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J.P. Morgan alerta para fragilidades no crédito brasileiro

Dos 53 emissores do CEMBI Brasil, 18 têm pressão de balanço ou financiamento. Consumo, óleo e gás e utilities concentram casos.

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· 3 min

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24K-Production / Shutterstock.com

Um terço das empresas brasileiras com dívida no exterior apresenta algum grau de pressão de balanço ou de financiamento, segundo levantamento do J.P. Morgan. Dos 53 emissores que integram o CEMBI Brasil, índice de títulos corporativos em moeda forte, 18 foram classificados com vulnerabilidades em alavancagem, liquidez, geração de caixa ou necessidades de refinanciamento nos próximos 12 meses.

Raio-x do crédito corporativo brasileiro (CEMBI Brasil)

Indicador Dado
Emissores analisados 53 (excl. defaults e reestruturações)
Com pressão de balanço/financiamento 18 (~34%)
Setores mais vulneráveis Consumo, óleo e gás, transporte, utilities
Critérios Alavancagem, liquidez, caixa, refinanciamento 12M, operacional

Fonte: J.P. Morgan via Valor Econômico

Setores sob pressão e eventos recentes de crédito

O levantamento cita uma sequência recente de eventos que acendeu o alerta: os casos de Ambipar, Braskem, Raízen e o atraso na divulgação dos resultados da Aegea. “Não identificamos um problema sistêmico entre as empresas brasileiras, mas sim focos de fragilidade”, disse Natalia Corfield, que lidera a equipe de análise de crédito privado para América Latina do J.P. Morgan. O setor de consumo é o que concentra mais empresas vulneráveis, combinando alta alavancagem, queima de caixa e necessidade de refinanciamento. Natura e Amaggi são citadas pelo banco, além de empresas de açúcar e etanol.

Os segmentos de óleo e gás e de transporte também aparecem com temas recorrentes de alavancagem elevada e vencimentos no curto prazo. Em utilities, Sabesp e Aegea são apontadas por queima de caixa. A pressão sobre crédito privado não é exclusiva do Brasil, mas os analistas do J.P. Morgan observam que a América Latina se descolou do restante dos mercados emergentes, com taxas de inadimplência de títulos high yield ESG na região acima do universo mais amplo.

Atenuantes e perspectiva do banco

O banco pondera que nem todos os 18 casos devem se materializar em eventos de crédito. Entre os atenuantes, cita flexibilidade de capex (como no caso da CSN), ciclos de investimento próximos do fim (Oceanica), possibilidade de venda de ativos e, no caso da Eldorado Brasil, custos de caixa competitivos que favorecem desalavancagem mais rápida. Para os analistas, o movimento reflete fragilidades comuns: juros domésticos elevados, dinâmica adversa de commodities e estruturas de capital pouco resilientes a choques. Uma análise da Vontobel Asset Management aponta que investidores crossover com pouca experiência em mercados emergentes têm amplificado a pressão vendedora de forma indiscriminada.

O que observar

O dado de 34% dos emissores do CEMBI Brasil com algum grau de pressão coloca o crédito corporativo brasileiro em terreno delicado, ainda que o próprio banco descarte risco sistêmico. A questão prática para investidores de dívida emergente é se os spreads atuais refletem adequadamente esse nível de vulnerabilidade, dado que os analistas alertam que alguns créditos exigem rendimentos mais elevados do que os negociados hoje. Com juros domésticos restritivos e commodities sem tendência clara de recuperação, a capacidade de rolagem de dívida nos próximos 12 meses se torna o teste decisivo. Emissores com refinanciamento concentrado no curto prazo e caixa pressionado enfrentam uma janela cada vez mais estreita.

Fontes: Valor EconômicoVontobel Asset ManagementLet’s Money

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