A Mastercard anunciou a meta de conectar mais 500 milhões de pessoas e pequenos negócios à economia digital até 2030, ampliando um esforço que já integrou 1 bilhão de pessoas e 65 milhões de empresas na última década. O compromisso mira os 2 bilhões de pessoas que permanecem desbancarizadas ou sub-bancarizadas no mundo.
Estratégia Mastercard para inclusão financeira até 2030
| Pilar |
Escopo |
Alcance atual |
| Essential Debit/Prepaid |
Cartões para desbancarizados |
Nigéria e Colômbia (expansão em meses) |
| Parceria Ericsson |
Wallets digitais via telecom |
22 países, 120 mi usuários, 4 bi transações/mês |
| Financial Health Coalition |
Coalizão global de fintechs e ONGs |
DANA, GCash, TrueMoney, MTN, Daviplata |
| SMB Tools |
Aceitação e risco cibernético |
Global |
Fonte: PYMNTS
A tese da Mastercard: de credencial a crédito
“Saúde financeira não acontece de uma vez. É uma jornada, desde obter uma credencial de pagamento e construir histórico de transações até acessar serviços mais avançados como crédito, empréstimos ou seguros”, disseram Jon Huntsman, vice-presidente e presidente de crescimento estratégico, e Jorn Lambert, chief product officer da Mastercard, em comunicado. A frase resume a lógica por trás da expansão: primeiro conectar, depois monetizar com produtos de maior valor agregado.
Os programas Essential Debit e Essential Prepaid, ativos na Nigéria e Colômbia, funcionam como porta de entrada para populações sem conta bancária e devem chegar a novos mercados nos próximos meses. Na camada de infraestrutura, a parceria com a Ericsson anunciada em fevereiro integra o Mastercard Move, que conecta mais de 17 bilhões de endpoints em 200 países e 150 moedas, à plataforma fintech da Ericsson, que opera em 22 países com 120 milhões de usuários ativos e processa 4 bilhões de transações por mês. O rollout começa pelo Oriente Médio e África.
Coalizão global e expansão na América Latina
A bandeira também lançou em novembro a Global Financial Health Coalition, que reúne instituições financeiras, ONGs, telecoms e provedores de wallets para promover comportamento financeiro saudável. Na América Latina, a presença da Colômbia entre os mercados pioneiros do Essential Prepaid e a inclusão de provedores regionais na coalizão sinalizam que a região é prioridade.
No Brasil, a bandeira tem acelerado movimentos em paralelo. Em março, a Mastercard lançou sua operação de Open Finance no país com a Lina Open X, e na África, a empresa firmou parceria com a Scale para emissão de cartões voltada a mercados emergentes. Juntas, as iniciativas compõem uma estratégia de cerco: credenciais básicas na base da pirâmide, wallets em mercados móveis e Open Finance onde a infraestrutura bancária já existe.
O que observar
A meta de 500 milhões de novas conexões até 2030 é ambiciosa, mas o indicador mais relevante não é volume de credenciais emitidas, e sim a taxa de ativação e uso recorrente. Programas de inclusão financeira historicamente enfrentam o desafio da conta inativa: pessoas que recebem a credencial mas não transitam para pagamentos digitais regulares. Se a integração com telecoms conseguir transformar wallets de operadoras em instrumentos de pagamento interoperáveis, a proposta ganha tração real.
Para a América Latina, vale acompanhar se os programas de cartões pré-pagos saem da Colômbia para outros mercados da região. A presença de provedores de wallets regionais na coalizão e o lançamento de Open Finance no Brasil indicam que a bandeira trata a região como laboratório de inclusão com infraestrutura financeira madura. O teste será converter acesso em uso, especialmente em mercados onde sistemas de pagamento instantâneo, mobile money e wallets locais já ocupam o espaço que cartões tradicionais não alcançaram.
Fontes: PYMNTS • Ericsson • CoinTurk Finance • Mastercard • Let’s Money