A startup americana Maximum saiu do modo furtivo com US$ 30 milhões em rodada seed para atacar o alicerce mais antigo dos bancos: o core banking. A proposta é substituir os sistemas legados que ainda rodam a maioria das instituições dos EUA por uma plataforma nativa de inteligência artificial, capaz de operar em tempo real e executar agentes autônomos.
A rodada e o problema que a Maximum ataca
| Item |
Dado |
| Rodada |
US$ 30 milhões (seed) |
| Investidor líder |
CRV |
| Também na rodada |
Pear VC, Restive, Plug and Play Ventures, Anthemis |
| Bancos nos EUA |
Cerca de 5.000 |
| Em core legado |
Mais de 70% |
| Saídas do fundador |
Vault para Acorns (2017), Power para Marqeta (2023) |
Rodada seed e histórico do fundador Randy Fernando. Fonte: GlobeNewswire
Um fundador serial mirando o core dos bancos
A Maximum é a terceira empresa de Randy Fernando, um operador conhecido no mercado fintech americano. Ele fundou e vendeu a Power para a Marqeta, em 2023, e antes disso havia vendido a Vault para a Acorns, em 2017. Agora ele levanta US$ 30 milhões em rodada seed liderada pela CRV, com participação de Pear VC, Restive, Plug and Play Ventures e Anthemis.
A tese é direta: colocar IA na fundação do sistema, e não como camada adicional. “Por décadas, os bancos tentaram atender às necessidades em evolução dos clientes sobre uma infraestrutura que nunca foi projetada para o mundo de hoje”, afirmou Fernando, em tradução livre. Para a CRV, o momento é de ruptura. “Cada geração de infraestrutura chega a um ponto em que melhorias incrementais deixam de ser suficientes”, disse Caitlin Bolnick Rellas, sócia-geral da CRV, também em tradução livre.
O oligopólio que trava a inovação bancária
O alvo da Maximum é um mercado concentrado. Nos Estados Unidos existem cerca de 5.000 bancos, e mais de 70% ainda operam sobre core construído no século passado, muito antes do mobile banking, dos pagamentos em tempo real, das moedas digitais e da IA. Segundo o American Banker, 76% dos 679 bancos pesquisados pela associação bancária do país usam um dos três provedores dominantes, com forte trava de saída: a maioria segue com o mesmo fornecedor há dez anos ou mais.
A disputa pelo core não é exclusividade americana. No Brasil e no mercado global, o movimento de reconstruir a infraestrutura bancária já mobiliza capital e M&A. A Lerian captou recursos mirando a disputa em core banking, a Pismo expandiu para 28 países após ser comprada pela Visa e provedores tradicionais correm para a nuvem, como no caso da Temenos, que reuniu core, digital e pagamentos em SaaS na AWS.
O que observar
A aposta de que IA precisa estar na fundação do core, e não em cima dele, é a hipótese central a acompanhar. Se ela se confirmar, os mais pressionados serão os provedores de core legado, cuja receita depende justamente da trava de saída que mantém bancos regionais e comunitários presos a contratos longos. A pergunta operacional é se uma plataforma nova consegue vencer o ciclo de vendas e certificação bancária, historicamente lento, antes que os incumbentes incorporem agentes de IA às próprias stacks.
Vale acompanhar também o lado da demanda: bancos de médio porte que hoje adiam a troca de core por custo e risco de migração podem reavaliar a conta se a promessa de automação de fluxos operacionais por agentes reduzir o custo total. O teste real não é o discurso de tecnologia, e sim a primeira migração completa em produção, o marco que separa protótipo de infraestrutura crítica.
Fontes: Finextra • GlobeNewswire • American Banker • Forbes