O banco belga KBC lançou o “anjo da guarda”, recurso antifraude que já chegou a mais de 4 milhões de clientes na Bélgica. A ideia é simples: o cliente nomeia uma pessoa de confiança que pode revisar, e barrar, pagamentos suspeitos antes que eles saiam da conta.
Guardian Angel em números
| Item |
O que diz o banco |
| Alcance |
Mais de 4 milhões de clientes (Bélgica) |
| Piloto |
2.000 clientes antes do lançamento |
| Motor de detecção |
Mais de 150 sinais e 700 padrões, em até 4 segundos |
| Acesso da pessoa de confiança |
Só o pagamento suspeito, sem acesso às contas |
Dados do recurso Guardian Angel. Fonte: Finextra
Como o “anjo da guarda” funciona
Para ativar o recurso, o cliente escolhe uma única pessoa de confiança do próprio círculo. Os dois precisam estar presencialmente juntos para escanear um QR code gerado no aplicativo de banco do KBC, o que confirma o papel. A partir daí, quando o sistema do banco identifica um pagamento suspeito, a operação fica temporariamente em espera e tanto o cliente quanto a pessoa de confiança recebem uma notificação. A equipe central antifraude do KBC também liga para a pessoa de confiança e pede que ela verifique o alerta.
Cabe a essa pessoa entrar em contato com o titular da conta para checar se está tudo em ordem. Só então ela aprova ou rejeita o pagamento, e as duas partes recebem a confirmação da decisão. O acesso é deliberadamente restrito: o anjo da guarda enxerga apenas o pagamento suspeito, sem qualquer visão das contas ou de outras transações do cliente. Segundo o banco, o KBC é o primeiro banco belga a lançar o conceito, aberto ao público depois de uma fase piloto com 2.000 clientes.
Detecção em segundos e a aposta de abrir o recurso
O anjo da guarda é a camada visível de uma engrenagem maior. O KBC afirma que seu sistema de detecção analisa cada transação digital contra mais de 150 sinais de alerta e 700 padrões de fraude, em no máximo quatro segundos por operação. O alvo são golpes de manipulação que levam a própria vítima a autorizar o pagamento, como golpes de relacionamento, de amizade, tomada de conta, falsidade ideológica e falsas promessas de investimento. Esse tipo de fraude por engano tem levado bancos e redes a reforçar a checagem no momento do pagamento, caso da Visa, que lançou um score de fraude para transferências entre contas, enquanto reguladores vêm alertando para golpes que aparecem antes do pagamento.
“A luta contra a fraude digital exige um esforço conjunto de várias partes. Quanto mais forte a colaboração entre bancos, operadoras de telecom, empresas de tecnologia e governos, menos espaço os fraudadores têm para agir”, afirmou Karen Van De Woestyne, diretora de Transformação Digital e Ecossistemas (Director Digital Transformation & Ecosystems) do KBC. Ela acrescentou que o banco pretende ir além da própria base: “É por isso que o KBC está disponibilizando o conceito a outros bancos sob demanda, e várias partes já demonstraram interesse”.
O que observar
Colocar um terceiro de confiança dentro do fluxo de pagamento levanta perguntas que só o uso vai responder: e se a pessoa de confiança não responder a tempo? Até onde vai o limite entre proteção e privacidade? E a checagem humana consegue escalar diante de fraudes cada vez mais automatizadas? Se o desenho reduzir perdas sem travar transações legítimas, e se abrir para outras instituições, a tendência é que o modelo vire referência de mercado além de um só banco.
Fontes: Finextra • KBC newsroom