Oito em cada dez brasileiros concentram sua jornada bancária no smartphone, mas apenas 23% seguem as recomendações personalizadas dos próprios aplicativos. Os dados são do levantamento “Do Pix ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzido pela Lina Open X com a MindMiners, que ouviu mil brasileiros de diversas regiões e classes sociais em 2026.
Mobile banking, Pix e Open Finance: os números do brasileiro
| Dimensão |
Dado |
| Mobile banking (canal principal) |
81% |
| Seguem dicas personalizadas dos apps |
23% |
| Pix como método preferencial |
73,5% |
| Já ouviram falar de Open Finance |
76,8% |
| Autorizaram compartilhamento de dados |
37,1% |
| Integrariam pagamentos em um único app |
85,8% |
| Principal preocupação: segurança |
56,3% |
| Nunca tiveram educação financeira |
37%+ |
Levantamento Lina Open X e MindMiners, 2026. Fonte: Mobile Time
Pix consolidado, Open Finance travado pela desconfiança
O Pix é o método de pagamento preferencial de 73,5% dos entrevistados, e 76,6% substituíram o cartão físico total ou parcialmente. A rapidez lidera os benefícios citados (49,8%), mas a segurança é a principal preocupação de 56,3%. Esse paradoxo se repete no Open Finance: 76,8% já ouviram falar do sistema, mas apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados, percentual consistente com levantamentos anteriores que também apontavam adoção real inferior a 40%. Mesmo assim, 85,8% dos entrevistados integrariam pagamentos em um único aplicativo (36,9% com certeza e 48,9% talvez), o que indica que a intenção existe: o freio é o medo de golpes, citado por 56,3%.
O app virou o banco, mas a orientação financeira não acompanhou
Com 81% dos brasileiros usando aplicativos como canal bancário principal, o smartphone consolidou-se como a interface financeira dominante. O desafio é o engajamento: apenas 23% seguem as dicas personalizadas oferecidas pelos apps, enquanto 38,85% raramente as usam ou as ignoram. “Há espaço para os bancos transformarem o app em hub efetivo de orientação financeira”, aponta o levantamento.
A educação financeira também aparece como lacuna estrutural: mais de 37% dos entrevistados nunca tiveram acesso a ela, apenas 26% poupam mensalmente, e só 12,8% se sentem preparados para imprevistos. A Lina tem apostado em preencher esse gap: o Tutor, seu produto de orientação financeira com IA e dados de Open Finance, busca personalizar recomendações financeiras para o usuário.
O que observar
O gap de 48 pontos percentuais entre quem quer centralizar os pagamentos em um único app (85,8%) e quem já autorizou o Open Finance (37,1%) indica que a barreira não é de awareness: mais de três quartos dos brasileiros já ouviram falar do sistema. A resistência é de confiança. Enquanto o medo de golpes afetar mais da metade dos usuários, a conversão de intenção em autorização depende menos de campanhas de comunicação e mais de arquitetura de segurança visível e percebida no momento da decisão.
O baixo engajamento com dicas personalizadas (23%) pode ser lido de duas formas: ou as recomendações não são suficientemente relevantes para o momento de vida do usuário, ou o canal de entrega não é o adequado para orientação financeira. Plataformas que conseguirem resolver esse gargalo têm vantagem relevante num mercado onde o acesso já está resolvido mas a utilidade ainda não. Vale notar que os dados foram levantados pela fintech que comercializa os serviços de Open Finance e orientação financeira avaliados no estudo, o que pode influenciar o recorte das perguntas e a leitura dos percentuais de intenção.
Fontes: Mobile Time • Let’s Money • Let’s Money