres seguintes, porque a despesa reconhecida hoje nasce da safra originada meses atrás. Vale acompanhar se o recuo da taxa média para pessoas físicas se sustenta ou se reflete a composição de um mês só.
A pergunta que fica é quanto do estoque em atraso está concentrado nas linhas sem garantia, em que a renegociação sai mais cara para as duas pontas. Se o comprometimento de renda seguir em patamar elevado, o teste passa a ser originar crédito novo sem empurrar o atraso para cima. Emissores de cartão e plataformas de crédito ao consumo tendem a sentir primeiro esse ajuste.