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Riachuelo mira consignado para 6 mi de clientes da Midway

A Midway, financeira da Riachuelo, se homologou no INSS e testa o consignado privado para reduzir risco e mirar a base de 6 milhões de clientes.

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Shutterstock

A Midway, financeira da Riachuelo, começou a montar uma operação de consignado nas três verticais (servidor público, INSS e trabalhador privado) para reduzir o risco do balanço e explorar uma base de cerca de 6 milhões de clientes. O movimento tira o cartão private label do papel de carro-chefe e reforça o cartão bandeirado, que já responde pela maior parte da carteira de R$ 6,610 bilhões.

Balanço da Midway no 1º trimestre de 2026

Indicador Valor
Receita líquida R$ 659,6 mi (+6,9%)
Ebitda R$ 133,1 mi (+5,8%)
Carteira de crédito R$ 6,610 bi (+18,3%)
Cartões R$ 5,6 bi (R$ 1 bi private label + R$ 4,6 bi bandeirado)
Empréstimo sem garantia R$ 1,0 bi

Balanço da Midway no 1º trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico

Do private label ao consignado

Historicamente, o negócio das redes varejistas com financeira própria girou em torno do private label, o cartão que só funciona dentro da própria loja. A Midway decidiu trocar esse eixo: hoje o bandeirado, aceito em qualquer maquininha, já domina a carteira de cartões, e o formato fechado virou fatia minoritária (ver quadro acima). A aposta seguinte é o consignado. A financeira obteve em maio a homologação no INSS para aposentados e pensionistas, já tinha credenciamento no Siape para servidores federais e chegou com a estrutura pronta quando o consignado para trabalhadores de carteira assinada saiu do papel.

O motor da decisão é o risco. Uma régua comum no sistema bancário coloca o crédito sem garantia em torno de um terço do volume com garantia, mistura que ajuda a equilibrar retorno e calote, e é esse ponto que a financeira persegue. Seus indicadores ainda refletem o esforço: a inadimplência dos cartões fechou março de 2026 em 15,1%, acima dos 14,1% de doze meses antes, enquanto o empréstimo pessoal recuou para 21,6%, vindo de 24,0% em dezembro de 2025. Como a parcela do consignado sai direto da folha, a aposta é que a linha derrube essa média. “O consignado é um produto que faz sentido pra gente terminar de equilibrar o balanço. É um produto de risco menor e tem uma demanda absurda da nossa base de clientes”, disse Francisco Santos, CEO da Midway, que assumiu a financeira quatro anos atrás, com passagens anteriores por Itaú, Santander, PicPay e Cielo.

A base de 6 milhões de clientes

O alcance da rede é o trunfo. Cerca de 60 milhões de visitas chegam às 338 unidades da Riachuelo a cada ano, e 20 milhões de CPFs diferentes efetivamente compram. Dentro desse público, a financeira já contabiliza por volta de 6 milhões de clientes, com um contingente de quase 10 milhões de cartões habilitados para uso. Um terço das compras nas lojas corre pelos plásticos da casa, base sobre a qual a companhia quer empilhar as novas linhas de crédito, mais baratas e de vínculo mais longo do que o crédito pessoal sem garantia.

O consignado privado, sua frente mais recente, roda em piloto há mais de meio ano, sem meta de expansão nem guidance divulgado. “Nossa filosofia é ‘devagar e sempre’. A demanda é bem maior do que o que a gente aprova”, afirmou Santos. Ele conta que o faturamento da financeira quintuplicou em três anos (alta de 400%), enquanto a carteira subiu perto de 20% no mesmo intervalo, descolamento que credita a precificação e modelagem melhores, não a volume. O caminho ecoa o de outras operadoras de cartão private label que deslocaram o foco para o crédito.

O que observar

A entrada de uma financeira de varejo no consignado testa se a distribuição capilar, com dezenas de milhões de CPFs passando pelas lojas, se converte em originação de crédito de baixo risco sem repetir os tropeços que instituições maiores enfrentaram ao escalar rápido demais. O consignado para trabalhadores com carteira assinada é a frente mais nova e menos madura, com histórico de operação ainda curto e tíquete médio em ajuste. Vale acompanhar se a estratégia de “devagar e sempre” sustenta a trajetória de inadimplência dentro do projetado enquanto o mix migra do rotativo do private label para linhas descontadas em folha, e se o modelo de crédito ancorado na base de varejo entrega margem incremental sem elevar a provisão.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: Crédito do TrabalhadorLet’s Money: crédito sem garantiaLet’s Money: private label para crédito

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