O JP Morgan reportou o maior lucro trimestral da sua história, US$ 21,2 bilhões no segundo trimestre, alta de 41% em um ano. O número veio inflado por um ganho não recorrente com a fatia do banco na Visa. Sem esse efeito, o lucro foi de US$ 16,9 bilhões, ainda acima do esperado, e a ação caiu cerca de 2,4% no pré-mercado de Nova York.
JP Morgan no 2º tri de 2026
| Métrica |
Valor |
Leitura |
| Lucro reportado |
US$ 21,2 bi |
+41% em um ano |
| Lucro ex-itens |
US$ 16,9 bi |
ROTCE de 23% |
| Lucro por ação |
US$ 7,70 |
US$ 6,14 ex-itens |
| Receita |
US$ 57,3 bi |
+28% em um ano |
| Trading (mercados) |
US$ 12,1 bi |
ações +86% |
Resultado do 2º tri de 2026. Fonte: JPMorganChase (via SEC)
O que puxou o lucro recorde
O salto veio dos mercados. A receita de trading somou US$ 12,1 bilhões, com a área de ações disparando 86% em um ano, impulsionada por um período de forte volatilidade global. As taxas de banco de investimento subiram 30%, para US$ 3,3 bilhões, o maior nível desde 2021. A margem financeira avançou 10%, a US$ 25,6 bilhões, e todas as linhas de negócio do banco bateram recorde de receita no trimestre.
O balanço chega num momento em que a instituição acelera apostas em tecnologia, de conectar o câmbio em tempo real à infraestrutura de pagamentos da Índia a rever a própria estrutura de liderança em inteligência artificial.
Por que a ação caiu mesmo com o recorde
Bater as projeções não segurou a ação: os papéis do banco cederam cerca de 2,4% antes da abertura em Nova York. A leitura do mercado foi cautelosa, porque o lucro reportado embute um ganho não recorrente de US$ 4,6 bilhões com a reavaliação da participação do banco na Visa. Descontados os itens extraordinários, o avanço do lucro foi de apenas 13%, e não os 41% da manchete. O lucro que exclui itens não recorrentes, US$ 16,9 bilhões, equivale a US$ 6,14 por ação, ante um consenso de US$ 5,59 por ação apurado pela FactSet.
Em comunicado, Jamie Dimon, presidente e CEO do banco, afirmou que “a economia dos EUA demonstrou resiliência notável neste ano, com investimento empresarial e contratações mais fortes” (em tradução livre), citando o investimento em IA e o estímulo fiscal como motores. O contexto ajuda a explicar por que os grandes bancos americanos abriram a temporada de balanços com números fortes, num setor em que estimativas apontam que a IA pode eliminar milhões de vagas na próxima década.
O que observar
O recorde reacende uma pergunta que vai acompanhar toda a temporada de balanços dos grandes bancos: quanto do resultado é recorrente e quanto veio de fatores que não se repetem. Ganhos contábeis pontuais e uma janela de forte volatilidade nos mercados inflaram as receitas de trading do trimestre, e volatilidade não é linha de receita previsível. Para gestoras e investidores, o teste será o próximo trimestre, quando o efeito de itens não recorrentes some e a margem financeira volta a ser o termômetro. Vale acompanhar também se a onda de eficiência via IA no setor financeiro começa a aparecer nos custos, e não apenas nos discursos.
Fontes: Valor Econômico • JPMorganChase (SEC) • WTOP