O Banco Inter recebeu autorização do Escritório de Regulação Financeira da Flórida (OFR) para lançar e operar sua filial no estado, segundo informou a instituição ao Valor Econômico. A licença estadual destrava a operação bancária própria do Inter nos Estados Unidos e abre caminho para a migração de milhões de clientes que hoje usam a conta global do banco. Em janeiro de 2026, o Inter já havia recebido o aval do Federal Reserve para criar a unidade.
Cartões próprios e fim da dependência de parceiros
Segundo o Inter, a unidade nos EUA vai emitir diretamente seus próprios cartões de débito e crédito e oferecer produtos bancários e de crédito regulamentados sem depender de bancos parceiros terceirizados. É a virada de chave do modelo: até aqui, a operação americana dependia de instituições licenciadas locais para emitir cartões e processar serviços. Com a filial autorizada, o Inter passa a controlar a cadeia diretamente.
O alvo imediato é a base internacional. “A companhia pretende migrar seus atuais 5,5 milhões de clientes de conta global para esta nova estrutura, um movimento estratégico projetado para otimizar o mix de captação (funding), reduzir custos operacionais e apoiar sua próxima fase de crescimento internacional”, informou o banco. A conta global do Inter vinha sendo o principal canal de entrada desses usuários no exterior.
A operação do Inter nos EUA em números
Indicador
Número
Clientes de conta global a migrar
5,5 milhões
Clientes atuais nos EUA
mais de 300 mil
Estados onde o Inter está presente
45
Imigrantes latino-americanos na Flórida
mais de 16 milhões
Números da operação do Inter nos EUA. Fonte: Valor Econômico
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Do Usend em 2021 à licença para operar
O Inter passou a atuar no mercado americano em 2021, após a aquisição da fintech Usend. Desde então, construiu uma base de mais de 300 mil clientes no país e chegou a 45 estados. A licença do OFR marca a transição de um modelo apoiado em parceiros para uma presença bancária plenamente licenciada, capaz de captar funding local e emitir crédito sob regulação americana.
A Flórida virou o front da batalha dos digitais
A escolha da Flórida não é por acaso. Como o Valor mostrou no fim de 2025, bancos digitais que atuam na América Latina elegeram o estado, que tem mais de 16 milhões de imigrantes da região, como principal palco de batalha. A concorrência vem logo atrás: o Nubank, que mira latinos e jovens afluentes nos EUA, também aguarda sua licença para operar no país. A corrida pelo cliente latino-americano que vive nos Estados Unidos deixou de ser sobre remessas e passou a ser sobre conta bancária completa.
O que observar
A migração de uma base internacional de uma estrutura apoiada em bancos parceiros para uma licença bancária própria é o teste central. Vale acompanhar se a captação de funding local e a emissão direta de cartões reduzem de fato o custo operacional que justificou a mudança, sem fricção na transferência dos clientes. O segundo ponto é regulatório: reguladores estaduais americanos passam a ser interlocutores diretos de bancos digitais latino-americanos, o que muda a régua de compliance e capital. E há a disputa pelo público imigrante: o mercado de remessas, antes o principal produto cross-border, perde espaço para a oferta de conta e crédito completos, e a Flórida concentra essa briga. Para o ecossistema de fintechs, a pergunta é se outras instituições da região vão seguir o mesmo caminho de licenciamento próprio.