O Mercado Pago fechou a aquisição da Nikos DTVM após receber todas as aprovações regulatórias necessárias, incluindo do Banco Central. A operação, anunciada em setembro de 2025 e a primeira da fintech no Brasil, transforma uma parceria mantida desde 2022 em controle direto sobre a distribuição de CDBs, LCIs, LCAs e fundos.
Produtos sob controle direto após a integração
| Produto |
Categoria |
| CDB |
Renda fixa |
| LCI |
Renda fixa isenta |
| LCA |
Renda fixa isenta |
| Fundos (renda fixa, multimercado, ações) |
Renda variável e fixa |
| Debêntures incentivadas |
Renda fixa isenta |
Carteira de produtos disponível ao cliente. Fonte: Bloomberg Línea
De infraestrutura terceirizada a ativo próprio
A Nikos DTVM foi criada por ex-sócios da Órama, corretora vendida ao BTG Pactual em 2023, no modelo de Investment-as-a-Service. O Mercado Pago era o principal cliente da distribuidora desde 2022, quando a parceria comercial foi formalizada. O que muda com o fechamento não é a operação do dia a dia, mas a estrutura de controle: a fintech deixa de pagar por um serviço e passa a deter a infraestrutura que o entrega.
O CEO Breno Casiuch e o time da Nikos DTVM passam integralmente para o Mercado Pago. Outras entidades do grupo, como a Nikos Gestão, ficam fora da transação. O valor do negócio não foi divulgado. Em março, o Mercado Pago já sinalizava o apetite crescente pela vertical ao oferecer 140% do CDI em Cofrinhos para reter e atrair investidores na plataforma.
Fintechs disputam a vertical de investimentos
Os ativos sob custódia do Mercado Pago somavam US$ 13,8 bilhões no segundo trimestre de 2025, com crescimento acima de 100% na base anual. A internalização da Nikos elimina a dependência de terceiro para escalar essa base. “Para quem já investe pelo Mercado Pago, nada muda: as operações seguem exatamente da mesma forma. Com o avanço da integração, a expectativa é oferecer, progressivamente, uma experiência de investimentos ainda mais completa”, disse a empresa, em nota.
A corrida por investimentos entre as grandes fintechs se acelerou nos últimos meses. Em março, o PicPay lançou agregador de investimentos via Open Finance, apostando em portabilidade de carteiras como diferencial. O Mercado Livre, que controla o Mercado Pago, tem priorizado crescimento de base sobre rentabilidade no curto prazo, o que reforça o sentido estratégico de internalizar ativos que alimentam retenção.
| Fintech |
Movimento recente em investimentos |
| Mercado Pago |
Fecha compra da Nikos DTVM, assume distribuição direta (mai 2026) |
| PicPay |
Lança agregador de investimentos via Open Finance (mar 2026) |
O que observar
A questão não é se a carteira de investimentos cresce: a tendência já estava estabelecida antes do fechamento, sustentada pela escala da base de pagamentos. O teste será a velocidade de integração. Fintechs que internalizam infraestrutura de parceiros enfrentam riscos de descontinuidade técnica e de gestão que o discurso de “continuidade para o cliente” não elimina. Vale acompanhar se a incorporação da equipe se traduz em novos produtos no curto prazo, como debêntures incentivadas com maior penetração em bases de varejo de massa, ou se o foco inicial será consolidação operacional.
Distribuidoras independentes que atuam no modelo IaaS para outros parceiros também devem monitorar o movimento: quando o cliente-âncora se torna o controlador, o modelo de risco do negócio muda. A pergunta que fica é se outras fintechs de pagamentos seguirão o mesmo caminho de internalização ou optarão por manter parcerias com distribuidoras independentes.
Fontes: Valor Econômico • Bloomberg Línea • Finsiders Brasil