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Mastercard reconhece que acesso não garante resiliência

Mastercard quer conectar e proteger 500 milhões até 2030, focando em saúde financeira; Pix é citado como modelo de escala sem uso sustentável.

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A Mastercard comprometeu-se a conectar e proteger 500 milhões de consumidores e pequenas empresas até 2030, deslocando o foco da expansão do acesso para a saúde financeira; a empresa cita o Pix, no Brasil, como modelo de infraestrutura escalável cujo uso sustentável permanece desigual.

Fragilidade financeira: os números da iniciativa

Indicador Dado
Consumidores sem reserva para choque financeiro 1 em cada 3
PMEs fechadas em 6 meses após ataque cibernético 60%
Meta Mastercard até 2030 500 mi de consumidores e PMEs conectados e protegidos

Indicadores citados por Bunita Sawhney, diretora de produtos de consumo da Mastercard. Fonte: PYMNTS

Do acesso ao uso sustentável

A fase anterior da estratégia da Mastercard concentrou-se em integrar usuários ao sistema financeiro por meio de cartões, carteiras digitais e redes de aceitação. A nova etapa dirige atenção ao que acontece depois dessa primeira conexão. “Ainda temos muitas pessoas e empresas que não têm acesso suficiente, e aquelas que têm acesso não o utilizam com frequência nem adotam hábitos saudáveis que as ajudem a alcançar a saúde financeira”, disse Bunita Sawhney, diretora de produtos de consumo da empresa.

O diagnóstico inclui barreiras estruturais: ecossistemas fragmentados, lacunas na aceitação de pagamentos digitais por comerciantes e rendimentos irregulares que dificultam a formação de poupança. Carteiras digitais tornaram-se o principal ponto de entrada em muitos mercados; a Mastercard cita o Pix, no Brasil, e o UPI, na Índia, como exemplos de infraestrutura que possibilitou escala mas não garantiu uso sustentável de forma uniforme. O papel do Pix e do Open Finance como laboratório global de infraestrutura de pagamentos reforça essa leitura: volumes recordes não eliminam fragilidade de uma parcela dos usuários.

Para pequenas empresas, a digitalização traz benefícios imediatos: registros de transações, visibilidade de fluxo de caixa e acesso a crédito. A Mastercard já havia expandido esse foco ao criar executivos virtuais com IA para PMEs, iniciativa que converge com o movimento atual de integrar segurança e educação financeira nos mesmos canais de acesso.

Segurança integrada e coalizão necessária

A proteção, no modelo descrito pela Mastercard, não é complemento ao acesso: é pré-requisito. Mecanismos como direitos de contestação, salvaguardas contra fraudes e processos de reembolso reduzem a hesitação de consumidores e comerciantes para se aprofundarem nos sistemas digitais. A camada de confiança que a Mastercard desenvolveu para agentes de IA é expressão dessa mesma lógica aplicada a contextos mais avançados.

Sawhney foi categórica sobre os limites de qualquer iniciativa unilateral: “Este não é um jogo exclusivo da Mastercard. Precisamos compartilhar informações, precisamos compartilhar as melhores práticas e precisamos trabalhar em parceria para atender o cliente.” A empresa formou coalizão com instituições financeiras, fornecedores de tecnologia, governos e ONGs para coordenar esforços ao longo de todo o ciclo de participação financeira.

O que observar

O deslocamento do discurso da indústria de pagamentos de “acesso” para “saúde financeira” sinaliza reconhecimento de que conectividade, por si só, não gera resiliência. O teste será operacional: se as proteções integradas e os produtos simplificados chegam de fato aos segmentos de menor renda e às PMEs com menor maturidade digital, ou se ficam concentrados em camadas do mercado já próximas à formalização.

A fragmentação dos ecossistemas, destacada como obstáculo central, é um problema de incentivos que parcerias voluntárias têm dificuldade de resolver sem âncora regulatória. A velocidade com que regimes de divulgação ESG para instituições financeiras avançam pode ser o fator que converte compromissos voluntários em estruturas de governança com obrigações reais.

Fontes: PYMNTSLet’s MoneyLet’s Money

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